Revista Oeste
A suspensão do canal da Explosive Media no YouTube, conhecida por animações inspiradas em Lego relacionadas ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio, provocou debates sobre propaganda digital. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste O canal, que frequentemente ironizava o presidente dos EUA, Donald Trump, e abordava temas sensíveis dos Estados Unidos, foi retirado do ar em 27 de março, depois de alegações de violação das diretrizes contra spam e práticas enganosas. A plataforma, entretanto, não detalhou quais vídeos motivaram a medida. Apesar do bloqueio na rede do Google, o grupo mantém atividades em outras mídias, principalmente no X, onde concentra cerca de 60 mil seguidores. As produções, desenvolvidas com inteligência artificial, tornaram-se o principal modelo de divulgação da narrativa iraniana nas redes sociais, espaço que se consolidou como palco estratégico para disputas informacionais durante o conflito. Conteúdo polêmico e estratégias de viralização O YouTube é do Google | Foto: Divulgação O conteúdo costuma retratar o Irã como alvo dos EUA e de Israel, enquanto paródias com Trump abordam desde seu suposto envolvimento com Jeffrey Epstein até pressões do premiê israelense, Benjamin Netanyahu. As animações também exploram a expressão Taco ('Trump Sempre Arrega'). Ela ironiza atitudes consideradas "vacilantes" do presidente e abordam questões como a morte de George Floyd e ameaças a aliados árabes dos norte-americanos. Confira o exemplo de um dos conteúdos abaixo. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Dai'Marr Keys (@whoiskingtrivv) Trilhas em inglês e legendas geradas por IA ampliaram o alcance das postagens, que passaram a circular entre militantes e veículos de imprensa dos EUA. O movimento "No Kings", contrário a Trump, contribuiu para a viralização do material, conforme relatou a revista New Yorker . As produções ganharam notoriedade, e perfis oficiais ligados ao regime de Teerã as replicaram. Identidade dos criadores do canal do YouTube A identidade dos responsáveis pela Explosive Media permanece envolta em especulações. Embora se apresentem como estudantes iranianos independentes da geração Z, o criador autodenominado "Mr. Explosive" admitiu à BBC que a equipe já prestou serviços para clientes em Teerã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, criticou a suspensão. Ele alegou que a iniciativa buscou "suprimir a verdade sobre a guerra ilegal contra o Irã", no X. Leia também: "O Irã e o rude despertar da Europa" , artigo de Roberto Motta publicado na Edição 317 da Revista Oeste Segundo Baqaei, "Numa terra que orgulhosamente abriga a Pixar, a DreamWorks Animation e a The Walt Disney Company, um canal independente de animação no YouTube — que havia crescido organicamente ao retratar a agressão e o belicismo dos EUA, e conquistado milhões de espectadores — foi abruptamente fechado!!" "Por quê?!", questionou. Há 48 dias, o Irã mantém bloqueio ao acesso à internet. Contudo, o grupo relatou à BBC que recebeu permissão especial do governo para manter o trabalho on-line. O post YouTube suspende canal iraniano conhecido por animações pró-Irã apareceu primeiro em Revista Oeste .
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