Jornal O Globo
Na cidade de Bamenda, a Catedral de São José recebeu o Encontro pela Paz, que reuniu chefes tradicionais, representantes da Igreja protestante, membros islâmicos e a comunidade católica, entre consagrados e leigos. Durante o evento, o Papa Leão XIV fez um duro apelo contra a violência e condenou o uso da religião para justificar conflitos. Análise: Por que o Papa Leão XIV se tornou um adversário difícil para Trump Vice de Trump: Papa Leão XIV deve ter 'cuidado ao falar de teologia' ao rebater críticas a ataque dos EUA ao Irã Após cantos e relatos de moradores, entre eles uma religiosa sequestrada e uma família de deslocados internos, o Pontífice discursou inspirado pelas histórias de sofrimento apresentadas. Ele descreveu a região como uma terra “atormentada”, “ensanguentada” e “ultrajada”. — Ai daqueles que submetem as religiões e o próprio nome de Deus aos seus objetivos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para o que há de mais sujo e tenebroso — afirmou. Veja vídeo do discurso: Initial plugin text Em seguida, o Papa criticou os impactos da guerra e a falta de investimentos em reconstrução social. — Os senhores da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes não basta uma vida inteira para reconstruir. Fingem não ver que são necessários milhares de milhões de dólares para matar e devastar, mas não se encontram os recursos necessários para curar, educar e reerguer. Segundo ele, trata-se de “um mundo ao contrário”, que “é destruído por poucos dominadores e é mantido de pé por uma miríade de irmãos e irmãs solidários”. Papa fala das guerras O Papa Leão XIV afirmou que o mundo está “sendo devastado por um punhado de tiranos”, em declarações feitas nesta quinta-feira durante visita a Camarões. O tom incomumente duro do Pontífice ocorre em meio à escalada de críticas públicas trocadas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A fala do Papa foi proferida após Trump intensificar ataques contra o líder da Igreja Católica, motivados por posicionamentos reiterados do Vaticano sobre a guerra no Irã. Sem citar diretamente o presidente americano, Leão XIV também criticou governantes que recorrem à linguagem religiosa para justificar conflitos armados e defendeu uma “mudança decisiva de rumo” na condução da política internacional.
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