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Cerca de 250 migrantes desaparecem após naufrágio no mar de Andamão
Jornal O Globo

Cerca de 250 migrantes desaparecem após naufrágio no mar de Andamão

Aproximadamente 250 cidadãos rohingyas e bengaleses, entre eles crianças, estão desaparecidos após o naufrágio de um pesqueiro no mar de Andamão, segundo informações divulgadas por agências de refugiados e migração das Nações Unidas. Guga Chacra: Entenda a rodada de negociação histórica entre Israel e Líbano nos EUA e o passado conflituoso entre os países Guerra no Oriente Médio: Irã pode resistir 'por semanas ou até meses' a bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA, diz jornal A embarcação partiu de Bangladesh com destino à Malásia e, de acordo com as agências, "teria afundado devido a ventos fortes, mar agitado e superlotação". Não há confirmação sobre o momento exato do acidente, ocorrido após a partida em 4 de abril, segundo a BBC. Equipes de resgate conseguiram salvar apenas nove pessoas. Elas foram encontradas por um navio com bandeira de Bangladesh em 9 de abril, "agarradas a tambores e destroços de madeira", segundo a guarda costeira. Posteriormente, o navio Meghna Pride resgatou sobreviventes por volta das 2h de 11 de abril e os levou de volta ao país. Relatos indicam que os passageiros ficaram à deriva por quase dois dias após o naufrágio. — Eles ficaram à deriva no mar por quase dois dias, agarrados a tambores e pedaços de madeira — afirmou um membro da guarda costeira. O número exato de pessoas a bordo ainda é incerto. Sobreviventes mencionaram "cerca de 100 pessoas", mas autoridades afirmam que "o número exato ainda é desconhecido" e que "e não há nenhum rastro dos outros nem da embarcação". Entre os resgatados está Rafiqul Islam, de 40 anos, que relatou ter ficado à deriva por cerca de 36 horas e sofreu queimaduras causadas por óleo vazado. Ele embarcou, assim como outros passageiros, "na esperança de uma vida melhor", motivado por promessas de emprego na Malásia. Crise humanitária e travessias perigosas Os rohingyas, minoria muçulmana de Mianmar, enfrentam décadas de perseguição e têm cidadania negada pelo governo. Desde 2017, centenas de milhares fugiram para Bangladesh, onde vivem em condições precárias, o que leva muitos a arriscar travessias marítimas perigosas. As agências da ONU alertaram que "Esse incidente trágico reflete as graves consequências do deslocamento prolongado e da ausência de soluções duradouras para os rohingyas". Também destacaram que a situação em Mianmar "reduziu as esperanças de um retorno seguro no futuro próximo". Segundo os organismos internacionais, fatores como a redução da ajuda humanitária e as dificuldades nos campos de refugiados levam essas populações a "realizar essas perigosas travessias marítimas em busca de segurança e oportunidade". As embarcações utilizadas costumam ser pequenas, superlotadas e sem infraestrutura básica, o que aumenta o risco de tragédias. Em muitos casos, os barcos sequer conseguem chegar ao destino ou são impedidos de desembarcar em países como Malásia e Indonésia. Em um relato citado pela Reuters, um refugiado resumiu o desespero enfrentado por essas populações: "As pessoas estão morrendo nos combates, morrendo de fome. Então alguns pensam que é melhor morrer no mar do que morrer lentamente aqui". As agências da ONU pediram a continuidade do financiamento internacional para apoiar os rohingyas e as comunidades que os acolhem em Bangladesh. "Enquanto Bangladesh celebra seu Ano Novo, essa tragédia é um lembrete dos esforços urgentes necessários para enfrentar as causas profundas do deslocamento em Mianmar e criar condições que permitam que os refugiados rohingyas retornem voluntariamente, com segurança e dignidade".

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