Jornal de Brasília
Desde que se cristalizou a candidatura da ainda vice Celina Leão ao governo brasiliense, estava claro que a vertente bolsonarista teria palanque privilegiado no Distrito Federal. O vínculo entre Celina e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (foto) garantia esse apoio mútuo, que se confirmou mesmo depois da adoção, pelo PL da família, de uma chapa puro-sangue para o Senado. O então governador Ibaneis poderia até ser cristianizado na sua própria candidatura, mas, com Celina, manteve-se a dobradinha. É mais do que certo, portanto, que Flávio Bolsonaro estará em casa quando ligar sua candidatura à reeleição da atual governadora. No outro extremo, Lula teria necessariamente o apoio da candidatura apoiada pela federação PT-PT-PCdoB, que hoje tem Leandro Grass como seu nome mais provável. A dúvida, aí, está somente se Lula terá um ou dois palanques, com a resistência de Ricardo Cappelli, respaldado pelo PSB e, segundo seus aliados, pessoalmente mais próximo do presidente que o próprio Grass. Arruda se compromete com Caiado, mas acena para Flávio Candidato pelo PSD, o ex-governador José Roberto Arruda jogará com duas cartas na mão. Declarou-se submetido à disciplina partidária, portanto apoiará o candidato oficial de sua legenda a presidente, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado. Seguirá as diretrizes do PSD e terá Caiado no palanque. Nada de queixas do partido. No entanto, o próprio Arruda admite que também apoiará Flávio Bolsonaro. Conta que se identifica muito com o candidato do PL. Mas diz que nem teria como operar de outra forma, pois seus eleitores são comuns. Nada a ver com relações pessoais, pois se considera amigo de Caiado e lembra que ambos conviveram na política, com modelos de gestão muito parecida. Arruda revela, porém, que se tornou amigo de Flávio, muito amigo até. Chama-o de “habilidoso, educado e ponderado”. Mais importante, sejam quais forem as convicções originais do senador, vem sabendo colocá-las de forma a obter aceitação do centro. Além de tudo, José Roberto Arruda é originário do PL, o partido de Flávio, e não abandona as esperanças de que os antigos correligionários venham a aderir à sua própria candidatura.
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