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As conjecturas climáticas de Victor Hanson
Revista Oeste

As conjecturas climáticas de Victor Hanson

Recentemente, não pude deixar de assistir a sugestão do jornalista independente do Zero Hedge , Tyler Durden quando citou um excelente vídeo do professor Victor Davis Hanson para o The Daily Signal , um site norte-americano de jornalismo conservador. Na ocasião, Hanson apresentou um ensaio de seu pensamento, trazendo evidências do que nomeou como o “fim das mudanças climáticas”, demonstrando que o assunto reza muito mais uma cartilha de interesses políticos partidários do que um problema natural real, absorvido e sustentado por ciência tortuosa. Victor Davis Hanson é um renomeado historiador norte-americano de perfil conservador, conhecido por seus diversos livros das áreas da história militar e de guerra, história das atividades agrárias, além dos clássicos, envolvendo historiadores e filósofos gregos, tese de seu doutoramento que abordou guerra e agricultura na Grécia Clássica. Hanson, mesmo depois de seu doutorado, continuou a exercer a sua atividade inicial de agricultor . Além de livros, foi professor e atualmente escreve colunas em jornais e revistas. Em 2007 foi agraciado com a Medalha Nacional de Humanidades, honraria concedida pelo governo dos EUA às pessoas que se destacam na compreensão pela área de Humanas, ampliando o entendimento dos cidadãos com a História, Filosofia, Línguas e afins. Professor Hanson iniciou dizendo o quanto a maior parte de sua vida, praticamente a metade dela, tomada pelos últimos 35 anos, foi inundada pela ortodoxia das “mudanças climáticas”, onde o discurso dominante afirmava que nós deveríamos mudar radicalmente nossa economia e acabar com o uso de combustíveis oriundos de petróleo em prol das energias renováveis, sendo basicamente de matrizes eólica e solar. Ele mesmo confessou que achava que nunca veria o fim disto ainda em vida. + Leia mais notícias do Mundo em Oeste Então, de onde viria o marco que criaria um ponto de reversão? Hanson alegou que foi uma revolução tecnológica, que envolve o aprimoramento e a robustez da inteligência artificial (IA) . Seu crescimento requer uma quantidade colossal de energia elétrica, da qual não está disponível sem sobrecarregar os sistemas existentes ou simplesmente desligando-os de outras atividades, como as fabris ou de consumo humano. Ele relatou que inicialmente o Ocidente teria que construir pelo menos cem usinas de um gigawatt de potência cada por ano, ou seja, do porte de um grande reator nuclear (esse tipo pode variar entre 1,0GW a 1,5GW) ou o equivalente em carvão “limpo” ou gás natural. Insanidade Isso demonstra a insanidade da corrida tecnológica em que os países se envolveram para alcançar uma supremacia global. Ela excede facilmente qualquer corrida armamentista pretérita, pois atualmente temos 439 reatores nucleares em operação no mundo, distribuídos em 30 países, com capacidade instalada total de 398,154 gw, liderados pelos EUA, com 94 unidades operacionais. Em junho de 2025, tínhamos 61 novos reatores em construção, sendo que 28 deles eram chineses, seguidos pela Índia, com mais seis plantas (dados consolidados de maio de 2025 da Associação Nuclear Mundial e novembro de 2025 da Agência Internacional de Energia, podendo haver alguma variação conforme data de apuração). Hanson lembrou que, antes, a narrativa era sobre “aquecimento global”, mas depois de 1998, quando muitas séries pararam de supostamente subir e até diminuíram, o discurso passou a vigorar como “mudança climática” condenando as emissões humanas por qualquer alteração “extrema” da temperatura, seja para cima ou para baixo. Tudo isso mostrou o quão descoordenada se apresentou a hipótese que descrevia uma causa com uma consequência, mas não para qualquer resultado. Mais ainda, ressaltou quanto essa culpa recaía especificamente aos países ocidentais. https://www.youtube.com/watch?v=otelj0r9DF0 O planeta tem 4 bilhões de anos e nós temos, no máximo, 150 anos de registros de temperaturas mal distribuídas geograficamente. Dentro desse curto tempo, “observamos mudanças cíclicas entre as décadas onde as temperaturas estiveram tanto altas, como baixas, até mesmo antes da revolução industrial”, comentou o historiador. Ele lembrou os métodos de tomada de dados como os obtidos pela dendroclimatologia (anéis de árvores) e testemunhos de gelo em poços perfurados (Ártico e Antártico) que mantinham “certo debate” do contraditório (não no Brasil ), mas mesmo assim, observava que o discurso era homogêneo. O plano em que tínhamos que “mudar radicalmente a nossa economia e abandonar os combustíveis ‘fósseis’ em favor das renováveis