Collector
Justiça determina internação de adolescente por estupro coletivo em Copacabana | Collector
Justiça determina internação de adolescente por estupro coletivo em Copacabana
Jornal O Globo

Justiça determina internação de adolescente por estupro coletivo em Copacabana

A Justiça do Rio determinou nesta sexta-feira a internação do adolescente apreendido em março por participação em um estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio. À época, ele havia sido encaminhado ao Degase e aguardava transferência. Agora, em sentença, a Vara da Infância e da Juventude da Capital concluiu que o jovem teve papel ativo no crime, descrito como uma “emboscada” contra a vítima, de 17 anos, com quem mantinha um relacionamento. Estupro coletivo em Copacabana: veja a linha do tempo com os principais fatos sobre o crime e a investigação Sessenta minutos de violência: relatório da polícia mostra como adolescente foi atraída para apartamento em Copacabana e estuprada A decisão, assinada pela juíza Vanessa Cavalieri, estabelece a aplicação de medida socioeducativa de internação, sem possibilidade de atividades externas por um período inicial de seis meses. Ao fundamentar a sentença, a magistrada destacou a gravidade da conduta e a violência empregada, além de apontar falhas na rede familiar do adolescente em "impor limites adequados". Segundo ela, o jovem participou do planejamento do encontro que resultou no estupro coletivo, ocorrido em um apartamento em Copacabana. Outros quatro homens adultos também são investigados por envolvimento no crime. Um dos pontos centrais da sentença foi a valorização do depoimento da vítima. A juíza ressaltou que, em casos de violência sexual — geralmente cometidos sem testemunhas —, a palavra da vítima assume especial relevância. No processo, o relato da adolescente foi considerado coerente e detalhado, além de ter sido corroborado por exames de corpo de delito que indicaram agressões físicas, como socos e chutes desferidos pelo grupo, inclusive pelo próprio adolescente. Para embasar a decisão, a magistrada aplicou o Protocolo para Julgamento sob Perspectiva de Gênero, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O instrumento orienta que o Judiciário considere as desigualdades estruturais e as relações de poder em casos de violência contra mulheres. Na sentença, a juíza destacou que atribuir peso qualificado ao depoimento da vítima não desequilibra o processo, mas busca assegurar igualdade material diante das dificuldades de prova em crimes dessa natureza. A Justiça também informou que tomou medidas para "evitar a revitimização da jovem". Foi realizado um único depoimento especial, compartilhado entre a Vara da Infância e da Juventude e a Vara Criminal responsável pelo processo dos maiores de idade. A iniciativa permitiu que a vítima prestasse relato apenas uma vez, garantindo maior proteção e reduzindo o impacto emocional durante a tramitação dos casos. IO_06-03_linha-tempo-estupro Sessenta minutos de violência Entre 19h24 e 20h42 do dia 31 de janeiro, câmeras de segurança registraram a entrada e a saída de quatro homens, um adolescente e a vítima em um prédio na Rua Ministro Viveiros de Castro. O que ocorreu no sexto andar foi reconstituído a partir do depoimento da jovem e dos elementos reunidos pela 12ª DP. Segundo o inquérito, a adolescente foi convidada para o apartamento por um jovem de 17 anos, com quem já havia tido um relacionamento. Ela foi sozinha. No elevador, ouviu dele a sugestão de que fariam “algo diferente”. No imóvel — pertencente à família de Vitor Hugo e alugado por temporada — já estavam os outros integrantes do grupo. A jovem relatou que, após ir para um quarto com o adolescente, os demais passaram a invadir o cômodo. Inicialmente, observaram e fizeram comentários. Depois, segundo o depoimento, começaram os toques sem consentimento. Mesmo após protestos, os quatro maiores de idade retornaram ao quarto e, de acordo com o relato, a situação evoluiu para cerca de uma hora de violência sexual e agressões físicas. A saída de Bruno Felipe, Vitor Hugo e Mattheus Veríssimo, acusados de estupro coletivo, de prédio em Copacabana Reprodução Ela afirmou ter sido puxada pelos cabelos, agredida com tapas, chutes e socos e impedida de sair quando tentou deixar o local. Disse que continuou sendo violentada mesmo após pedir que parassem. Ao sair do prédio, por volta das 20h25, enviou um áudio ao irmão dizendo que “achava que tinha sido estuprada”. Em casa, contou o ocorrido à avó, que a levou à delegacia naquela noite. O exame de corpo de delito apontou múltiplas lesões — equimoses e escoriações no dorso e nas laterais do corpo, marcas na região glútea e sangramento na genitália — compatíveis com violência física recente. Initial plugin text

Go to News Site