Jornal O Globo
A novela "Além do tempo" voltará ao ar na Globo a partir do próximo dia 27, ocupando o lugar de "Terra nostra" na faixa "Edição especial". O elenco da trama de Elizabeth Jhin conta com a atriz Flora Diegues, que morreu aos 32 anos, em decorrência de um câncer no cérebro. Leia também: Otavio Augusto comemora retorno de 'Avenida Brasil' ao ar e revela cuidados com saúde aos 81 anos Entrevista: Narjara Turetta fala da reprise de 'Salve Jorge' e da vida às vésperas de completar 60 anos Flora morreu em 2019, quatro anos após a exibição original de "Além do tempo". Ela interpretava Bianca, sobrinha de Massimo (Luís Melo). A personagem acaba se envolvendo com Pérsio (Wagner Santisteban). Quem foi Flora Diegues? Flora Diegues é filha do cineasta Cacá Diegues e da produtora Renata Almeida Magalhães. Ela começou a carreira artística ainda adolescente, no filme "Tieta do Agreste" (1996), dirigido por seu pai. Ela também trabalhou com Domingos de Oliveira na peça "Os melhores anos de nossas vidas" (2000) e esteve na montagem de "O Auto da Compadecida", de Leonardo Brício e Pedro Kosovski. Em 2014, fez sua estreia na TV na série "Só garotas", do Multishow, em que foi dirigida pela atriz Maria Flor. Flora também esteve em obras como a segunda temporada da série " Questão de família" (2015), do GNT, e a novela "Deus salve o rei" (2018). Um de seus últimos trabalhos no cinema foi o longa “O grande circo místico” (2017), dirigido por Cacá Diegues e produzido por sua mãe, Renata Almeida Magalhães. — Flora viveu intensamente, sempre se divertiu, lutou com muita coragem e alegria. Fez de tudo, escreveu, atuou, dirigiu. Gostava muito de viver — disse o pai, na época da morte da atriz. Em 2021, em sua coluna em O GLOBO, Diegues também falou sobre a perda da filha: "Flora, minha filha, morreu no dia 2 de junho de 2019, aos 32 anos de idade, de um tumor no cérebro. Há dois anos. Ela teve os primeiros sintomas no final de 2015, foi operada e melhorou muito. Estava fazendo televisão e cinema com entusiasmo e sucesso, quando o tumor voltou em 2018, depois de Cannes, para onde ela foi conosco apresentar o “Grande circo místico”, em que é atriz e bailarina. Linda. Lindíssima. Flora era meu ser humano predileto, a pessoa que eu mais amava neste planeta e com quem conversava durante dias seguidos sobre arte, política, o cinema e a vida. Ela estudou cinema na PUC, mas queria mesmo era ser atriz e foi uma ótima atriz, enquanto pôde. Depois do “Grande Circo Místico”, meu projeto era fazer um filme com ela e Betty Faria, chamado “A dama”, sobre duas gerações políticas tão diferentes. Eu estava preparando essa produção quando ela ficou doente. Não fui capaz de fazer o filme com outra atriz, joguei fora o roteiro. Como também não fui capaz de fazer nenhum outro filme depois disso — eu e Renata ficamos, desde então, cuidando de Flora, dividindo com ela nossos corações em frangalhos. Flora viveu em permanente compaixão pelo outro, o mais nobre sentimento humano — compartilhar com o outro sua paixão de dor ou de alegria. Sonhar, inutilmente ou não, o mesmo sonho. Sempre que me via sorumbático, tentava adivinhar do que se tratava para me dizer que eu era um bobo, que nada daquilo valia a pena. O importante era anunciar ao mundo que queríamos ser felizes, nem que para isso tivéssemos que mudar de planeta. Tomei posse de minha cadeira na ABL no dia 12 de abril de 2019 e, como ela estava muito fraca e não tinha como sair de casa, vesti meu fardão e li para Flora, sozinhos em meu escritório, o discurso que fiz naquela noite. Ela o corrigiu, me deu mais umas ideias e pronto. Eu chorei, ela não. No final de maio, Flora entrou em coma e morreu no primeiro domingo do mês seguinte, nos braços de Renata. Desde então, envelheci. Não que eu quisesse morrer também, nunca pensei nisso. Mas não consegui fazer mais nada, a não ser escrever, uma vez por semana, para esta coluna no GLOBO. A pandemia me fez ficar em casa, celebrando a memória de Flora". Galerias Relacionadas Initial plugin text
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