Vogue Brasil
O Rio Fashion Week mal chegou à metade e já tem um tema recorrente nas passarelas: o bordado. A Salinas foi a primeira a deixar isso claro. Depois de dez anos fora do calendário oficial, a marca carioca voltou com uma coleção construída a partir da fauna brasileira, bem-te-vi, arara e guará em cristais bordados, crochê ou formando tops e saias. Os acessórios de Victor Hugo Mattos aprofundaram o trabalho artesanal, e os pássaros em crochê saíram das mãos das Artesãs dos Pássaros do Caparaó. Agnes Nunes cantou MPB ao vivo enquanto as peças passavam. Salinas | RioFW 2026 Launchmetrics Spotlight A Aluf usou o bordado de outra forma. Ana Luisa Fernandes reinterpretou a risca de giz em ponto, colocou pérolas como textura acumulada dentro de uma coleção que também tinha crochê, franjas e drapeados. Hisha | RioFW 2026 Launchmetrics Spotlight A Hisha fechou o argumento. A marca de Giovanna Resende, de São João del-Rei, trouxe uma coleção toda bordada com canutilhos, paetês e metais sobre peças de caimento fluido, com transparências, fendas e decotes. A referência é o barroco da cidade natal da estilista, mas há novidades: couro bordado, volumes mais estruturados, experimentos no masculino. Por trás das peças, 200 bordadeiras mineiras que dedicam horas, às vezes dias, a cada criação. Hisha | RioFW 2026 Launchmetrics Spotlight O bordado apareceu nas últimas temporadas internacionais também. Em Milão, o outono 2026 consolidou o trabalho manual como símbolo de excelência artesanal, a Dolce & Gabbana bordou cristais em conjuntos de pijama, a Chanel desfilou organzas trabalhadas em Paris. Mas o bordado brasileiro tem uma história específica que as passarelas europeias não alcançam. A técnica chegou ao Brasil com os colonizadores e se ramificou em cada região: o richelieu nordestino, o rococó mineiro, o filé do Nordeste. Cada estilo carrega o território de onde veio.
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