Revista Oeste
Os repasses realizados pelo Banco Master a autoridades, formalmente justificados como serviços de consultoria econômica e jurídica, entraram no radar das investigações sobre a instituição financeira. Bancados por Daniel Vorcaro , os valores somam mais de R$ 620 milhões, segundo dados da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado e obtidos por Oeste . A base principal dessas movimentações está nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRFs) do próprio banco, que apontam o pagamento de cerca de R$ 545 milhões em honorários jurídicos a grandes bancas e estruturas de advocacia entre 2022 e 2025. Os valores cresceram de forma acelerada ao longo dos anos: foram R$ 40 milhões, em 2022; mais de R$ 55 milhões, em 2023; saltou para aproximadamente R$ 185 milhões, em 2024; e ultrapassou R$ 260 milhões, em 2025. Entre os principais destinatários estão os escritórios de Barci de Moraes, empresa de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com mais de R$ 80 milhões. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli | Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo E não parou aí. Os advogados Walfrido Warde recebeu cerca de R$ 75 milhões, e Gabino Kruschewsky algo em torno de R$ 55 milhões. O grupo Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht aparece com um total de quase R$ 80 milhões. Na lista de pagamentos do Master, o escritório Lewandowski Advocacia, que pertence a familiares do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, recebeu um total de R$ 6 milhões. Além disso, foram feitos pagamentos a Michel Temer, no montante de R$ 10 milhões, embora o próprio ex-presidente tenha declarado valor inferior. Antônio Rueda, presidente do União Brasil, também aparece na folha do Master, com cerca de R$ 6,5 milhões. O advogado Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social do governo Jair Bolsonaro, recebeu pouco menos de R$ 4 milhões em pagamentos destinados à sua empresa, a WF Comunicação. A empresa prestou serviços de estratégia de comunicação para a defesa do ex-banqueiro. Vorcaro gastou quase R$ 80 milhões em consultorias Além desse primeiro núcleo, há um segundo bloco de pagamentos que soma cerca de R$ 80 milhões, destinado a consultorias econômicas com grandes nomes da política monetária brasileira. A lista de repasses inclui nomes como o do ex-ministro da Fazenda no governo Temer, Henrique Meirelles, que aparece com R$ 18,5 milhões, seguido do também ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que ocupou o cargo nos governos Lula e Dilma Rousseff, com R$ 14 milhões. O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (à esq.) encontra-se com o ex-presidente Lula para selar uma aliança nas eleições 2022 - 19/09/2022 | Foto: Ricardo Stuckert/PT No caso do senador Jaques Wagner (PT-BA), o nome aparece por meio do pagamento de R$ 11 milhões à empresa BK Financeira, ligada a Bonnie de Bonilha, nora do parlamentar. + Mais notícias de Política em Oeste Já o apresentador Ratinho surge como beneficiário de cerca de R$ 24 milhões, sendo R$ 21 milhões destinados à Massa Intermediação e R$ 3 milhões à Gralha Azul Empreendimentos e Participações. Também aparecem o ex-governador da Bahia ACM Neto (União), com R$ 5,5 milhões, e Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro, com cerca de R$ 775 mil. Flávia Arruda, ex-deputada federal e ex-ministra do governo Bolsonaro, aparece associada a R$ 455 mil em pagamentos. Dados da Receita Federal mostram que os valores teriam sido repassados ao Instituto Terra Firme, ONG presidida por ela. Flávia é casada com o empresário Augusto Lima, que foi CEO do Banco Master e sócio de Daniel Vorcaro. O relatório reprovado De acordo com parlamentares que acompanharam a investigação na CPI do Crime Organizado, o mapeamento desses fluxos financeiros integrava um dos eixos mais sensíveis da comissão: a identificação de conexões entre o Banco Master e figuras com atuação relevante nos meios político, econômico e jurídico. O material reunido incluía dados fiscais, planilhas financeiras e registros de transferências. Apesar disso, o relatório final da CPI não foi aprovado, depois da articulação política do governo Lula. Com o encerramento dos trabalhos, sem a validação do documento, os achados perderam encaminhamento formal. A CPI contribui para a fiscalização dos atos da administração pública | Foto: Divulgação/Agência Brasil O encerramento antecipado da CPI, com a negativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao pedido de prorrogação por mais 60 dias, interrompeu o avanço de uma das frentes mais sensíveis da investigação. O post Vorcaro gastou mais de R$ 620 milhões em consultorias com autoridades apareceu primeiro em Revista Oeste .
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