Jornal O Globo
Uma vacina administrada durante a gravidez, que protege os recém-nascidos contra a bronquiolite está reduzindo as internações hospitalares de bebês em mais de 80%, afirmam autoridades de saúde do Reino Unido. A infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de hospitalização infantil em todo o mundo, e a infecção na primeira infância está associada a potenciais efeitos a longo prazo, incluindo sibilância ou asma recorrentes, internações hospitalares repetidas e comprometimento da saúde pulmonar. A explicação da psicologia para quem só chega atrasado e por que também pode ser um sinal de boa saúde A fadiga que nasce da inatividade Na Inglaterra, um programa nacional de vacinação materna contra o VSR foi introduzido em 1º de setembro de 2024, oferecendo a vacina a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Para avaliar o impacto desse programa nas hospitalizações de bebês devido a infecções respiratórias baixas associadas ao VSR, pesquisadores da Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) analisaram dados de 289.399 bebês nascidos entre 2 de setembro de 2024 e 24 de março de 2025, representando cerca de 90% dos nascimentos na Inglaterra durante esse período. Em toda a população estudada, foram registradas 4.594 hospitalizações associadas ao VSR. Embora os bebês nascidos de mães não vacinadas representassem 55% da coorte total, eles foram responsáveis por 87,2% das hospitalizações. Por outro lado, os bebês cujas mães foram vacinadas pelo menos 14 dias antes do parto apresentaram um risco significativamente menor de hospitalização, com eficácia da vacina estimada em 81,3%, em comparação com o grupo não vacinado. "Como o maior estudo realizado até o momento a examinar o impacto desta vacina na hospitalização infantil, essas descobertas fornecem evidências robustas de que a vacinação oferece proteção substancial contra doenças graves em bebês pequenos.", diz autor principal e epidemiologista da UKHSA, Matt Wilson. "Descobrimos uma relação clara entre o momento da vacinação e a proteção, com a eficácia aumentando à medida que o intervalo entre a vacinação e o parto se prolonga, chegando perto de 85% quando a vacinação ocorre pelo menos quatro semanas antes do parto." Embora normalmente sejam necessárias pelo menos duas semanas para uma proteção ideal, os bebês nascidos de 10 a 13 dias após a vacinação apresentaram cerca de 50% menos internações hospitalares em comparação com aqueles cujas mães não foram vacinadas, enquanto nenhuma redução foi observada quando a vacinação ocorreu menos de 10 dias antes do nascimento. "Isso reforça a importância da vacinação o mais cedo possível dentro do período recomendado, ao mesmo tempo que demonstra que, mesmo quando administrada mais tarde na gravidez, alguma proteção ainda é possível a partir de cerca de 10 dias antes do nascimento, embora a vacinação mais precoce continue sendo preferível.", diz o especialista. O estudo também investigou os resultados em bebês prematuros. A eficácia da vacina foi estimada em 69,4% em bebês prematuros, considerando um intervalo de pelo menos 14 dias entre a vacinação e o nascimento. "Essas descobertas são particularmente importantes para bebês prematuros, que estão entre os mais vulneráveis à infecção grave pelo VSR", acrescentou Wilson. "Com tempo suficiente entre a vacinação e o nascimento, observamos bons níveis de proteção nesses bebês." Administrar a vacina no início do terceiro trimestre, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde, poderia proteger a maioria dos bebês prematuros.
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