Jornal O Globo
Os acordes do refrão de “Rocket man”, de Elton John, tomam conta do ambiente, enquanto uma imensa lua cheia surge por trás de um astronauta acrobata. Neste instante, por alguns segundos, parte dos passageiros do mais novo navio de cruzeiros do planeta Terra esquece que está navegando e tem a sensação de estar em órbita, tal qual os tripulantes da Artemis II. E este é apenas um dos muitos momentos impactantes a bordo do novíssimo Norwegian Luna. Explora II: como é fazer um cruzeiro de luxo no navio que tem o oceano como atração principal Star of the Seas: a experiência de viajar a bordo do atual maior navio de cruzeiros do mundo Batizado em 27 de março, no Porto de Miami, de onde parte para roteiros de três a sete dias pelo Caribe (com pacotes a partir de R$ 4 mil por pessoa), o navio é o 21º da frota da Norwegian Cruise Line (NCL), armadora americana que completa 60 anos em 2026. Segundo integrante da classe Prima Plus, iniciada em 2025 com seu “gêmeo” Norwegian Aqua, ele combina ambientes sofisticados, muito espaço ao ar livre, 17 opções gastronômicas, shows no “estilo Broadway” e atrações empolgantes, como a montanha-russa aquática híbrida Aqua Slidecoaster, uma espécie de toboágua "turbinado". Sem falar no conhecido freestyle da companhia, que se manifesta tanto na falta de obrigatoriedade de dress code (nada de noite do capitão ou festa do branco, por exemplo), quanto na liberdade para jantar sem hora marcada, algo incomum no setor. Gigante ‘modesto’ Com 321 metros de comprimento, 156.300 toneladas, 20 andares e capacidade para até 3.565 passageiros, distribuídos em 1.809 cabines, não se pode dizer que o Luna seja um navio pequeno. Mas ainda assim é menor que os maiores da companhia, os gigantes Norwegian Bliss e Norwegian Encore, para mais de quatro mil passageiros e lançados no final da década passada. Num momento em que concorrentes buscam quebrar recordes ano após ano, a NCL olha para outro lado, segundo seu diretor de Experiências, Mark Kansley: — Ele tem o tamanho certo para as necessidades do nosso público. Não pensamos em fazer navios maiores do que já temos, mas em oferecer experiências diferenciadas. Entre as peculiaridades da NCL, a mais evidente é o visual de seus navios. Cada um apresenta uma pintura chamativa e única no casco. A do Luna foi feita pela artista plástica Elle, que também foi escolhida como madrinha da embarcação. A paisagem que ela criou mostra pássaros sobrevoando o mar e blocos de gelo, entre nuvens e constelações, em tons de roxo, lilás, rosa e azul, na direção de uma lua cheia. Outra marca registrada da companhia é a liberdade gastronômica a bordo. Diferentemente do que é praticado no setor, na NCL o hóspede não tem nem turno nem mesa fixos para jantar no restaurante principal incluído na tarifa — o Hudson’s, com seu salão com janelões que permitem uma vista de 270° para o oceano, e menu à la carte internacional. No entanto, o melhor lugar para o viajante descobrir o que vai fazer com essa tal liberdade é o Indulge Food Hall, praça de alimentação com dez postos de comida independentes, com opções como pratos vegetarianos, indianos, massas, carnes e tapas. O pedido é feito em tablets instalados nas mesas, sem custo extra. Também não se paga nada a mais para comer no tradicional bufê Surfside e no bar e restaurante The Local, que serve comida até alta madrugada. Alguns desses restaurantes, incluindo os de especialidade, pagos à parte, têm saída para uma área externa no deque 8, que dá a volta em todo o navio. O “calçadão” é ideal para caminhar, descansar em espreguiçadeiras e sofás ou se refrescar numa das duas piscinas com borda infinita nas laterais do navio. Já a principal piscina fica no deque 17, o mesmo nível do Vibe Beach Club, a área só para maiores de 18 anos, que também tem custo extra. A maior diversão Os deques superiores são as áreas mais agitadas, com atrações pensadas para as famílias, como o playground molhado infantil (com direito a foguetinho de brinquedo), The Stadium (com quadras poliesportivas, minigolfe e jogos variados), The Drop (escorregador que desliza por dez andares) e o Moon Climber (circuito suspenso de obstáculos). E o carro-chefe, a emocionante montanha-russa aquática híbrida Aqua Slidecoaster — só existe outra do tipo, no Norwegian Aqua. Sentado numa boia, o visitante é impulsionado por um braço mecânico e pela corrente d’água por um tubo multicolorido por dentro, cheio de curvas e ao som de música pop de décadas passadas. É menos radical que parece, mas a diversão é garantida. Garantida também é a variedade na programação de shows. Além de apresentações de cantores e instrumentistas em diversos espaços, há três espetáculos criados para o navio. Com um jeito de teatro de revista, o “LunaTique Pop Circus” é apenas para maiores de idade, porque o ingresso (pago à parte) inclui quatro doses de bebidas alcoólicas. Já o grande público pode (e deve) garantir lugar no Luna Theatre, o teatro principal do navio, para assistir a “HIKO: Innovation Meets Wonder” (no estilo Cirque du Soleil, com muita acrobacia e efeitos visuais) e, sobretudo, “Elton: a celebration of Elton John”, um musical que enfileira os clássicos do autor de “Tiny dancer” e “Your song”, com muita dança, irreverência e momentos capazes de emocionar até os astronautas da Artemis II. Eduardo Maia viajou a convite da Norwegian Cruise Line
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