Jornal O Globo
O Sri Lanka aproveitou o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã para repatriar mais de 200 marinheiros iranianos que estavam sob sua custódia desde o mês passado, após um submarino americano torpedear um navio de guerra iraniano próximo às suas águas. Investigação: Irã usou dados de satélite-espião comprado de empresa chinesa para atacar bases dos EUA em março, diz jornal 'Piratas de Ormuz': Com memes e IA, humor vira arma de guerra viralizada de embaixadas do Irã para zombar e ironizar Trump O cessar-fogo permitiu que a nação insular cumprisse suas obrigações perante o direito internacional sem abrir mão de sua neutralidade ou colocar em risco seus laços diplomáticos com as partes em conflito, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Vijitha Herath, em resposta ao jornal The New York Times. A libertação dos militares resolve um impasse diplomático entre o Sri Lanka e o Irã e retira o país de um conflito no qual foi envolvido indiretamente. Os marinheiros da Marinha iraniana estavam sob custódia desde o início de março, período em que o governo do Sri Lanka resistia aos pedidos de repatriação feitos por Teerã, temendo comprometer sua neutralidade na guerra envolvendo os EUA e Israel. O Sri Lanka declarou reiteradas vezes ser uma parte neutra, com obrigações limitadas ao cumprimento das leis internacionais das quais é signatário. Uma dessas normas, a Terceira Convenção de Genebra, determina que prisioneiros de guerra devem ser libertados imediatamente durante uma “cessação das hostilidades ativas”. A repatriação dos marinheiros durante o cessar-fogo não afeta "nossa posição neutra" em relação à guerra, afirmou Herath. Os militares foram enviados de volta ao Irã via Turquia, em voos realizados no fim da terça-feira, informou o vice-ministro da Defesa, Aruna Jayasekara. Entre os repatriados estão 32 sobreviventes do navio Dena, destruído em um ataque dos EUA que deixou mais de 100 mortos. Segundo autoridades, 84 corpos já haviam sido recuperados e devolvidos ao Irã. O voo também transportou 206 militares do Bushehr, outra embarcação que buscou refúgio em águas do Sri Lanka após o ataque ao Dena. O Bushehr permanece ancorado em Trincomalee, com 15 marinheiros a bordo responsáveis pela segurança. A data de sua liberação será definida pelo Ministério das Relações Exteriores do país, em conformidade com o direito internacional, segundo um funcionário do governo. Inicialmente, o Sri Lanka hesitou em autorizar a entrada do Bushehr, mas acabou permitindo após a embarcação relatar problemas mecânicos. Os marinheiros de ambas as embarcações receberam vistos de 30 dias por razões humanitárias e foram alojados em instalações militares próximas à capital, Colombo. Autoridades afirmaram que eles estavam em boas condições, embora sob vigilância. Diplomatas da embaixada iraniana em Colombo mantiveram negociações diárias com o governo local sobre o destino dos militares. O Irã pressionava pela libertação, tratando o caso como uma questão bilateral entre países aliados, sem relação direta com o conflito envolvendo EUA e Israel, afirmou Alireza Delkhosh ao The New York Times no mês passado. Inicialmente, o governo do Sri Lanka discordou dessa interpretação e avaliou o caso à luz dos acordos marítimos internacionais dos quais é signatário. O país, com cerca de 22 milhões de habitantes e localizado próximo à Índia, buscou agir com cautela para preservar relações tanto com Teerã quanto com Washington. Em março, o jornal The Times informou que os Estados Unidos haviam solicitado autorização para pousar e estacionar duas aeronaves militares carregadas com armas e munições pouco antes do início do conflito com o Irã. O Sri Lanka recusou o pedido, citando sua posição de neutralidade.
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