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EUA anunciam novo chefe da missão diplomática na Venezuela
Jornal O Globo

EUA anunciam novo chefe da missão diplomática na Venezuela

O governo dos Estados Unidos designou John Barrett como o novo chefe da missão diplomática para a Venezuela, no âmbito da normalização das relações entre os dois países após a captura de Nicolás Maduro, anunciou nesta quarta-feira a embaixada americana no país. Laura Dogu, exonerada do cargo, ocupava a função desde janeiro deste ano e foi responsável pelo restabelecimento das relações entre Washington e Caracas após o ataque dos EUA. Negociações com os EUA: Filho e netos do ex-presidente cubano Raúl Castro assumem posições de destaque 7 em cada 10: Maioria dos venezuelanos no Brasil não pretendem retornar ao país, aponta Acnur — Tenho o prazer de anunciar que John Barrett chegará em breve à Venezuela para atuar como o próximo encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas — anunciou Laura Dogu em um comunicado oficial publicado no X. Laura Dogu, exonerada do cargo, ocupava a função desde janeiro deste ano JUAN BARRETO Dogu chegou em Caracas em 31 de janeiro de 2026, em meio a um processo de reaproximação diplomática entre os países. Pouco depois, os EUA e a Venezuela concordaram formalmente em restabelecer as relações diplomáticas, sendo um marco histórico nas relações bilaterais. — Minha missão temporária em Caracas está chegando ao fim, e retornarei ao meu cargo anterior como Conselheiro de Política Externa do Chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos — disse Dogu no comunicado. Initial plugin text O mandato de Dogu previa a execução de três etapas — estabilização, reconstrução e transição — definidas pelo secretário de Estado Marco Rubio para a condução da política dos Estados Unidos em relação à Venezuela. Nesse contexto, foram prorrogadas licenças que permitem a atuação de empresas americanas no país, além da flexibilização de restrições ao comércio de ouro e da retirada de sanções contra figuras ligadas ao chavismo. Mais recentemente, uma nova autorização do Tesouro dos EUA ampliou de forma significativa a capacidade de transações do país ao liberar operações com o Banco Central venezuelano. No campo econômico, o Parlamento venezuelano aprovou mudanças nas legislações de hidrocarbonetos e mineração para facilitar a entrada de capital estrangeiro, incluindo a previsão de arbitragem internacional em disputas. Essas iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla de reabertura do setor energético e atração de investimentos internacionais. Initial plugin text No período houve a libertação de presos políticos, mas as alterações institucionais não foram suficientes para gerar confiança. Nomeações recentes, como as do novo procurador-geral e do defensor público, além da reorganização do gabinete, são vistas como ajustes internos do próprio chavismo. Mudanças mais estruturais, como na composição do Supremo Tribunal e do órgão eleitoral, ainda não ocorreram. Enquanto isso, os efeitos da reativação econômica seguem distantes da realidade da maioria da população venezuelana. 187 militares rebeldes presos: Venezuela mantém prisões mesmo sob pressão dos EUA após lei de anistia Diplomata tem perfil voltado à segurança e à agenda de Trump Diplomata de carreira, John Barrett acumula mais de duas décadas de experiência no Serviço Exterior dos Estados Unidos. Entre suas funções recentes, esteve como vice-chefe de missão na embaixada americana no Panamá, entre 2023 e 2026, onde participou de iniciativas para retomar a influência sobre o Canal do Panamá. Também atuou como conselheiro econômico no Peru e em El Salvador e até passagem no Brasil, como cônsul-geral em Recife. Seu histórico profissional é marcado por atuação em áreas como segurança, controle migratório e combate ao narcotráfico, alinhado à política internacional de Trump. Durante sua passagem pela Guatemala, entrou em atrito com o presidente Bernardo Arévalo, que criticou a suposta interferência da embaixada americana na escolha de magistrados para a Corte Constitucional, em meio a disputas institucionais no país. Instabilidades na Venezuela A Venezuela atravessa um período de forte instabilidade política e econômica intensificadas após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos há três meses. Maduro responde a acusações de narcotráfico em Nova York. Ademais, a oposição pediu, na última sexta-feira, a convocação de novas eleições presidenciais, alegando a existência de uma “ausência absoluta” do ex-presidente após o fim do prazo de 90 dias previsto na Constituição para substituições temporárias no comando do país. 'Transição democrática': Oposição venezuelana exige novo órgão eleitoral como garantia para futuras eleições A economia também segue fragilizada, com inflação em níveis elevados, moeda desvalorizada e dificuldades estruturais na produção de petróleo, principal fonte de receita nacional. O Fundo Monetário Internacional classifica a situação como “bastante frágil”, em um cenário marcado por pobreza disseminada e desigualdade, após mais de uma década de crise que levou milhões de venezuelanos a deixar o país. Pessoas realizam uma vigília exigindo a libertação de presos políticos venezuelanos em frente à prisão El Rodeo I em Guatire, estado de Miranda, Venezuela Maryorin Mendez / AFP Nos últimos meses, o país também tem registrado aumento da pressão social, com protestos por melhores salários e condições de vida, enquanto o governo promete medidas graduais para conter a crise sem agravar a inflação. Apesar de sinais pontuais de recuperação e articulações internacionais para reativar a economia, a melhora ainda não chegou de forma significativa à população.

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