Jornal O Globo
Menos de um mês após a nomeação de Tadeu Alencar no Ministério do Empreendedorismo, o governo deve trocar novamente o titular da pasta após um pedido do presidente do PSB, João Campos. O favorito para assumir é o advogado Paulo Pereira, atualmente segundo secretário da sigla. Integrantes do partido dão a troca como certa e dizem que ela vai ocorrer em breve. Aliança eleitoral: PT confirma apoio à candidatura de João Campos para o governo de Pernambuco Escalação: saiba quem são os novos ministros de Lula após reforma que troca quase metade da Esplanada A nomeação de Alencar como ministro é atribuída a uma confusão ocorrida após a saída do ex-governador Márcio França (PSB), que pretende disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. Embora Alencar fosse seu secretário-executivo, o segundo cargo mais importante, o ex-titular sugeriu que o então secretário nacional de Ambiente de Negócios, Maurício Juvenal, assumisse em seu lugar, mas não obteve apoio da cúpula do PSB. Em meio ao impasse, João Campos apresentou o nome de Pereira, seu braço-direito na direção do partido. O movimento teve o aval de França, uma vez que o advogado também é de São Paulo e transita bem entre as alas paulista e pernambucana da legenda. Antes de oficializar o nome a Lula, João Campos chegou a consultar Alencar sobre a possibilidade de ele permanecer na secretaria-executiva da pasta. Recebeu sinalização positiva. A escolha então foi comunicada à Secretaria de Relações Institucionais, mas a cúpula do PSB foi surpreendida com a nomeação de Tadeu em 3 de abril, durante o feriado da Sexta-Feira Santa. A confusão é atribuída a uma regra definida pelo próprio Lula no início do ano, de que as pastas onde não houvesse outro nome iriam ser assumidas pelos respectivos secretários-executivos, com o objetivo de dar continuidade aos trabalhos que vinham sendo tocados. Diante da confusão, Campos e o vice-governador Geraldo Alckmin entraram em campo para tentar contornar um início de crise no partido. O ex-prefeito de Recife, pré-candidato ao governo de Pernambuco se reuniu com Lula, em 10 de abril, para reafirmar sua indicação. O encontro aconteceu em São Paulo, onde o presidente cumpria agenda. Ao mesmo tempo, o PSB também passou a costurar uma solução interna para contemplar Alencar. Uma das possibilidades em discussão é que ele assuma uma cadeira na Câmara. O atual ministro é suplente de deputado. Para isso, o deputado Felipe Carreras (PSB-PE) deve se licenciar para assumir a coordenação da campanha de João Campos ao governo de Pernambuco, enquanto Gonzaga Patriota (PSB-PE) deve ser convidado para ocupar um cargo em Recife. O clima no partido azedou na sexta-feira, após Alencar demitir, sem comunicação prévia, o aliado de França, Maurício Juvenal, da Secretaria Nacional de Ambiente de Negócios. Procurado, Alencar não comentou. Tomás Alencar, filho de Tadeu Alencar, é casado com Eduarda Campos, irmã de João Campos, mas o presidente da sigla tem uma relação de maior proximidade política com Pereira. De perfil discreto, o advogado se tornou nos, últimos meses, um dos principais articuladores para reforçar os quadros do partido. Ele participou ativamente das negociações para que se concretizassem as filiações da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet e do senador Rodrigo Pacheco ao partido. No atual governo, Pereira foi secretário nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, durante a gestão de Ricardo Lewandowski, além de secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão.
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