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Crise do petróleo demonstra acerto do programa brasileiro de biocombustíveis
Jornal O Globo

Crise do petróleo demonstra acerto do programa brasileiro de biocombustíveis

A safra 2026-2027 da cana-de-açúcar começou a ser colhida no início deste mês com previsão de crescimento. A expectativa está baseada em prováveis efeitos duradouros da guerra no Oriente Médio. Desde que as primeiras bombas caíram sobre Teerã em fevereiro e o preço do barril do petróleo começou a subir, o Brasil mostrou-se um dos poucos países preparados para enfrentar o choque nos preços de combustíveis fósseis. Editorial: Petrobras precisa acabar com a defasagem de preços de combustíveis Não existe no mundo economia com um setor de biocombustíveis tão sofisticado. Há produção da matéria-prima, geração de energia, tecnologia, escala, mercado consumidor e infraestrutura. Os produtores locais de etanol estão no segundo lugar do ranking global e em terceiro em biodiesel. Oito em dez carros em circulação são flex. Nesse setor crucial para o funcionamento da economia, o Brasil é um exemplo a seguir. Editorial: Abandonar política de biocombustíveis seria retrocesso O esperado é que, na safra 2026-2027, a produção de etanol de cana-de-açúcar e de milho alcance 40 bilhões de litros, 4 bilhões a mais que na anterior. Confirmada a previsão, o volume extra será equivalente a cerca de 3 bilhões de litros de gasolina. Em agosto passado, o governo aprovou o aumento da mistura do etanol na gasolina de 27% para 30%. Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse haver estudos para elevá-la a 32% até julho. Algumas consultorias do setor não descartam que chegue a 35% antes do fim do ano. Cada ponto percentual aumenta a demanda anual em 750 milhões de litros. Produtores locais também veem oportunidades para aumentar vendas externas. No fim de março, o governo americano concedeu permissão temporária para gasolina com mistura de 15% de etanol, e existe a possibilidade de a medida ser estendida. A decisão reduzirá a quantidade de etanol exportada pelos Estados Unidos, ampliando mercado aos concorrentes brasileiros. “Isso abre oportunidades para o Brasil num contexto em que a segurança energética, que já tinha virado trunfo após a guerra entre Ucrânia e Rússia, ganha nova dimensão”, disse ao jornal Valor Econômico Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da consultoria Canaplan. Desde o início da guerra, países como Índia e Vietnã aceleraram planos para aumentar o consumo de biocombustíveis. A lista deverá aumentar mesmo depois do fim do conflito e da reabertura do Estreito de Ormuz. Nada apagará a experiência de quem foi pego de surpresa em condição vulnerável. Na opinião de Tomás Manzano, presidente da Copersucar, o Brasil tem condições de liderar a onda. A preocupação dos produtores não é a demanda, mas o aumento no preço de fertilizantes e outros insumos, também provocado pelo conflito. O investimento brasileiro em biocombustíveis aconteceu a partir de crises no mercado de energia iniciadas por guerras no Oriente Médio nos anos 1970. Criado em 1975, o Proálcool foi uma resposta ao choque do petróleo de 1973, quando o preço do barril subiu mais de cinco vezes. Só agora outros países parecem começar a aprender a lição.

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