Jornal O Globo
A degradação do tradicional Clube Federal do Rio de Janeiro, no Alto Leblon, ganhou repercussão nesta semana, após Bernardo Egas, secretário municipal de Administração, divulgar um vídeo nas redes sociais denunciando as condições estruturais do local. Sócio do clube, Egas pretende ingressar na Justiça para garantir a realização imediata de eleições internas. Feira indígena gratuita ocupa o Parque Lage neste fim de semana Após abordagem violenta a artesã em Ipanema, Câmara do Rio vota projeto que reconhece ambulantes da orla como patrimônio imaterial Egas reclama da ausência de processos eleitorais ao longo de aproximadamente três décadas e do cenário de deterioração da estrutura. — Não é razoável o clube ficar 30 anos sem eleições. O clube está totalmente abandonado; então, também estou na luta para tentar salvá-lo — afirma. De acordo com o secretário, que tem 40 anos e frequenta o clube desde os 8, o Federal, que já teve cerca de quatro mil sócios hoje tem cerca de 80. Ele conta que ali aprendeu a jogar tênis, participou de suas primeiras partidas de futebol e nadava em dias de calor intenso. Grandes bailes de carnaval e outras festas concorridas também estão na sua lembrança: — Desejaria compartilhar com meus filhos um pouco do que tive na infância, mas não é possível. Os bailes acabaram, e as instalações estão destruídas. O parquinho não existe mais e o mato é alto; não sei se pode ter um animal que vá machucar as crianças. É uma pena. Initial plugin text O caso foi levado por ele ao deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB), que discute a criação de uma frente voltada à preservação de clubes sociais no Rio. Segundo o parlamentar, está em andamento um mapeamento desses espaços na cidade. "Não vamos nos omitir diante desse quadro de desmonte. Vamos atuar nesse e em outros casos. Os clubes são muito importantes para nossa cidade, desempenham um papel fundamental e merecem toda atenção e cuidado", comentou Queiroz no post de Egas sobre o Federal. Falta de conservação Galerias Relacionadas Localizado na Rua Timóteo da Costa, o Clube Federal do Rio de Janeiro ocupa uma área de aproximadamente 12 mil metros quadrados, com vista para a Praia do Leblon, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor. Fundado na década de 1970, o espaço hoje apresenta uma série de problema estruturais. Quadras esportivas têm rachaduras em suas extensões, e a iluminação é deficitária. Em diversos pontos da sede, há acúmulo de lixo e entulho, além de danos em paredes e portões — alguns já desabaram. A academia de musculação deixou de funcionar, e o restaurante está fechado há mais de três anos, enquanto os banheiros não dispõem de itens básicos. A área da piscina também apresenta sinais de deterioração. Sem eleições e na Justiça Paralelamente à degradação física, o clube enfrenta uma crise institucional prolongada. Segundo associados, não há registros de eleições regulares desde 1994, quando Alexandre Euclydes Pinaud foi eleito. Segundo associados, após sua morte, no fim dos anos 1990, a administração passou a ser conduzida pelo mesmo grupo familiar, atualmente comandado por Karla Pinaud. Os sócios relatam falta de transparência na gestão, afirmando não ter acesso à composição da diretoria nem a informações administrativas ou financeiras. Neste cenário, um grupo acionou o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) em 2024 para restabelecer eleições. Em ação que tramita na 11ª Vara Cível da Capital, houve decisão favorável em primeira instância determinando a realização do pleito. Nos autos, consta que Karla Pinaud sustentou que haveria uma liminar em vigor desde 1998 impedindo novas eleições no clube, mas a juíza Lindalva Soares Silva afirma que a decisão não pode justificar a falta de pleito por tanto tempo. O processo está paralisado desde novembro de 2025, mas o grupo tem expectativa de que o julgamento seja ainda no primeiro semestre deste ano. Paralelamente, uma outra ação judicial, do mesmo ano, busca obrigar a atual administração a apresentar a lista atualizada de associados, considerada essencial para a convocação de assembleia. De acordo com o grupo, a última relação disponibilizada tinha grande número de sócios já falecidos. Apesar desta situação, o clube ainda mantém a cobrança de mensalidade de R$ 1.007. Associados afirmam desconhecer os critérios para o valor e dizem que não houve aprovação em assembleia, como prevê o estatuto. Neste ano, novas taxas também foram instituídas sem deliberação coletiva, incluindo cobrança para convidados na tradicional pelada de sábado e aumento nas tarifas de uso de áreas comuns. Enquanto isso, o passivo financeiro do clube também chama a atenção: a dívida ativa gira em torno de R$ 6,4 milhões. Procurada, Karla Pinaud não se pronunciou até o momento. Initial plugin text
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