Jornal O Globo
As investigações da Polícia Federal (PF) que levaram à prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apontam que parte da suposta propina no caso envolvendo o banco Master teria sido paga por meio de imóveis de altíssimo padrão em São Paulo e Brasília. Ao todo, seis prédios foram citados pela corporação como parte do esquema: Heritage, Arbórea, One Sixty e Casa Lafer, na capital paulista, além de Ennius Muniz e Valle dos Ipês, em Brasília. Investigação: Ex-presidente do BRB preso pela PF atuava como 'mandatário' de Vorcaro em negociação com Master 'Ferrari dos prédios': Imóvel de ex-presidente do BRB fica em edifício que reúne mais caros do Brasil; veja imagens Os empreendimentos têm em comum o alto padrão, localização privilegiada e estruturas voltadas a um público de altíssima renda. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação, destaca que a PF tratou a aquisição de imóveis, avaliados ao todo em R$ 146,5 milhões, como propina. Heritage Localizado no Itaim Bibi, um dos bairros mais valorizados da capital paulista, o Heritage é um empreendimento de luxo com design assinado pelo estúdio italiano Pininfarina, conhecido mundialmente por projetos para a Ferrari. O edifício é composto por torre única, com um apartamento por andar e vista 360 graus da cidade. Apartamentos do Heritage, em São Paulo Divulgação As unidades têm cerca de 570 metros quadrados, com quatro suítes e até seis vagas de garagem. O condomínio oferece estrutura completa de lazer, incluindo quadra de tênis, piscinas coberta e descoberta, além de áreas comuns projetadas por nomes renomados da arquitetura e do design. O projeto combina estética internacional com acabamentos de alto padrão. Piscina do condomínio Heritage, em São Paulo Divulgação Arbórea Também no Itaim Bibi e próximo ao Parque do Povo, o Arbórea aposta na integração entre arquitetura contemporânea e elementos naturais. O empreendimento conta com unidades amplas, que variam de 472 a mais de 1.000 metros quadrados, com quatro ou cinco suítes. Piscina do Arbórea Divulgação O condomínio oferece uma infraestrutura extensa, com spa, academia, quadras de tênis e beach tennis, além de áreas de convivência e jardins planejados. Com apenas uma unidade por andar, o projeto privilegia privacidade e exclusividade em uma das regiões mais cobiçadas da cidade. Lobby do Arbórea, prédio com um dos apartamentos oferecidos como propina pelo Master Divulgação One Sixty Situado na Vila Olímpia, outro polo nobre da capital paulista, o One Sixty reúne apartamentos de alto padrão com projetos assinados pelo Yoo Studio e acabamentos sofisticados. Algumas unidades contam com pé-direito duplo, adega, varanda gourmet e até cinema privativo. Salão de festas do One Sixty Divulgação Com cerca de 300 metros quadrados nas unidades residenciais, o empreendimento oferece ainda áreas comuns completas, incluindo piscinas, academia, spa e espaços para eventos. A região conta com rica oferta de restaurantes, supermercados e serviços, com espaços dedicados para animais de estimação, brinquedotecas, salão de festa e piscina com borda infinita. Fachada do condomínio One Sixty Divulgação Casa Lafer Próximo ao Parque do Povo e ao Clube Pinheiros, o Casa Lafer está em uma das áreas mais valorizadas do Itaim Bibi. O empreendimento tem poucas unidades, cerca de 19, prezando pela exclusividade dos proprietários, com apenas um apartamento por andar. Casa Lafer Divulgação As plantas variam entre 424 e 792 metros quadrados, com quatro suítes e até nove vagas de garagem. O prédio conta com lobby de pé-direito elevado, piscina climatizada, spa, academia e áreas de convivência sofisticadas. Vista dos apartamento da Casa Lafer Divulgação Ennius Muniz Localizado no Setor Noroeste, área nobre e planejada de Brasília, o Ennius Muniz reúne apartamentos espaçosos com quatro suítes e cerca de 290 metros quadrados. O empreendimento tem vista para o Parque Burle Marx, com integração com áreas verdes. Sala no condomínio Ennius Muniz Divulgação O condomínio inclui espaços como coworking, academia, piscina, sauna e wine bar, além de áreas voltadas para convivência e lazer. O projeto busca unir "conforto urbano e qualidade de vida", como pontua a construtora responsável, em uma das regiões mais valorizadas da capital federal. Fachada do condomínio Ennius Muniz Divulgação Valle dos Ipês No Jardim Botânico de Brasília, a cerca de cinco minutos da Ponte JK, o Valle dos Ipês faz parte de um bairro planejado voltado à integração com a natureza. O empreendimento é composto por seis torres, com unidades que variam de 147 a mais de 800 metros quadrados, incluindo apartamentos, coberturas e casas. Valle dos Ipês Divulgação Com forte apelo voltado ao discurso de sustentabilidade, o projeto inclui soluções como reuso de água, iluminação eficiente e integração com áreas de preservação ambiental. As áreas comuns contam com piscina de borda infinita, spa, mirantes e espaços ao ar livre. Fachada do Vale dos Ipês Divulgação Negociação A negociação, segundo a investigação, teria sido feita pessoalmente por Vorcaro, que buscava um comprador de carteiras fraudulentas do Master e tentava salvar o banco, posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC). Costa comandou a compra de carteiras de crédito da instituição, avaliadas em R$ 12,2 bilhões e formada por ativos problemáticos, o que resultou em prejuízo ao BRB. Ele também estava à frente da tentativa fracassada de compra do Master por R$ 2 bilhões. A operação acabou rejeitada pelo BC. Já Monteiro, apontado como o principal operador jurídico e financeiro de Vorcaro, era responsável, segundo os investigadores, pela administração de fundos e contas utilizados pelo banqueiro para desviar recursos e pagar propina a autoridades. O inquérito aponta que fundos da gestora Reag — citada como parte do ecossistema ligado ao Master e alvo da Operação Carbono Oculto, que mirou lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) — foram usados por Vorcaro para viabilizar compras de imóveis. O acordo foi interrompido, de acordo com o inquérito, porque Vorcaro descobriu que estava sendo investigado. Ele teria, então, ordenado que o advogado Daniel Monteiro, “travasse tudo e não realizasse mais nenhum pagamento e nem prosseguisse com a formalização registral das transações então acordadas com Paulo Henrique”. A defesa de Costa, representada por Cléber Lopes, afirmou que a prisão é “desnecessária”. O advogado viu “exagero” e indicou que não há mudança, por ora, na estratégia da representação ao cliente: — A defesa continua firme na convicção que Paulo Henrique Costa não praticou crime nenhum. Já a defesa de Monteiro informou, em nota, que “sua atuação sempre se deu de forma estritamente técnica, na condição de advogado do Banco Master e de diversos outros clientes, sem qualquer participação em atividades alheias ao exercício profissional”. Os advogados do próprio Vorcaro não se manifestaram.
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