Jornal O Globo
Após transitar por anos pelas múltiplas linguagens do audiovisual brasileiro, Danni Suzuki se prepara agora para ocupar um novo espaço: o mercado editorial. Amplamente conhecida como atriz e apresentadora, ela está prestes a lançar seu primeiro livro, intitulado "Humanos do futuro - Por que a revolução tecnológica exige uma revolução humana". Bate-papo: Isabelle Drummond fala sobre Naiane em 'Coração Acelerado' e aposta na direção com projetos autorais Carla Diaz encarna vilã em nova novela e destaca: 'Gosto de transitar entre diferentes linguagens porque cada uma me desafia' Na obra inédita, a autora investiga a perda gradual da atenção, do vínculo e da soberania emocional em uma sociedade cada vez mais mediada por telas e algoritmos. "A tecnologia evoluiu mais rápido do que a nossa consciência. O que está em jogo agora não é inovação, é maturidade emocional", diz ao GLOBO. Para construir essa reflexão, o texto parte da premissa de que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e tornou-se o próprio ambiente em que vivemos. Imersos em estímulos focados em recompensas imediatas, os indivíduos enfrentam hoje um cenário onde o acesso ilimitado à informação convive, paradoxalmente, com a ansiedade, a solidão e o cansaço. "O maior risco da vida digital não é o que ela mostra, é o que ela reorganiza dentro de nós sem que a gente perceba: atenção, memória e identidade", diz Danni. A partir desse olhar, ela disseca como essa configuração molda comportamentos e afeta diretamente a memória e a empatia, com atenção especial ao desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes. "Estamos formando uma geração hiperconectada, mas que ainda está aprendendo a lidar com suas emoções nesse novo ambiente digital. E isso não é uma crítica, é um alerta", destaca. Danni Suzuki fala sobre ansiedade, atenção e tecnologia em livro Divulgação Nanda Araujo Como resposta a esses desafios, a estrutura do livro apoia-se nas chamadas "Cinco Chaves da Expansão": identidade, reconexão, sintonia, entrelaçamento e servir. Mais do que conceitos abstratos, o modelo é apresentado como uma ferramenta prática, desenhada para que o leitor identifique em quais pontos do cotidiano sua atenção está sendo capturada. "As cinco chaves não são conceitos. São um mapa de retorno. Porque antes de evoluir como sociedade, a gente precisa reaprender a se habitar", explica. Nesse contexto, a própria noção de identidade ganha um novo contorno: "Identidade não é o que você diz que é. É o padrão neural que você constrói todos os dias sem perceber." A proposta central, portanto, é reposicionar o uso do digital não apenas para recuperar o foco, mas também para acessar a espiritualidade, uma dimensão da experiência humana que, segundo Suzuki, vai além do alcance técnico da ciência. "A ciência já consegue mapear a experiência humana. Mas existe uma dimensão que não se mede, se vive. E é ali que começa a verdadeira transformação", observa. Danni Suzuki fala sobre ansiedade, atenção e tecnologia em livro Divulgação Nanda Araujo Longe de se restringir à teoria, o embasamento da obra une a psicologia social à sólida bagagem acadêmica da artista, que é pós-graduada em Neurociência e atua como docente na PUC-RS. Além disso, esse repertório científico ganha contornos empíricos por meio de sua vivência no terceiro setor, especialmente no trabalho humanitário junto à agência da ONU para refugiados (ACNUR). A aplicação prática desse conhecimento culminou no curso Passaporte Digital, uma iniciativa voltada ao treinamento de imigrantes tanto no uso consciente da inteligência artificial quanto na gestão de habilidades emocionais. Nesse cenário, a autora reforça a centralidade da atenção e da autonomia individual. "Quem controla sua atenção, controla sua vida. E hoje, muita gente terceirizou isso sem perceber", afirma. "Soberania emocional virou uma das habilidades mais importantes do século. E, ao mesmo tempo, uma das mais negligenciadas", acrescenta. Danni Suzuki lança livro e propõe reflexão sobre tecnologia, emoções e o futuro das relações Divulgação Nanda Araujo Curiosamente, essa imersão na literatura e na neurociência acontece em paralelo a uma fase intensa nas telas, comprovando sua versatilidade no entretenimento. Após protagonizar o longa-metragem "Segredos", a artista segue à frente do reality show "New Faces", exibido pelo E! Entertainment e pelo Universal+, já com duas temporadas dedicadas a revelar novos talentos da moda nacional sob a ótica da inclusão e da diversidade. Esse ritmo ganha ainda mais força com novos projetos na dramaturgia. Danni foi escalada para a série policial do Disney+, "Delegacia de Homicídios", contracenando com Marcello Melo Jr. e Samuel Melo. Sua presença no streaming se amplia também com "Capoeiras", além de integrar o elenco de "(In)Vulneráveis", no Universal TV, ao lado de nomes como Zezé Motta e Juliana Alves. Danni Suzuki lança livro e propõe reflexão sobre tecnologia, emoções e o futuro das relações Divulgação Nanda Araujo Seja estrelando produções investigativas, revelando novos talentos ou refletindo sobre os impactos do digital na saúde mental, a artista reafirma sua principal habilidade: a comunicação. "O futuro não será definido pela tecnologia que criamos, mas pela consciência de quem nós escolhemos ser ao usá-la", conclui.
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