Jornal O Globo
O britânico Adam Carruthers, de 33 anos, condenado por derrubar a icônica árvore de Sycamore Gap, no norte da Inglaterra, foi libertado após cumprir apenas 10 meses de uma pena de quatro anos e três meses. A soltura antecipada, ocorrida em março deste ano, provocou reação negativa entre moradores da região, que classificaram a decisão como “inacreditável”. Carruthers havia sido condenado em maio de 2025 ao lado de Daniel Graham, de 40 anos, após os dois percorrerem cerca de 64 quilômetros desde Carlisle até o local para cortar a árvore em setembro de 2023. Segundo a acusação, Carruthers utilizou uma motosserra para derrubar o exemplar, enquanto Graham registrava a ação em vídeo. Patrimônio mundial e símbolo cultural De acordo com a AFP, A árvore de Sycamore Gap ficava ao lado da Muralha de Adriano, monumento que integra a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Esse reconhecimento internacional é concedido a locais considerados de valor histórico, cultural ou natural excepcional para a humanidade, o que amplia a gravidade do crime para além do impacto local. Muito popular entre turistas e caminhantes, a árvore era vista como um dos cenários mais emblemáticos da paisagem britânica. Sua queda causou danos estimados em £622 mil, além de prejuízos adicionais à estrutura histórica da muralha. De acordo com as autoridades, a libertação ocorreu dentro do regime de prisão domiciliar com toque de recolher, que permite a saída antecipada de detentos mediante condições rigorosas. Carruthers passou a usar tornozeleira eletrônica e deve permanecer entre nove e doze horas por dia em casa. Caso descumpra as regras, poderá retornar à prisão. Um porta-voz do Ministério da Justiça afirmou que todos os beneficiados por esse regime seguem sob monitoramento e estão sujeitos a sanções em caso de violação. Após deixar a prisão, Carruthers retomou seu antigo emprego em uma empresa na região de Cumbria. Em entrevista à ITV News, afirmou estar satisfeito por estar em liberdade e já ter voltado à rotina de trabalho. A decisão, no entanto, gerou forte reação entre frequentadores e moradores de Northumberland. Um caminhante ouvido pela imprensa local afirmou que o responsável pela destruição “não deveria estar em liberdade”, citando o impacto cultural do ato. Durante o julgamento, jurados assistiram às imagens gravadas por Graham, que mostram o momento em que a árvore é cortada e cai sobre a muralha romana. A Promotoria classificou a ação como uma “missão imbecil” que chocou o país. Segundo a investigação, os dois ainda teriam levado um pedaço da árvore como troféu, objeto que nunca foi recuperado. Inicialmente próximos, Carruthers e Graham passaram a se acusar mutuamente após a prisão. Ao proferir a sentença, a juíza Sra. Justice Lambert afirmou que ambos eram “igualmente culpados” pela destruição do marco histórico.
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