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Israel ataca ao sul de Beirute e Hezbollah lança foguetes um dia após início de negociações de paz
Jornal O Globo

Israel ataca ao sul de Beirute e Hezbollah lança foguetes um dia após início de negociações de paz

O Exército de Israel realizou ataques ao sul de Beirute e o grupo pró-Irã Hezbollah disparou cerca de trinta foguetes contra o território israelense nesta quarta-feira, um dia depois de Líbano e Israel decidirem iniciar negociações de paz. Guga Chacra: Entenda a rodada de negociação histórica entre Israel e Líbano nos EUA e o passado conflituoso entre os países Guerra no Oriente Médio: Irã pode resistir 'por semanas ou até meses' a bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA, diz jornal Segundo a Agência Nacional de Informação (ANI) libanesa, dois ataques israelenses atingiram sucessivamente dois carros a cerca de vinte quilômetros ao sul de Beirute. Um deles teve como alvo um veículo na rodovia que liga Beirute ao sul do país, na altura de Jiyeh, e o outro ocorreu em Saadiyat, precisa a agência. Ela acrescenta que essas áreas não são redutos do Hezbollah. Desde os bombardeios massivos de quarta-feira, 8 de abril, que causaram mais de 350 mortos em Beirute e em outras partes do país, Israel não havia atacado a capital libanesa devido a pressões diplomáticas. Escalada no sul do Líbano Israel continuou nesta quarta-feira seus bombardeios em várias localidades do sul do Líbano, onde o Exército conduz uma ofensiva terrestre, informou a agência estatal libanesa, que também relata combates com o Hezbollah. Os combatentes desse grupo pró-Irã, por sua vez, dispararam cerca de trinta foguetes contra Israel a partir do Líbano na manhã de quarta-feira, informou à AFP um porta-voz do Exército israelense. Em um comunicado, o movimento islamista xiita reivindicou disparos de foguetes contra dez localidades do norte de Israel, próximas à fronteira. A violência continua um dia após negociações diretas em Washington entre Israel e Líbano, as primeiras em mais de 30 anos. O Hezbollah não viu com bons olhos essa aproximação, na qual ambos os países aceitaram iniciar negociações diretas para uma paz sustentável ao longo do tempo, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Em 2 de março, o Hezbollah atacou o território israelense, o que arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio. Desde então, os bombardeios israelenses causaram 2.124 mortes e deslocaram mais de um milhão de pessoas. Negociações de paz Representantes de Israel e Líbano concordaram em lançar negociações diretas visando um acordo para encerrar a ofensiva militar iniciada pelos israelenses no mês passado, em paralelo à guerra lançada com os EUA contra o Irã. Após uma reunião entre os embaixadores dos países em Washington, a primeira do tipo desde 1993, os dois lados reforçaram seus pontos, e os americanos estabeleceram que um cessar-fogo só poderá ser obtido por israelenses e libaneses, no que soou como um recado a Teerã. À mesa estavam a embaixadora libanesa, Nada Hamadeh, e o embaixador israelense, Yechiel Leiter, com mediação do Departamento de Estado dos EUA. Não havia expectativa de um anúncio de grande porte, mas o comunicado conjunto foi interpretado como um sinal positivo. Segundo o texto, "os participantes mantiveram discussões produtivas sobre os passos necessários para o início de negociações diretas entre Israel e o Líbano, e "concordaram em iniciar negociações diretas em data e local a serem mutuamente acordados". Mas era impossível ignorar os desafios, a começar pelo principal ausente (por falta de convite), o grupo político-militar Hezbollah, aliado de Teerã e principal alvo de Israel no país árabe. No comunicado, os israelenses dizem apoiar o desarmamento de "todos os grupos armados não estatais e o desmantelamento da infraestrutura terrorista no Líbano, reafirmando seu compromisso de trabalhar com o governo libanês para alcançar esse objetivo, a fim de garantir a segurança das populações de ambos os países". O Líbano "ressaltou a necessidade de implementar a declaração de cessar-fogo de novembro de 2024", que encerrou a última ofensiva de Israel e que previa o desarmamento do Hezbollah — o grupo rejeita entregar suas armas, e o Estado libanês não parece ter meios para enfrentá-lo. Além de pedir a pausa nos combates, Beirute fez um apelo por "medidas concretas para lidar com a grave crise humanitária que o país continua a sofrer em decorrência do conflito em curso", e defendeu sua soberania, ameaçada pelos planos de israelenses de ocupação do sul do território. Por enquanto, sem sucesso. (Com AFP)

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