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Cessar-fogo de uma semana no Líbano pode ser anunciado hoje, diz TV ligada ao Hezbollah; Israel vai discutir plano
Jornal O Globo

Cessar-fogo de uma semana no Líbano pode ser anunciado hoje, diz TV ligada ao Hezbollah; Israel vai discutir plano

Após mais de um mês de guerra, um cessar-fogo de uma semana pode ser anunciado nesta quarta-feira no Líbano, cenário de uma ofensiva militar israelense que deixou mais de dois mil mortos e provocou o deslocamento de um milhão de pessoas. Segundo a TV al-Mayadeen, ligada ao grupo Hezbollah, a trégua seria resultado da pressão do Irã, mas representantes do governo israelense ainda analisam a proposta. Na véspera, diplomatas israelenses e libaneses se reuniram em Washington e concordaram em estabelecer um diálogo para um acordo de paz de longo prazo. Guga Chacra: Após intervalo na guerra, qual será o próximo ato de Irã x EUA? Sem o Hezbollah: Entenda a rodada de negociação histórica entre Israel e Líbano nos EUA e o passado conflituoso entre os países Segundo uma fonte dos serviços de segurança do Irã (aliado do Hezbollah), citada pela al-Mayadeen, “diante da pressão do Irã, um cessar-fogo será declarado no Líbano a partir desta noite (de quarta-feira)”, acrescentando que a trégua “vai durar uma semana, e se estenderá até o fim do período de cessar-fogo entre Irã e EUA”. O iraniano se referia a uma trégua de duas semanas, anunciada na semana passada pelo presidente americano, Donald Trump, que permitiu o início de negociações diretas entre Washington e Teerã”. Ouvidos pela agência Reuters, membros do governo libanês dizem que há conversas sobre a trégua em curso, e que os americanos pressionam Israel para que suspenda os bombardeios e a ofensiva por terra no sul do Líbano. Também citado pela Reuters, Ibrahim al-Moussawi, deputado do Hezbollah, estimou que um cessar-fogo poderia ser anunciado “em breve”, sem estimar prazos. Exército israelense divulga imagens de ataques ao Hezbollah no sul do Líbano Exército de Israel O Gabinete de segurança israelense se reunirá nesta quarta-feira para discutir a suspensão nos combates, a pedido dos EUA, e a fonte no governo iraniano ouvida pela al-Mayadeen afirmou que o premier Benjamin Netanyahu tentará “sabotar o plano”. — Mas nós lidaremos com Washington como o parceiro aliado da força de ocupação (Israel) e como o responsável por conter Netanyahu — disse o iraniano à TV libanesa. Discurso pela paz: Papa Leão XIV diz estar 'mais próximo do que nunca do povo libanês' e fala em 'obrigação moral' de proteger civis da guerra Iniciada em paralelo à guerra contra o Irã, a ofensiva israelense no Líbano tem como alvo declarado o Hezbollah, que lançou mísseis e foguetes contra Israel nas últimas semanas, como parte de sua aliança com Teerã. Em resposta, as Forças Armadas israelenses deram início a um intenso bombardeio centrado no sul libanês, onde o grupo tem forte presença, provocando o êxodo de centenas de milhares de pessoas rumo a áreas mais seguras. As bombas também atingiram subúrbios de Beirute, como Dahiyeh, “base” do Hezbollah, e provocaram estragos em áreas civis. Mas com o anúncio do cessar-fogo entre Irã e EUA, confirmado na segunda-feira passada após Trump ameaçar “matar a civilização” iraniana, a inclusão do Líbano foi alvo de discórdia. Teerã e o Paquistão (mediador do diálogo) afirmaram que a pausa nos combates no país árabe foi acertada com os americanos. Israel, amparado pelos EUA, disse que a guerra continuava, e horas depois lançou o mais violento ataque desde o começo de março. Cerca de 350 pessoas morreram, outras centenas ficaram feridas, e as bombas caíram em áreas onde não há presença do Hezbollah. O Irã reagiu fechando o Estreito de Ormuz, e disse que os ataques eram uma violação do cessar-fogo. Os EUA pediram “moderação” a Israel, e pressionaram israelenses e libaneses a se sentarem à mesa para discutir um plano de longo prazo, sem o Hezbollah. O encontro, o primeiro desde 1993, aconteceu na terça-feira, em Washington, e os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos concordaram em prosseguir com as conversas, visando um cessar-fogo e, em um ponto mais complexo, o desarmamento do grupo xiita, previsto no acordo que encerrou outra guerra, no final de 2024. Violência da guerra: ‘Chegamos a atender cerca de 60 pacientes em poucas horas’, diz ao GLOBO médico libanês após ataques israelenses As informações sobre o potencial cessar-fogo no Líbano surgem após a maratona de negociações entre EUA e Irã no Paquistão, no fim de semana, e em meio a discussões de bastidores sobre novas reuniões. Na terça-feira, Trump disse que “alguma coisa ocorreria nos próximos dois dias”, e o chefe do Exército paquistanês, Asif Munir, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para reuniões com autoridades locais — segundo a imprensa iraniana, ele levou uma mensagem dos americanos. Como destacou o representante do Irã à al-Mayadeen e como afirmou al-Moussawi à rede al-Jazeera, Teerã exige que o conflito no país árabe seja incluído em qualquer tipo de plano. — Os iranianos estão exercendo forte pressão sobre os americanos e impuseram como condição que os americanos incluam o Líbano no cessar-fogo. Caso contrário, continuarão o bloqueio de Ormuz. É a carta na manga econômica — disse o deputado. — Os iranianos se abriram para diversos atores regionais e internacionais para alcançar esse objetivo. Enquanto a trégua não é declarada, Israel afirmou ter atacado mais de 200 alvos no Líbano em 24 horas, alegando ter destruído estruturas "terroristas, estruturas militares e cerca de 20 lançadores (de foguetes)". Em reunião com o premier libanês, Nawaf Salam, o chefe da agência da ONU para refugiados (Acnur), Bahram Salih, fez um apelo à comunidade internacional para que ajudem os mais de um milhão de deslocados internos pela guerra. — As consequências humanitárias desta guerra são imensas, e enfatizo a necessidade de poupar os civis e as infraestruturas civis dos estragos dos ataques. O Líbano não merece ficar preso num ciclo recorrente de violência; merece apoio e estabilidade — declarou à imprensa.

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