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Maior chacina do DF: no 4° dia de julgamento, réu diz que atirou em uma das vítimas 'sem querer' | Collector
Maior chacina do DF: no 4° dia de julgamento, réu diz que atirou em uma das vítimas 'sem querer'
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Maior chacina do DF: no 4° dia de julgamento, réu diz que atirou em uma das vítimas 'sem querer'

Os cinco réus da Chacina do DF acompanham o julgamento algemados. O quarto dia do julgamento da maior chacina do Distrito Federal acontece nesta quinta-feira (16). A sessão começou pela manhã, com o interrogatório de Carlomam dos Santos Nogueira, um dos cinco réus acusados de matar 10 pessoas da mesma família, incluindo três crianças. Em sua fala, Carlomam disse que atirou em uma das vítimas, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, "sem querer". O réu disse que Marcos já estava rendido, mas que houve um certo embate entre eles, momento em que aconteceu um disparo acidental. Carlomam dos Santos Nogueira também relatou que, há algum tempo, era amigo de Fabrício Canhedo, outro réu. Eles teriam conversado que “teria uma fita para eles ganharem dinheiro”, e que estavam passando por uma crise financeira que seria solucionada. Segundo Carlomam, a conversa evoluiu para uma "proposta" de R$ 500 mil, sem saber do que se tratava inicialmente. Fabrício teria dito que também foi convidado para a proposta e que o plano não era dele. Depois, Carlomam foi apresentado a Gideon Menezes, que estaria com Fabrício no plano e seria o mentor do grupo. Após Carlomam, haverá o interrogatório do quinto e último réu, Carlos Henrique Alves da Silva. Os outros três réus falaram no terceiro dia de julgamento, na quarta (15) (veja detalhes mais abaixo). O julgamento começou na segunda-feira (13), e os dois primeiros dias foram dedicados aos depoimentos de testemunhas. Três réus falaram no 3° dia de julgamento Começa julgamento dos acusados de matar 10 pessoas da mesma família, há 3 anos, na maior chacina do Distrito Federal Jornal Nacional/ Reprodução Na quarta (15), foram interrogados os três primeiros réus: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Fabrício Silva Canhedo. Os três depoimentos foram radicalmente diferentes entre si: Gideon Menezes afirmou ao júri que também é uma vítima, que estava amarrado nos primeiros dias dos crimes e que foi coagido a participar do crime. Horácio Barbosa recorreu ao direito constitucional de permanecer em silêncio para não produzir prova contra si mesmo. Em nota divulgada à imprensa, a defesa do réu disse que é inegável que os crimes foram cometidos, mas o Ministério Público não conseguiu comprovar a autoria das mortes. Fabrício Canhedo confessou ter participado dos crimes, implicou os outros réus nas mesmas condutas e disse que agiu porque queria dinheiro para a cirurgia do filho. Durante o interrogatório, ele chorou e pediu perdão a familiares das vítimas. Veja quem são as dez pessoas da mesma família assassinadas no DF Arte/g1 O que diz a denúncia? A investigação classificou o crime como um "plano cruel e torpe". Segundo o MP do DF, os acusados atuaram de forma coordenada, com funções definidas e uso de violência extrema ao longo de semanas. Veja a ordem cronológica do crime, segundo a denúncia: Outubro de 2022: segundo o Ministério Público, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam — e também um adolescente — se associam para cometer crimes. 27 de dezembro de 2022: Gideon, Horário e Carlomam, acompanhados de um adolescentente, vão até a chácara e rendem Marcos Antônio Lopes de Oliveira, a esposa dele, Renata Juliene Belchior, e a filha do casal, Gabriela Belchior. Durante a ação, cerca de R$ 49 mil são roubados. As vítimas são levadas para um cativeiro em Planaltina. No local, Marcos é morto e tem o corpo esquartejado por Gideon e Horácio. A partir de 28 de dezembro: Renata e Gabriela permanecem em cativeiro. Fabrício chega ao cativeiro e assume a função de vigilância. Segundo a denúncia, os criminosos passam a usar os celulares das vítimas para enviar mensagens e se passar por elas, mantendo contato com conhecidos e familiares para não levantar suspeitas e preparar novas abordagens. Entre 2 e 4 de janeiro de 2023: Cláudia Regina Marques de Oliveira e a filha, Ana Beatriz Marques de Oliveira, são rendidas na casa onde moravam, no Lago Norte. Elas têm bens roubados, incluindo um carro, e são levadas para o mesmo cativeiro onde estavam Renata e Gabriela. As duas também passam a sofrer ameaças e a ter senhas bancárias exigidas pelos acusados. 12 de janeiro de 2023: Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar e filho de Marcos e Renata, é atraído até a chácara Quilombo após mensagens enviadas pelos criminosos. Ele é sequestrado com a ajuda de Carlos Henrique Alves da Silva e levado ao cativeiro, onde é mantido sob ameaça. 12 e 13 de janeiro: usando o celular de Thiago, os criminosos entram em contato com Elizamar e a convencem a ir até a chácara Quilombo com os três filhos do casal: Rafael, de 6 anos, Rafaela, 6 anos, e Gabriel, 7 anos. Ao chegar, todos são rendidos e levados até uma rodovia em Cristalina (GO). Segundo o MP do DF, Elizamar e as três crianças são mortas por estrangulamento por Gideon e Horácio, e o carro com os corpos é incendiado. Carlomam acompanhou a ação. 14 de janeiro: Renata e Gabriela Belchior, que estavam em cativeiro desde o início, são levadas até uma rodovia em Unaí (MG). Lá, são mortas por estrangulamento, também por Gideon e Horácio, com Carlomam acompanhando, e têm os corpos queimados dentro de um veículo. Ao saber do assassinato de Renata e Gabriela, Fabrício se desentende com o trio e abandona o plano. 15 de janeiro: sob ordens de Gideon, Horário e Carlomam levam Cláudia, Ana Beatriz e Thiago até uma cisterna próxima ao cativeiro, em Planaltina. Segundo a denúncia, os três são assassinados a golpes de faca, e os corpos são jogados no local e cobertos com terra e cal. 16 de janeiro: após os crimes, parte do grupo tenta destruir provas. De acordo com o MP do DF, objetos do cativeiro são queimados e o local é alterado para dificultar o trabalho da perícia. Entre os crimes apontados na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina estão: homicídios qualificados: de 12 a 30 anos de prisão; extorsão: quatro a 10 anos de prisão; roubo: quatro a 10 anos de prisão; sequestro: de dois a oito anos de prisão; constrangimento ilegal: de três meses a um ano de prisão; fraude processual: de três meses a dois anos de prisão; corrupção de menores: de um a quatro anos de prisão; ocultação e destruição de cadáver: de um a três anos de prisão. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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