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FMI aprova segunda revisão do acordo com Argentina e abre caminho para desembolso de US$ 1bi
Jornal O Globo

FMI aprova segunda revisão do acordo com Argentina e abre caminho para desembolso de US$ 1bi

Após várias semanas de expectativa e negociações, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as autoridades argentinas chegaram a um acordo em nível técnico sobre a segunda revisão do programa de reformas econômicas da Argentina de US$ 20 bilhões, firmado há pouco mais de um ano. Isso abre caminho para o desembolso de US$ 1 bilhão previsto para esta etapa do programa. Não são só os brasileiros: Argentinos também estão muito 'enrolados' com dívidas Novo pacote: Argentina emite novas regras que dificultam operações de retirada de dólares do país “O corpo técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI) e as autoridades argentinas chegaram a um acordo sobre a segunda revisão do programa de reformas econômicas da Argentina, apoiado pelo acordo do Serviço Ampliado do Fundo (SAF) com duração de 48 meses. Sujeita à aprovação do diretório executivo do FMI, a Argentina teria acesso a aproximadamente US$ 1 bilhão”, informou o organismo em um comunicado divulgado após a diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, e o ministro argentino da Economia, Luis Caputo, terem mantido um diálogo informal na sede do organismo em Washington. “O impulso reformista se fortaleceu significativamente nos últimos meses. A administração [de Javier Milei] obteve a aprovação do Congresso para o Orçamento de 2026 e para legislações fundamentais destinadas a formalizar a posse de ativos financeiros por parte dos residentes, aumentar a flexibilidade do mercado de trabalho, ratificar acordos comerciais-chave e destravar investimentos no setor de mineração”, acrescentou o comunicado do Fundo Monetário Internacional. Em seu comunicado, o FMI destaca que as melhorias no arcabouço monetário e cambial estão levando a um fortalecimento das reservas, com compras de divisas por parte do Banco Central que superam US$ 5,5 bilhões no acumulado do ano, acrescentando que a Argentina continua resistindo bem aos efeitos de contágio decorrentes da guerra no Oriente Médio, ''dados os contínuos avanços em seus fundamentos econômicos e sua condição de exportador líquido de energia”. Iniciativa de Milei: Argentina muda lei e reduz proteção ambiental de geleiras para facilitar mineração “Isso ocorre em um contexto no qual as empresas conseguiram repatriar dividendos pela primeira vez em seis anos”, acrescentou o Fundo. O ministro da Economia, Luis Caputo, comemorou a aprovação. “IMPORTANTE! Chegamos a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Quero agradecer especialmente a Kristalina Georgieva por sua liderança e compromisso ao longo de todo este processo. Também a Dan Katz, a Luis Cubeddu e a toda a sua equipe pelo trabalho realizado, que foi fundamental para alcançar o acordo em nível técnico (Staff Level Agreement)”, afirmou na rede X. Caputo também elogiou o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, e seu vice, José Luis Daza. Initial plugin text O FMI também destacou que foram alcançados entendimentos sobre um “sólido pacote de políticas” destinado a consolidar os “impressionantes avanços em matéria de estabilização e a redução sustentada dos níveis de pobreza observados desde o final de 2023”. “As políticas macroeconômicas e estruturais buscarão equilibrar os objetivos de desinflação, estabilidade externa e crescimento, ao mesmo tempo em que apoiam o acesso oportuno da Argentina aos mercados de capitais em condições mais favoráveis”, afirmou o Fundo Monetário Internacional, que detalhou os principais elementos desse pacote de políticas. Previsão do FMI: Dívida pública do Brasil vai alcançar 100% do PIB em 2027 Em termos fiscais, o organismo multilateral assinalou que “o saldo de caixa zero continuará sendo a principal âncora de política do programa, em linha com um superávit primário de 1,4% do PIB neste ano e sustentado por controles de gastos sólidos e contínuos, ao mesmo tempo em que proporciona espaço suficiente para assistência social focalizada”. Ao longo do tempo, espera-se que reformas bem sequenciadas nos marcos tributário, previdenciário e fiscal melhorem ainda mais a qualidade e a durabilidade da âncora fiscal, explicou o FMI, que também colocou foco na acumulação de reservas, um dos eixos centrais das discussões. Ranking: PIB do Brasil voltará a ser o 10º maior do mundo este ano, graças à alta do petróleo O organismo afirmou que as autoridades estão comprometidas em “continuar fortalecendo a capacidade da Argentina de lidar com choques”, e que se projeta que as reservas internacionais líquidas aumentem em pelo menos US$ 8 bilhões em 2026, “apoiadas por esforços para mobilizar financiamento em moeda estrangeira e manter as compras de divisas do Banco Central em pelo menos US$ 10 bilhões neste ano, em linha com a remonetização pressuposta da economia”. O anúncio do Fundo Monetário Internacional ocorreu após a reunião informal que Luis Caputo manteve com Kristalina Georgieva em Washington, onde ocorre a Assembleia de Primavera do organismo multilateral e do Banco Mundial. Nesse breve encontro, eles conversaram sobre a aceleração da inflação na Argentina, entre outros temas. Resultado ruim: Inflação na Argentina avança mais do que o esperado em março As autoridades econômicas argentinas estiveram em contato permanente com as equipes do FMI, sendo o descumprimento da meta de acumulação de reservas no ano passado um dos principais pontos de discussão para fechar o acordo em nível técnico (staff level agreement). A segunda revisão havia começado em fevereiro passado, com a visita a Buenos Aires de uma missão do FMI. A acumulação de reservas e o retorno ao financiamento voluntário no mercado são dois pilares do programa com o Fundo Monetário Internacional, pois determinam a capacidade de pagamento do país nos próximos anos. Na primeira revisão do programa, o governo havia recebido um “waiver” pelo descumprimento da meta de reservas. No restante de 2026, a Argentina deve quitar dívidas com o Fundo Monetário Internacional no valor de US$ 3,605 bilhões, com o próximo vencimento previsto para maio, de US$ 805 milhões. O país é o principal devedor do organismo, com cerca de 34,5% dos créditos pendentes de recebimento.

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