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Corte francesa ratifica condenação de Christophe Ruggia por abuso sexual contra Adele Haenel | Collector
Corte francesa ratifica condenação de Christophe Ruggia por abuso sexual contra Adele Haenel
Jornal O Globo

Corte francesa ratifica condenação de Christophe Ruggia por abuso sexual contra Adele Haenel

A Justiça francesa condenou nesta sexta-feira (17), em apelação, o diretor de cinema Christophe Ruggia por abusar sexualmente da atriz Adèle Haenel entre seus 12 e 14 anos, em um caso emblemático do #MeToo na França. #Metoo francês: entenda por que cinema do país vive onda de denúncias de violência sexual e mea culpa da mídia Leia ainda: Cineasta francês Benoît Jacquot é indiciado pelo estupro de duas atrizes O tribunal de apelação de Paris impôs ao cineasta, de 61 anos, uma pena de cinco anos de prisão - um a mais que em primeira instância -, mas permitiu que ele cumpra apenas dois, em domicílio, com tornozeleira eletrônica. "Foi um processo judicial bastante difícil (...) Penso em todas essas crianças e todas essas mulheres [vítimas de agressões sexuais]. Quero dizer a elas que não estão sozinhas", declarou, emocionada, a atriz de 37 anos à imprensa. A atriz francesa Adele Haenel na saída da corte, em Paris, no julgamento que condenou o diretor Christophe Ruggia por abuso AFP/Anne-Christine Poujoulat Em 2019, Haenel acusou o diretor de submetê-la a um "assédio sexual constante" desde os 12 anos, incluindo "beijos forçados no pescoço" e apalpadas, no início dos anos 2000. O cineasta nega. Ruggia a dirigiu em "Os Diabos", lançado em 2002, que trata de uma relação incestuosa entre um menino e sua irmã autista. O filme contém cenas de sexo entre crianças e primeiros planos do corpo nu de Haenel. Judith Godrèche: atriz que deu início ao #MeToo francês, apresenta em Cannes curta sobre violência sexual no cinema Entre 2001 e 2004, a adolescente visitou Ruggia em sua casa quase todos os sábados. A atriz o acusou de inventar desculpas para, durante esses encontros, acariciar suas coxas e tocar seus órgãos genitais e seus seios. "Se eu tivesse feito o que ela me acusa de ter feito (...) nunca teria conseguido me olhar no espelho e teria parado de vê-la imediatamente. Isso nunca aconteceu", garantiu Ruggia durante o julgamento em apelação. Haenel, que acabou abandonando o cinema apesar de ter ganhado dois César - a principal premiação do cinema francês -, foi a primeira atriz de destaque a acusar a indústria de complacência com predadores sexuais. "Tenho vergonha de estar marcada a esse ponto. Gostaria que isso não tivesse acontecido, gostaria de poder simplesmente dizer que isso não existe", confessou a vítima perante o tribunal. Esse caso faz parte de uma série de revelações que abalaram a indústria do cinema.

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