Jornal O Globo
O comando central militar do Irã anunciou este sábado que retomará a "gestão rigorosa" do Estreito de Ormuz, revertendo uma decisão anterior de desbloquear essa via estratégica como parte das negociações com os Estados Unidos. Em um comunicado divulgado pela televisão estatal, o quartel-general assinalou que Washington havia descumprido uma promessa ao manter seu bloqueio a navios que navegam de e para portos iranianos. Contexto: Trump diz que Israel concorda com com cessar-fogo de 10 dias no Líbano Mediação dos EUA e restrições a Hezbollah: Veja quais são os principais pontos de cessar-fogo de Israel no Líbano Enquanto os Estados Unidos não restaurarem a liberdade de movimento para todas as embarcações que visitem o Irã, "a situação no Estreito de Ormuz continuará a ser estritamente controlada", indicou o comando militar em seu comunicado. A reabertura do estreito tranquilizou os mercados na sexta-feira, e impulsionou o otimismo em Washington. O Irã permitiu a retomada do trânsito pela passagem marítima após a confirmação da trégua entre Líbano e Israel. Em uma conversa telefônica com a AFP nesta sexta-feira, o presidente Donald Trump assegurou que não havia "pontos conflitivos" para concluir um acordo de paz. Ademais, disse que o Irã havia concordado em entregar seu urânio enriquecido, uma questão-chave das negociações. O Irã, no entanto, disse que o seu urânio enriquecido não será levado a lugar nenhum. Também advertiu que, se os navios de guerra americanos interceptarem embarcações procedentes de portos iranianos, poderia fechar novamente o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto da produção global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL). "Se o bloqueio continuar, o Estreito de Ormuz não vai permanecer aberto", escreveu o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X. Além disso, assinalou que o trânsito por essa via marítima dependeria de autorização da República Islâmica. Trégua sob pressão A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e drones no Golfo e o fechamento desse estreito estratégico para o transporte de hidrocarbonetos. O cessar-fogo no Líbano e a reabertura do estreito tinham marcado um avanço claro no acordo que Washington busca para acabar com sua guerra contra o Irã, depois que Teerã insistiu que os enfrentamentos no Líbano fossem incluídos na negociação. Trump disse que Washington "proibiu" Israel de continuar com seus ataques. "É suficiente", disse, e acrescentou que os Estados Unidos vão trabalhar com o Líbano "para lidar" com o Hezbollah. Mesmo assim, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ressaltou que a ofensiva contra o Hezbollah não havia terminado. "Ainda há coisas que planejamos fazer a respeito das ameaças dos foguetes e drones" do movimento libanês, disse Netanyahu em uma mensagem gravada.
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