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Palácio Guanabara, Rio de Janeiro GloboNews/Reprodução O governo do Rio de Janeiro iniciou uma ampla auditoria nos gastos públicos que prevê a análise de mais de 6,7 mil contratos ativos, que juntos somam mais de R$ 81 bilhões. A medida foi determinada pelo governador em exercício, Ricardo Couto, como parte de um pacote classificado pela gestão como um “choque de transparência” na máquina pública. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O pente-fino será conduzido pela Casa Civil, agora sob comando de Flávio Willeman, em conjunto com a Controladoria-Geral do Estado (CGE). De acordo com o decreto, todas as secretarias, autarquias, fundações e entidades da administração indireta deverão informar, em até 15 dias úteis, detalhes sobre contratos em vigor, incluindo prazos, valores e serviços prestados. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao todo, serão analisados 6.754 contratos com valores acima de R$ 1 milhão, que somam R$ 81.765.869.207,87. A auditoria também inclui contratos firmados sem licitação, por inexigibilidade ou em caráter emergencial, que deverão ser detalhados pelos órgãos responsáveis. Choque de transparência A revisão dos contratos deve começar pela própria Casa Civil, onde estão concentrados alguns dos maiores acordos da administração estadual. Um dos exemplos é um contrato de agenciamento de viagens aéreas, com custo estimado em R$ 825 milhões. Ricardo Couto Reprodução/TV Globo O foco inicial também inclui a Secretaria de Governo, áreas de Meio Ambiente e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o DER firmou nove contratos no último mês que somam mais de R$ 400 milhões, sendo seis deles sem previsão de licitação por serem classificados como emergenciais — todos agora sob análise. A auditoria busca identificar possíveis irregularidades, sobreposições de contratos e gastos considerados excessivos, além de revisar a legalidade de contratações feitas recentemente. Exonerações Paralelamente à auditoria, o governo interino vem promovendo mudanças no primeiro escalão e na estrutura administrativa. Só na Secretaria de Governo, 153 servidores foram exonerados nesta quinta-feira, dentro de um universo de cerca de 2,5 mil funcionários da pasta. As alterações também atingiram cargos estratégicos. O procurador Rafael Rolim foi nomeado presidente da Cedae, substituindo Agnaldo Balon, que estava no comando da companhia desde 2023. Na segunda-feira (13), Couto exonerou o secretário-chefe de Gabinete, Rodrigo Abel. A exoneração foi registrada como “a pedido”, mas, na prática, encerra a presença do grupo que concentrava as principais decisões no Palácio Guanabara desde 2020, quando Castro assumiu o comando do estado. Rodrigo Abel era considerado um dos principais articuladores do governo e atuava ao lado de nomes como Nicola Miccione e Rodrigo Bacellar. MPRJ pede afastamento do presidente interino do Rioprevidência Também na segunda-feira, Ricardo Couto exonerou o então presidente interino do Rioprevidência, Nicholas Cardoso. Para o lugar dele, foi nomeado o procurador do estado Felipe Derbli de Carvalho Batista. Cargos de comissão cresceram com Castro Outro foco do governo é o gasto com pessoal, especialmente a evolução do número de cargos comissionados nos últimos anos. Dados levantados pela atual gestão mostram que, em abril de 2021, no início do governo Cláudio Castro, havia 9.698 comissionados. Hoje, esse número chegou a 14.340 — um aumento de 47,86%. No mesmo período, o número de servidores concursados caiu de 165.866 para 153.830, uma redução de 7,2%. Com isso, a proporção de efetivos na folha diminuiu: de 96,52% para 84,6%. O decreto também determina que todos os órgãos informem o quantitativo atualizado de servidores efetivos e comissionados, como parte do mapeamento completo da estrutura administrativa. Economia anual de R$ 13 milhões Segundo a Secretaria de Estado de Governo (Segov), as primeiras medidas já resultaram em economia. A exoneração dos 153 servidores da pasta deve gerar uma redução de gastos superior a R$ 13 milhões por ano, sem impacto na prestação de serviços, de acordo com o governo. A ação integra o primeiro ciclo da auditoria, que também prevê restrições a novas licitações sem previsão orçamentária e revisão de despesas consideradas não essenciais.
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