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Candidato do governo é eleito para vaga no TCU e reforça articulação de Motta na Câmara | Collector
Candidato do governo é eleito para vaga no TCU e reforça articulação de Motta na Câmara
Jornal O Globo

Candidato do governo é eleito para vaga no TCU e reforça articulação de Motta na Câmara

O deputado Odair Cunha (PT-MG) foi eleito pelo plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira para ser o próximo ministro do Tribunal de Contas da União com 303 votos em uma eleição acirrada que se definiu apenas nos momentos finais da apuração. Sua indicação ainda deve ser referendada pelo Senado. A vitória de Cunha, além de representar uma vitória para o governo, também reforça, para aliados, a capacidade de articulação de Motta na Casa, que vinha sendo posta em xeque depois de episódios no ano passado, como a ocupação da Mesa Diretora por membros da oposição. Com o desgaste da imagem do presidente da Casa, a eleição para o tribunal de contas passou a ser vista por parlamentares como uma espécie de “prévia” das eleições para a Presidência da Câmara no ano que vem, em que Motta deve tentar se reeleger. Caso o deputado paraibano não conseguisse articular apoio suficiente a Odair, segundo aliados, sua perpectiva de manter o cargo em 2027 poderia ficar ameaçada. Com 49 anos e advogado de formação, o petista ocupará uma vaga na Corte até 2051, quando completará 75 anos — idade limite para ministros. Ele sucederá Aroldo Cedraz, que se aposentou em fevereiro deste ano. O TCU é um órgão técnico que ficaliza a aplicação do dinheiro público federal. Dentre outras atribuições, ele pode auditras e julgar as contas de gestores, examinar licitações e obras públicas. Muitas delas, por exemplo, recebem dinheiro de emendas destinadas por deputados, sendo essa uma das preocupações de parlmentares com a composição do colegiado, especialmente em um momento em que correm em diferentes instâncias uma série de investigações acerca da destinação desses recursos. Odair contou com o apoio de diversos partidos, incluindo a bancada do PT e o Republicanos, sigla de Hugo Motta, presidente da Câmara. A escolha de seu nome fez parte de um acordo firmado com petistas ainda em 2024, quando deputados do partido apoiaram a eleição de Motta ao comando da Casa. Segundo o próprio eleito afirmou durante sabatina, ele ingressou na Ordem dos Advogados do Brasil no mesmo ano e iniciou a carreira atuando como advogado, além de ter exercido funções como procurador municipal, assessor jurídico e consultor jurídico de câmaras municipais em Minas Gerais. Com trajetória de mais de duas décadas na vida pública, ele atualmente cumpre seu sexto mandato como deputado federal. Também foi secretário de Estado de Governo em Minas Gerais e manteve interlocução com tribunais de contas, o que, segundo ele, contribuiu para sua compreensão do papel dessas instituições no aperfeiçoamento da gestão pública. Apesar da vitória, o caminho não foi simples. Partidos de oposição, como o PL, afirmaram desde o início das articulações que não integravam o acordo e não apoiaram o candidato do governo. A oposição lançou múltiplas candidaturas: Soraya Santos (PL-RJ), Danilo Forte (PP-CE), Hugo Leal (PSD-RJ), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Gilson Daniel (Podemos-ES) e Adriana Ventura (Novo-SP). Nos dias que antecederam a votação, houve tentativas de unificar a oposição em torno de um único nome para enfrentar o petista. A articulação, no entanto, não prosperou completamente e houve candidatos que decidiram manter suas campanhas, o que resultou na pulverização dos votos contrários — cenário que favoreceu Cunha. Soraya Santos, candidata pelo PL, foi uma das que abdicou de sua candidatura para tentar angariar votos contrários a Odair. Adriana Ventura, candidata pelo partido Novo, também acabou desistindo de concorrer horas antes da eleição. O processo da eleição se estendeu por mais horas, om discursos em plenário e articulações de última hora nos bastidores. Logo antes dos discursos acabarem, deputados já faziam filas em frente às cabines de votação para registrar seus votos. O anúncio do placar só foi divulgado oficialmente pelo presidente Hugo Motta às 21h10. Deputados fazem fila em frente a cabine de votação para eleição ao TCU Letícia Pille Sabatina da CFT e defesa das emendas Na véspera, os candidatos passaram por sabatina na Comissão de Finanças e Tributação (CFT). Em sua fala, Cunha buscou se apresentar como um nome de perfil institucional e afastar a ideia de alinhamento automático ao governo, afirmando que foi apoiado por uma série de partidos diferentes. O deputado também dedicou parte relevante da exposição ao tema das emendas parlamentares, ponto sensível na relação entre Congresso e órgãos de controle. Disse que as emendas são “instrumento legítimo e essencial” e defendeu que o TCU atue de forma a reconhecer sua importância dentro do orçamento público, além de adotar uma atuação mais preventiva e orientadora. — O bom controle orienta e não paralisa — declarou. A ênfase no tema ocorre em meio a uma expectativa, sobretudo entre partidos do centrão, de que o indicado da Câmara ao TCU atue como um defensor das prerrogativas do Parlamento, especialmente no que diz respeito à execução de emendas e ao controle do orçamento. Nos bastidores, parte desses grupos via Cunha com ressalvas, por não considerá-lo um nome naturalmente alinhado a esse perfil mais “corporativista”. Mesmo assim, Cunha conseguiu construir maioria. Nos bastidores, parlamentares de diferentes partidos, inclusive alguns que declararam voto contrário, avaliaram a vitória como uma demonstração de força política e capacidade de articulação de Hugo Motta dentro da Câmara. Um dos receios do presidente da Casa era colocar a candidatura em votação e sofrer uma derrota, o que poderia enfraquecer sua liderança.

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