Jornal O Globo
José Cavalcante, mais conhecido como Zé da Lagoa, recolhe lixo de rios e lagoas da região da Barra da Tijuca há 22 anos. Diz que somente na semana passada, ele e seus dois ajudantes recolheram 3,7 toneladas de material. Há alguns anos, depois que esteve sob a ameaça de ser obrigado a deixar o lugar onde vive e seu trabalho ganhou as redes sociais, ele passou a contar com uma remuneração mensal da prefeitura, o que lhe deu mais segurança e a possibilidade de fazer mais pelo meio ambiente, conta. Mas, há três dias, Zé da Lagoa foi surpreendido com a comunicação de que o valor, atualmente de R$ 1 mil, seria cortado. — Tiraram os mil reais que uso para botar gasolina no meu barco. Dediquei minha vida ao meio ambiente — lamenta. Imposto de Renda 2026: Universidades oferecem ajuda gratuita para declarar 'Cidadãos dos EUA e Israel não são bem-vindos': vereador pede cassação de alvará de bar da Lapa que postou aviso Zé foi às redes sociais protestar e mostrou o material que recolhe, todo separado por tipo: pneus, garrafas PET, objetos de plástico, metais. Ele afirma que desde 2021 é cadastrado no projeto Guardiões dos Rios, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por onde recebia remuneração para manter seu trabalho, mas, de acordo com o funcionário que lhe telefonou, o dinheiro seria cortado devido à existência de uma segunda matrícula em seu nome na prefeitura e à impossibilidade de se acumular pagamentos. Ele confirma que chegou a ser cadastrado, por um curto período, como auxiliar de professores em uma iniciativa da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), e acredita que tenha havido algum mal-entendido relacionado a esse período, mas garante que não recebe mais nenhum valor do projeto esportivo há cerca de três anos. — Me disseram que eu estava com duas matrículas e que não podia. Mas desse outro projeto eu recebi por pouco tempo. Hoje não recebo nada além desses mil reais que cortaram — diz. Initial plugin text Sem o repasse, o trabalho é sustentado como sempre foi antes da inclusão no programa: por doações. Segundo ele, moradores, cooperativas e pequenos parceiros ajudam como podem. — As pessoas doam cesta básica, ajudam com gasolina. Tem cooperativa que traz combustível e leva o lixo. Artesãos também pegam materiais, como pneus — explica. O lixo retirado das águas é levado para o terreno onde ele mora, atrás do Clube da Aeronáutica, em Jacarepaguá, e dali segue para reaproveitamento ou descarte, com apoio de terceiros. Zé da Lagoa diz que o vínculo com o programa Guardiões dos Rios surgiu quando foi procurado pelo então secretário municipal de Meio Ambiente e hoje prefeito do Rio Eduardo Cavaliere, durante uma das gestões de Eduardo Paes. Na ocasião, ele foi levado à prefeitura, onde apresentou seu trabalho e recebeu a promessa de apoio institucional. — Disseram que iam me ajudar, que eu seria cadastrado como guardião do rio. Foi quando comecei a receber esse valor — relembra. Ainda surpreso com a suspensão recente, ele afirma que não teve chance de tentar esclarecer ou contornar a situação. — Até agora não abriram espaço para conversar — diz. Questionada, a prefeitura não respondeu até a publicação da reportagem. Initial plugin text
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