Jornal O Globo
Em bairros como Gangnam, em Seul, clínicas especializadas em qualidade da pele e manutenção estrutural operam com uma lógica distinta da estética ocidental. Antes de qualquer procedimento, pacientes passam por análises detalhadas, com mapeamento de elasticidade, textura e densidade, que orientam protocolos personalizados e combinados. Em vez de tratar pontos isolados, a abordagem integra diferentes técnicas em uma mesma sessão, com foco em sustentação progressiva e resultados discretos. Saiba: O que muda na pele ao longo do tempo e como adaptar os cuidados Confira: Sua rotina de skincare não deveria ser a mesma o ano inteiro, e o outono reforça essa necessidade Esse modelo, consolidado na Coreia do Sul, começa a ser observado em outros mercados. A estética deixa de ser pensada apenas como correção pontual e é tratada como um processo contínuo, baseado na preservação da estrutura facial e na qualidade da pele ao longo do tempo. O que antes era associado ao skincare se amplia para uma lógica que também orienta decisões médicas e protocolos estruturados. A diferença não é apenas técnica, mas também cultural. Enquanto parte do modelo ocidental se desenvolveu a partir da correção de sinais visíveis, abordagens difundidas em países asiáticos priorizam personalização e prevenção. A pele deixa de ser tratada como um elemento isolado e passa a ser entendida como um sistema, no qual fatores como densidade dérmica, sustentação e integridade estrutural são avaliados em conjunto. Esse tipo de abordagem está associado a tratamentos que combinam estímulo biológico e tecnologia, incluindo terapias regenerativas e técnicas que atuam nas camadas mais profundas da pele. Em vez de respostas imediatas, esses protocolos consideram resultados cumulativos e a manutenção da aparência ao longo do tempo. Para Roberto Chacur, médico da Harmonize Gold, essa mudança já impacta o comportamento das pacientes. "A paciente chega hoje com uma expectativa diferente. Ela não quer transformar o rosto nem criar volume. Há uma busca mais clara por firmeza, qualidade de pele e por uma aparência que se mantenha ao longo do tempo sem evidenciar intervenção", afirma. "Os bioestimuladores de colágeno ganham espaço porque atuam na base da estrutura da pele. Estimulam o colágeno de forma progressiva e permitem que o envelhecimento ocorra com mais sustentação e menos ruptura. É um cuidado que acompanha o tempo, em vez de tentar corrigi-lo depois", acrescenta. Essa mudança não se limita à escolha de tratamentos, mas também aparece na forma como a estética é percebida. O que antes era frequentemente guiado por tendências e resultados imediatos passa a incluir critérios como tempo, progressão e coerência com a própria identidade. O cuidado deixa de ser pontual e passa a integrar uma construção contínua. Para a médica e CEO das clínicas Leger, Nívea Bordin Chacur, esse comportamento também é observado entre pacientes brasileiras. "Observamos hoje uma paciente mais consciente, que não busca transformação evidente, mas qualidade de pele e resultados que se sustentem ao longo do tempo. Essa estética mais estrutural e progressiva já faz parte da realidade dos consultórios", destaca. Mais do que uma tendência consolidada, esse movimento aponta para uma mudança gradual na forma como o rejuvenescimento é abordado. O foco na correção passa a coexistir com estratégias voltadas à preservação. O resultado deixa de ser medido apenas pela transformação e passa a considerar a manutenção da aparência ao longo dos anos.
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