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Papa pede fim da corrupção e ‘respeito aos direitos humanos’ em Camarões e diz que mundo precisa ouvir mensagem de paz | Collector
Papa pede fim da corrupção e ‘respeito aos direitos humanos’ em Camarões e diz que mundo precisa ouvir mensagem de paz
Jornal O Globo

Papa pede fim da corrupção e ‘respeito aos direitos humanos’ em Camarões e diz que mundo precisa ouvir mensagem de paz

O Papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira que sua visita à África leva uma mensagem de unidade e paz “que o mundo precisa ouvir”, ao mesmo tempo em que pediu às autoridades de Camarões que examinem sua “consciência” e rompam “as correntes da corrupção”. As declarações foram feitas em meio às críticas que o Pontífice vem recebendo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do vice-presidente JD Vance por sua posição sobre a guerra no Irã. ‘Vou seguir firme contra a guerra, há um caminho melhor’: Papa Leão XIV reage e diz que não tem medo de Trump ‘Fraco’ e ‘liberal demais’: Trump ataca Papa Leão XIV em post; líderes católicos reagem Depois de ser recebido por multidões nas ruas, o Pontífice nascido nos Estados Unidos adotou um tom incomumente direto em seu primeiro discurso no país africano, diante de autoridades locais, incluindo o presidente Paul Biya, de 93 anos, que governa o país desde 1982. O Papa afirmou que a segurança deve ser exercida com respeito aos direitos humanos e defendeu que o poder público não seja fonte de divisão. — A segurança é uma prioridade, mas deve ser sempre exercida com respeito aos direitos humanos — disse o Papa, acrescentando que as autoridades devem servir como pontes, “mesmo quando a insegurança parece prevalecer”. Em resposta, Biya disse às autoridades e diplomatas reunidos na capital, Yaoundé, que “o mundo precisa da mensagem de paz” trazida por Leão. Sob o comando de Biya, Camarões tem sido há muito tempo assolado por desvio generalizado de recursos, ocupando a 142ª posição entre 182 países no Índice de Corrupção de 2025 da Transparency International. Entenda: Vice de Trump diz que Papa deve ter ‘cuidado ao falar de teologia’ ao rebater críticas a ataque dos EUA Nos últimos anos, o líder multiplicou suas viagens ao exterior, seja para tratamento médico ou férias em um luxuoso hotel em Genebra, onde a oposição o acusa de gastar dinheiro dos contribuintes. Um consórcio internacional de jornalistas investigativos, o OCCRP, estimou em 2018 que a duração total de suas estadias privadas no exterior foi de 4,5 anos ao longo de três décadas e meia, com custo de 65 milhões de dólares. Na véspera da visita do Pontífice, grupos da sociedade civil em Camarões haviam denunciado um “período sem precedentes de repressão” desde as eleições presidenciais de outubro e pediram a libertação de presos políticos, alguns detidos sem base legal. Entre os 2.782 prisioneiros registrados pelas organizações, 2.630 não foram condenados, segundo o ativista Herve Nzouabet Kweto, da ONG Source de vie. — É hora de examinar nossa consciência e dar um salto ousado para frente. Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção devem ser quebradas — afirmou o Pontífice. Após chamar o Papa Leão XIV de fraco: Trump publica imagem de si mesmo como figura semelhante a Jesus Mais cedo, durante o voo entre Argélia e Camarões, Leão XIV voltou a defender a convivência entre religiões e destacou sua visita à Grande Mesquita de Argel, a maior da África, além do local de nascimento de Santo Agostinho de Hipona, figura cristã que inspirou sua vocação sacerdotal. Segundo ele, o encontro com a diversidade religiosa reforça a necessidade de coexistência pacífica. — Temos crenças diferentes, formas diferentes de culto e maneiras distintas de viver, mas podemos viver juntos em paz. Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje — declarou. Tensões com Trump A turnê do Papa por quatro países da África começou em meio a declarações de Trump de que ele “não era um grande fã” de Leão, após o Pontífice nascido nos EUA pedir paz no Oriente Médio. O presidente e seu Vance fizeram declarações duras ao longo da semana contra o líder da Igreja Católica, o que fez o Pontífice afirmar que não tem “medo da administração Trump” e que seguirá “firme contra a guerra”. Poucas horas antes da viagem do Papa, Trump disse ser “inaceitável” que o Irã possua uma bomba nuclear e criticou diretamente o Pontífice. O presidente também divulgou uma imagem em que aparecia como uma figura semelhante a Jesus, posteriormente apagada: “Alguém poderia, por favor, dizer ao Papa Leão que o Irã matou pelo menos 42.000 manifestantes inocentes nos últimos dois meses?”, escreveu. ‘Piratas de Ormuz’: Com memes e IA, humor vira arma de guerra viralizada de embaixadas do Irã para ironizar Trump Vance, que é católico, também questionou o Pontífice em um evento do Turning Point USA na terça-feira, afirmando que o Papa deveria ser “cuidadoso” ao tratar de teologia e colocando em dúvida sua interpretação da teoria da Guerra Justa, conceito desenvolvido por pensadores católicos ao longo de séculos. Um dos principais formuladores dessa doutrina foi Santo Agostinho, homenageado por Leão XIV durante sua passagem pela Argélia. O Papa, por sua vez, afirmou que o pensador continua sendo uma referência importante e destacou seu apelo à busca da verdade e à construção de comunidades baseadas na unidade entre os povos. — Seu convite para buscar Deus e a verdade é algo de que precisamos muito hoje. Ele oferece à Igreja e ao mundo uma visão de construção de comunidade e respeito entre todos os povos, apesar das diferenças. Em Camarões, o Pontífice também deve abordar o conflito entre o governo francófono e separatistas anglófonos e participar de um encontro pela paz. Segundo a agência AP, grupos separatistas anunciaram uma pausa de três dias nos combates para permitir uma “viagem segura” do Papa e a divulgação de sua mensagem. A viagem do líder católico à África inclui ainda visitas a Angola e à Guiné Equatorial e está prevista para terminar em 23 de abril. (Com AFP)

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