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Evento cria pista a céu aberto no Solar do Jambeiro, em Niterói
Jornal O Globo

Evento cria pista a céu aberto no Solar do Jambeiro, em Niterói

Depois de ganhar tração nas redes e lotar o jardim do Solar do Jambeiro em sua segunda edição, quando recebeu o coletivo de DJs Tropicals, o evento Música Pra Dançar na Moral chega à terceira edição neste domingo (19), das 13h às 20h30, no espaço cultural do Ingá. A entrada é solidária, com a doação de um quilo de alimento não perecível. A proposta é que o encontro aconteça regularmente, sempre no terceiro domingo de cada mês, consolidando uma nova opção de lazer cultural ao ar livre na cidade. Confira os participantes: Comida di Buteco movimenta bares de Niterói Orla de Niterói ganha estátua de Leila Diniz: 'Profundamente simbólico', diz filha Idealizado pelos DJs João Pinaud e Chänce da Silva, o projeto nasceu de um encontro improvável e de uma inquietação dos artistas, que era a falta de eventos dançantes com curadoria mais autoral em Niterói. — Sempre tivemos que sair da cidade para viver esse tipo de experiência. O Chänce é um DJ veterano, que já fez eventos em Curitiba, fez a festa Onda no Rio e é muito bem relacionado em São Paulo. Do nada ele voltou para o Rio e me disse que estava morando aqui em Niterói. Aí começou a surgir a ideia de fazermos algo juntos. A proposta do Música Pra Dançar na Moral é justamente juntar quem está a fim de fazer algo legal, ocupando um espaço público como o Solar, com feira, produtores locais, comida e música. A primeira edição já mostrou essa demanda, e a segunda realmente estourou. Existia essa lacuna na cultura de Niterói — diz o niteroiense Pinaud. A parceria com a Fundação de Arte de Niterói viabilizou a ocupação de um dos espaços mais simbólicos da cidade. Construído no início do século XIX, o Solar do Jambeiro é um exemplar da arquitetura residencial urbana da época. Com seus painéis de azulejos decorativos, é tombado pelo Iphan e funciona como centro cultural. Durante o evento, a dinâmica do espaço se transforma. Os DJs ocupam a varanda do casarão, enquanto o público se distribui pelo jardim, criando uma pista a céu aberto. A última edição do Música Pra Dançar na Moral recebeu DJs do coletivo Tropicals, sucesso em eventos do Rio Divulgação/Guilherme Vespa O formato diurno e ao ar livre ajuda a explicar o alcance do evento. Ao longo das edições, o público passou a reunir desde frequentadores da cena eletrônica até famílias com crianças, além de pessoas que normalmente não frequentariam festas noturnas. — É um rolé para curtir o dia, estar junto, sem essa coisa de idade. Você pode ir com amigos, com a família, com filho. As pessoas se misturam, sem julgamento. É quase um espaço fora do tempo, em que todo mundo se sente à vontade para dançar — afirma Pinaud. Além da música, o evento incorpora uma feira com livros, discos, moda e gastronomia, reunindo produtores locais e pequenos empreendedores. A ideia é ampliar a experiência para além da pista e fortalecer a economia criativa da cidade. Na parte musical, a curadoria é tratada como o principal eixo do projeto. Em vez de repertórios mais previsíveis, os sets apostam em pesquisa e mistura de referências, com uma progressão que acompanha o horário do evento, começando de forma mais suave e ganhando intensidade ao longo da tarde e da noite. — É uma mistura que tem a irreverência da disco e do house, atitude do rock e o swing funk soul da black music. Tem também vocal pop, brasilidades, psicodelia. É um conjunto de referências que dialogam entre si e fazem sentido na pista — explica Chänce da Silva. Segundo ele, a ideia não é atender um nicho, mas criar um espaço de encontro. — A ideia é a música e a dança como um ponto de interseção, onde várias gerações, identidades e repertórios se encontram. A gente cria um ambiente em que todo mundo pode estar junto, com respeito, ocupando um espaço público de forma positiva — diz. Essa construção também se reflete nas escolhas do line-up, que busca equilibrar nomes de fora com a valorização da cena local, além de ampliar a diversidade de artistas. — A gente se preocupa em trazer representatividade, com mulheres, artistas negros e diferentes origens, e também em fortalecer quem já está produzindo aqui. É uma troca constante — afirma Chänce. Para esta edição, o line-up reúne nomes de diferentes trajetórias, como Eric Duncan, referência da cena underground internacional; Cris Panttoja, que conecta música brasileira e ancestralidade; e Guga Roselli, além dos anfitriões. Preservação do espaço O crescimento do público também trouxe novos desafios. Para preservar o espaço, a organização passou a adotar medidas como a restrição à entrada de objetos de vidro e a orientação sobre o descarte correto de resíduos, além de sinalizações para proteger o jardim. — A gente tem essa preocupação com o espaço, que é um patrimônio público. Criar um ambiente legal passa por respeitar o lugar e as pessoas. É uma construção coletiva. É uma realização poder fazer isso aqui, depois de tantos anos tocando fora. É sobre construir algo para a cidade, com a cidade — finaliza Pinaud. Initial plugin text

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