Jornal O Globo
O crescimento contínuo da população de hipopótamos, uma herança de um projeto audacioso do traficante Pablo Escobar, tem gerado preocupações sobre seus efeitos nos ecossistemas, na biodiversidade e nas comunidades locais, especialmente em regiões onde sua presença se expandiu. A espécie, originária da África, é exótica no país latino-americano, e não tem predadores naturais, o que fez com que não houvesse impeditivo para sua reprodução. Dificuldade em realocar: Hipopótamos de Pablo Escobar são rejeitados por países devido a mutação genética População em crescimento: Hipopótamos de Pablo Escobar podem ser abatidos para controle populacional; entenda o plano de órgão da Colômbia Segundo estimativas recentes, existem atualmente 169 hipopótamos vivendo no país. Essa espécie é considerada o terceiro maior mamífero terrestre do mundo e tem uma expectativa de vida média de até 50 anos. A Colômbia tenta enviar ao menos alguns dos indivíduos para outros países, mas somente conseguiu recusas até agora. Atualmente, a distribuição dessa população abrange aproximadamente 43.342 quilômetros quadrados, principalmente na bacia do rio Magdalena e nos complexos pantanosos da depressão de Momposina. A maior concentração de indivíduos encontra-se em Napolés, com 114 exemplares, e em Cocorná, com 31, embora também estejam presentes em outros municípios. Nestas áreas, foram relatados impactos como restrições à circulação em estradas rurais, ataques a embarcações e perdas de gado. O governo nacional tem pensado em alternativas para tentar frear o crescimento populacional. Intervenções em hipopótamos, no entanto, têm se mostrado um desafio, tanto quando dizem respeito à esterilização, como ao sacrifício de alguns dos exemplares. Impactos na biodiversidade Um dos principais efeitos da presença do hipopótamo é a competição por recursos com as espécies nativas. Esse fenômeno pode deslocar mamíferos herbívoros semiaquáticos, como o peixe-boi, a lontra e a capivara, além de afetar herbívoros terrestres, como o veado. Sua presença também causa perturbações nas cadeias alimentares devido à competição por alimento. Nos ecossistemas aquáticos, essa espécie influencia a dinâmica do plâncton e das plantas. Esses indivíduos ainda aumentam a densidade de cianobactérias, promovendo a proliferação de algas nocivas e processos de eutrofização em corpos d'água, o que representa um risco para as espécies nativas. Descendentes de um pequeno rebanho introduzido por Pablo Escobar, esses hipopótamos vivem na natureza, em um lago próximo ao parque temático Hacienda Nápoles, antigo zoológico particular do narcotraficante, em Doradal, Colômbia Alberto Gonzalez / AFP Consumo de flora e efeitos sobre a vegetação Um hipopótamo pode consumir até 50 quilos de grama por dia. Estima-se que sua dieta inclua aproximadamente 200 espécies de flora, sendo pelo menos três endêmicas. Embora seu padrão de alimentação na Colômbia não seja conhecido com precisão, a busca intensiva por alimento pode afetar a vegetação nativa e os serviços ecossistêmicos associados. O hipopótamo (Hippopotamus amphibius) é portador de doenças como tuberculose, paratuberculose e brucelose. Além disso, pode atuar como vetor de transmissão para humanos, animais domésticos e espécies selvagens, principalmente através da contaminação de fontes de água. Transformações do ambiente físico Devido ao seu tamanho — até três metros de comprimento e um peso próximo de 3,2 toneladas —, seu movimento entre a água e a terra gera transformações nas margens dos rios, abertura de novos canais e alterações na dinâmica hidrológica. Também foram identificados processos de compactação do solo, perda da cobertura vegetal e erosão. Os excrementos de hipopótamos em corpos d'água contribuem com grandes quantidades de matéria orgânica, o que afeta a qualidade da água e as espécies associadas. Esse processo aumenta a eutrofização, o aumento de nutrientes no solo e alterações na produtividade primária dos ecossistemas.
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