Jornal O Globo
Uma lenda do basquete brasileiro passou da vida para a história nesta sexta-feira. O ex-ala Oscar Schmidt, o "Mão Santa", morreu aos 68 anos em São Paulo. Ele foi encaminhado à unidade após passar mal por um problema de saúde não divulgado, mas não resistiu. Oscar já vinha com a saúde debilitada nos últimos anos (nos últimos anos, vinha enfrentando um câncer persistente no cérebro), e esteve ausente em homenagem de introdução ao Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no último dia 8. Para além da dimensão do basquete brasileiro, Oscar Schmidt é ícone do basquete mundial. Até 2024, era o maior pontuador da história da modalidade, com 49.737 em 1.615 jogos. Só foi superado por LeBron James, outra lenda do esporte. O apelido de "Mão Santa" veio da precisão dos arremessos de longa distância, exaustivamente treinados pelo jogador. Potiguar de Natal, Oscar deixou de lado as aspirações pelo futebol na infância e passou por Palmeiras, Sírio, América, JuveCaserta-ITA, Pavia-ITA, Forum Valladolid-ESP, Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo — pelo qual se aposentou aos 45 anos. Ao longo da carreira, conquistou três títulos de Campeonato Brasileiro (Sírio, Palmeiras e Corinthians), além de um título mundial de clubes pelo Sírio e diversos estaduais. Ainda foi dirigente do projeto Telemar/Rio de Janeiro, campeão brasileiro de 2005. O título mais marcante da carreira foi a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis (Estados Unidos). Na ocasião, marcou 46 pontos numa final histórica contra os Estados Unidos e ajudou na vitória brasileira por 120 a 115. Os americanos tinham nomes jovens que se tornariam talentos da NBA nos anos seguintes, como o pivô David Robinson. Outro momento definidor na lenda do brasileiro foi em 1984, quando Oscar foi selecionado para atuar na NBA pelo New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets). Foi a 131ª escolha do Draft daquele ano. O jogador optou por não atuar na liga americana, uma vez que teria que abrir mão seleção brasileira (por regras da época) e não teria um grande contrato garantido nos Estados Unidos. Escolheu seguir no basquete europeu — três anos depois, viria o histórico Pan. Em 1978, ele já havia chamado a atenção da Universidade de Michigan State e poderia até ter atuado ao lado de Magic Johnson no universitário americano. A dedicação à seleção brasileira foi parte importante da carreira do jogador. Pela equipe nacional, disputou cinco Olimpíadas: Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996. Até hoje, é o maior cestinha da competição: 1.093 pontos. O ala foi o ícone de uma segunda metade de século XX da seleção brasileira, que havia deixado para trás gerações campeãs mundiais em 1959 e 1963, Oscar atravessou gerações e atuou ao lado de nomes como Marcel, Israel, Marquinhos Abdalla, Maury, Rolando Ferreira e Pipoka. Colecionou medalhas: além do ouro do Pan de 1987, foi bronze mundial nas Filipinas (1978), bronze no Pan de San Juan-1979, dois ouros na atual AmeriCup (1984 e 1988), além de tricampeão (1977, 1983 e 1985) e duas vezes prata (1979 e 1981) no Sul-Americano. Foram 7.693 em 326 jogos pela seleção brasileira. Individualmente, chegou aos Halls da Fama da Fiba e da NBA, mesmo sem nunca ter atuado na liga americana. Em 2017, os Nets fizeram homenagem ao brasileiro e o entregaram uma camisa personalizada com o número 14, o que mais utilizou na carreira.
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