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França e Alemanha divergem sobre papel da Europa no Estreito de Ormuz enquanto países articulam missão | Collector
França e Alemanha divergem sobre papel da Europa no Estreito de Ormuz enquanto países articulam missão
Jornal O Globo

França e Alemanha divergem sobre papel da Europa no Estreito de Ormuz enquanto países articulam missão

França e Alemanha divergem sobre o papel da Europa na segurança do Estreito de Ormuz, enquanto mais de uma dezena de países manifestaram nesta sexta-feira disposição para lançar uma missão multinacional na região. A iniciativa avança em meio a um cessar-fogo ainda instável no Oriente Médio, com divergências sobre a participação dos Estados Unidos e após o Irã anunciar a reabertura da rota sob condição de manutenção da trégua. Estreito de Ormuz fechado: É legal a cobrança de pedágio do Irã para permitir a passagem de navios? Entenda: O que fazia e do que era capaz o drone americano de R$ 1 bilhão que desapareceu no Estreito de Ormuz Reunidos em Paris, o presidente Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o chanceler alemão Friedrich Merz e a premiê italiana Giorgia Meloni defenderam a “reabertura total, imediata e incondicional” da via marítima, essencial para o comércio global de petróleo. Cerca de 50 países participaram das discussões, presencialmente ou por videoconferência, incluindo nações europeias, asiáticas, do Oriente Médio e da América Latina. A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni (4ª à esquerda), o primeiro-ministro britânico Keir Starmer (ao centro), o presidente francês Emmanuel Macron (ao centro) e o chanceler alemão Friedrich Merz (6º à direita) participam de uma cúpula internacional sobre os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz no Palácio do Eliseu, em Paris Michel Euler / AFP A iniciativa, articulada por Paris e Londres, prevê garantir a liberdade de navegação e apoiar operações de desminagem na região, após o Irã anunciar que o estreito voltou a ser navegável durante a trégua. Ainda não está claro, no entanto, se o anúncio se refere ao cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã — previsto para durar até 22 de abril — ou à trégua de 10 dias entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Missão avança, mas impasse político persiste Apesar do consenso sobre a necessidade de atuação, o papel de Washington segue sendo o principal ponto de divergência. Enquanto a Alemanha defende a inclusão dos EUA, a França insiste que apenas países “não beligerantes” integrem a missão. ‘Piratas de Ormuz’: Com memes e IA, humor vira arma de guerra viralizada de embaixadas do Irã para zombar e ironizar Trump Os Estados Unidos, assim como Irã e Israel, não foram convidados para o encontro por serem partes diretamente envolvidas no conflito. Ainda assim, Macron afirmou que uma eventual operação contará com “coordenação” com Washington e Tel Aviv, além de diálogo com armadores e seguradoras. O presidente francês também tem mantido contato com autoridades americanas e levou essa posição ao governo iraniano. As divergências refletem ainda críticas anteriores do presidente dos EUA, Donald Trump, aos europeus, que ele acusou de não ajudar Washington no confronto com o Irã. O republicano também já propôs a cobrança de pedágios para navios no estreito, medida rejeitada pela França. Trump celebrou o anúncio iraniano em publicação na Truth Social, mas indicou que manterá o bloqueio aos portos do país e rejeitou o apoio da Otan para garantir a segurança na região. “Agora que a situação no Estreito de Ormuz foi resolvida, recebi uma ligação da Otan perguntando se precisaríamos de ajuda. Eu disse que ficassem de fora, a menos que queiram apenas carregar seus navios de petróleo”, afirmou. A proposta europeia foi descrita por Londres como “estritamente de natureza defensiva” e deve ser implementada “assim que as condições permitirem”, segundo comunicado do governo britânico. Mais de dez países já se ofereceram para “contribuir” com a missão, que será liderada por França e Reino Unido assim que houver condições no terreno. A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz divulgaram uma declaração conjunta após uma cúpula internacional sobre os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz no Palácio do Eliseu, em Paris AFP A Itália também indicou que está pronta para participar, mas ressaltou que a operação depende de “um cessar das hostilidades, em coordenação com todos os atores regionais e internacionais”. Identificação 'zombie' ou aleatória: Movimentos em Ormuz sugerem táticas de camuflagem de navios para escapar de bloqueio dos EUA Merz, por sua vez, afirmou a jornalistas em Berlim que qualquer participação alemã dependerá de um mandato internacional, preferencialmente da ONU, além de aprovação do governo e do Parlamento. — Ainda estamos longe de um cenário assim — disse. Antes da reunião, ele também reconheceu divergências entre os países sobre o papel dos EUA e afirmou que o tema ainda será discutido. Segurança energética e riscos globais O bloqueio do estreito — imposto após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel — gerou preocupação entre europeus, diante do risco de alta nos preços de energia, inflação, escassez de alimentos e impactos no transporte aéreo. A reabertura anunciada por Teerã ajudou a aliviar os mercados de petróleo, mas permanece condicionada à manutenção do cessar-fogo. Segundo Trump, o Irã já iniciou a remoção de minas no estreito “com a ajuda dos Estados Unidos”. A França já deslocou meios militares para a região, incluindo fragatas, um porta-aviões, aeronaves e sistemas de defesa aérea. A Alemanha avalia contribuir com embarcações de desminagem ou reconhecimento, mas dificilmente enviará fragatas, devido a compromissos com a Otan em outras regiões. Guga Chacra: O impacto do bloqueio de Trump ao bloqueio do Irã a Ormuz O Palácio do Eliseu definiu como prioridades da missão a desminagem do estreito, a garantia de que não haja cobrança de pedágios para a passagem de navios e a proteção das regras internacionais de liberdade de navegação. Uma nova reunião para tratar do planejamento militar está prevista para a próxima semana, em Londres, quando devem ser apresentados mais detalhes sobre a composição da missão. O formato da iniciativa lembra a chamada “coalizão dos dispostos”, utilizada para coordenar ações militares em outros conflitos recentes.

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