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Como celebridades impulsionam a nova estética da naturalidade na beleza contemporânea
Jornal O Globo

Como celebridades impulsionam a nova estética da naturalidade na beleza contemporânea

Durante anos, intervenções estéticas marcadas por mudanças visíveis e resultados mais evidentes ocuparam o centro do debate sobre beleza. Nos últimos anos, no entanto, esse padrão vem sendo reavaliado. Em consultórios e nas escolhas individuais, cresce a valorização de intervenções mais sutis, com foco em proporções, harmonia e preservação da identidade. Nesse movimento, procedimentos menos invasivos e resultados discretos passam a ganhar espaço, em sintonia com uma percepção de beleza mais associada à naturalidade. Beleza sem intervenções: quem são as famosas brasileiras que optam pela naturalidade Naturalidade em alta: por que cada vez mais famosas estão reavaliando procedimentos estéticos no corpo Essa mudança de perspectiva também se reflete no imaginário coletivo, em um contexto de maior visibilidade de nomes como Isis Valverde, Luísa Sonza, Sophie Charlotte, Bruna Griphao, Mel Maia, Bruna Marquezine e Marina Ruy Barbosa. Associadas a uma estética mais leve, essas personalidades reforçam uma leitura de beleza que se afasta de transformações evidentes e privilegia resultados discretos. Nos consultórios, essa virada já é percebida na prática clínica. O cirurgião plástico Marco Cassol observa uma alteração no perfil das pacientes nos últimos anos. "O que vemos hoje é uma busca muito maior por naturalidade. As pacientes não querem mais resultados evidentes ou artificiais, mas sim algo que valorize o corpo que elas já têm. Isso inclui, muitas vezes, evitar próteses e optar por técnicas que respeitem a anatomia individual", afirma. Nesse contexto, abordagens cirúrgicas voltadas à preservação de traços e à sutileza dos resultados vêm ganhando espaço, especialmente na região dos seios. Técnicas como a lipoenxertia mamária, que utiliza gordura do próprio corpo para conferir volume, e mastopexias mais atuais, que reposicionam e remodelam as mamas sem o uso de implantes, têm sido alternativas buscadas por pacientes que preferem evitar o silicone. Segundo o cirurgião plástico Luis Fernando de Mattos, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, essa mudança acompanha uma evolução técnica e comportamental. "A medicina estética evoluiu muito, e hoje conseguimos oferecer resultados mais naturais com técnicas menos invasivas. Ao mesmo tempo, as pacientes estão mais conscientes e exigentes. Elas querem se reconhecer no espelho, e não parecer outra pessoa", explica. A cirurgiã plástica Iara Batalha destaca que o conceito de beleza também passou por uma reinterpretação ao longo do tempo. "Durante muito tempo, o padrão era baseado em volume e transformação. Hoje, a estética está muito mais ligada à harmonia e proporção. Muitas pacientes chegam ao consultório pedindo exatamente o oposto do que era tendência anos atrás: menos volume, mais naturalidade e resultados que não denunciem o procedimento", pontua. Para o cirurgião plástico Jorge Seba, o papel das redes sociais foi determinante nesse processo de mudança, tanto na popularização de procedimentos quanto na revisão de excessos. "As redes sociais ajudaram a popularizar procedimentos, mas também expuseram exageros. Isso fez com que muitas pessoas repensassem suas escolhas. Hoje existe uma valorização maior do natural, do proporcional e do que realmente combina com cada corpo", analisa. Mais do que uma mudança de tendência, o movimento aponta para uma reconfiguração na forma como a beleza é percebida. A busca deixa de seguir padrões rígidos e passa a considerar individualidade, bem-estar e coerência com características próprias. Com o avanço das técnicas e a consolidação dessa abordagem, o campo da estética se desloca em direção a resultados sutis, personalizados e mais próximos da naturalidade.

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