predominou”. Os pronunciamentos recentes de figuras como o rei da Suécia, Gustaf XVI, forte ativista ambiental-climático (como várias das cabeças coroadas da Europa que adoram palpitar nos governos dos países do terceiro mundo, quase todas suas ex-colônias) e Bill Gates foram lembrados pelo professor. Ambos acabaram questionando publicamente a suposta crise climática, pois claramente viram que os custos de energia estão atingindo patamares assustadores. Gustaf alegou que não entendia o que motivava tamanho esforço representado em contas altíssimas de energia se a Europa era responsável por apenas 6% de todas as emissões (o Brasil, nem 1%!). Crise por causa das "mudanças climáticas"? Já Gates deixou de acreditar que haja “uma crise iminente de mudanças climáticas” por outro motivo. Sua reversão ao tema surgiu quando observou que as políticas energéticas do presidente Donald Trump estão acabando com os subsídios de projetos elétricos ecológicos fracassados, como o trem de alta velocidade da Califórnia, que deveria retirar os carros de circulação, custando de US$ 15 bi a US$ 20 bilhões, mas que até hoje não tem um trilho sequer, ou o encerramento da usina solar no deserto do mesmo Estado, ou ainda pior, as duas ocorrências de incêndios no sistema de armazenamento de baterias em Moss Landing, destacou o professor Hanson. Quando Gates descobriu que não conseguirá concluir seu sonho de IA sem energia firme, barata e abundante, então, resolveu abandonar o barco, pois não pretende gastar fábulas de seu dinheiro apenas em geração inconstante de eletricidade “verde”. A hipocrisia dessa gente que se destaca pelos holofotes do mundo está em toda parte, como observou o prof. Hanson. “As pessoas que foram os porta-vozes da mudança climática nunca sofrem as consequências de sua própria ideologia.". Acabou por citar duas figuras de peso da estupidez climática, como o ex-presidente dos EUA Barack Obama e John Kerry, ex-assessor especial sobre mudanças climáticas do governo de Joe Biden. “Barack Obama disse que o planeta seria inundado muito em breve, se não enfrentássemos a mudança climática global. Então, por que ele compraria uma propriedade à beira-mar em Martha's Vineyard (ilha na costa nordeste de Massachusetts, EUA)?", indagou Hansou. "Por que ele escolheria uma vinícola ou uma propriedade na praia do Havaí se ele realmente acreditasse que os oceanos subiriam e inundariam seu investimento multimilionário?” https://www.youtube.com/watch?v=Gbpi7m_-H44 No caso de Kerry, além de ocupar um cargo completamente inútil que, no Brasil de outras épocas, seria classificado como “aspone”, Hanson recordou o quanto esse “ex-assessor especial” viajou pelo mundo em jato particular para proferir seu discurso hipócrita sobre redução de emissões e “benefícios ao clima”, quando ele próprio emitiu mais de mil vezes o que um norte-americano normal emitiria ao usar voos comerciais. Claro que ainda temos o fator geoestratégico, onde três pontos de peso se apresentam. O primeiro é a produção de petróleo. O professor citou que até mesmo Joe Biden, no seu último ano, justamente o eleitoral, aumentou a produção dos EUA para 13 milhões de barris por ano, fazendo o mesmo que Obama, na época da crise do petróleo de 2014. Trump já excedeu, passando para 14 milhões. Isto derrubaria os preços internacionais, desfavorecendo a Rússia e o Irã que estariam se beneficiando de valores mais altos para segurarem suas economias, ao mesmo tempo em que barateariam o GLP para o Japão e Europa, seus aliados. Claro que isto ainda pode mudar com o confronto EUA x Irã que elevou os preços, tornando-se a incógnita mais variável dos três pontos abordados pelo professor Hanson. Sem energia alternativa O segundo tem a ver com as próprias indústrias de energia alternativa. A China está inundando os mercados com produção subsidiada de turbinas eólicas e painéis solares com preços baixos para falir a concorrência internacional, viciando os mercados em seus produtos, enquanto ela mesma constrói de duas a três usinas a carvão ou nucleares por mês (na primeira década de 2000, ela inaugurava uma usina a carvão por semana!). Isto lhe dará uma vantagem competitiva sobre o ocidente, sem falar na dependência que terão, ressaltou o professor. Essa vantagem recai sobre o terceiro ponto geoestratégico que é a evolução da IA. Ela se tornou realmente uma questão de domínio da hegemonia global, talvez superior a qualquer outra corrida anteriormente vista na história. De fato, o que tem segurado o seu monstruoso avanço (e aqui, não é apenas figura de expressão) são os limites operacionais dados pelo sistema elétrico de cada região interessada pelo planeta, porque enquanto sua codificação e formação de ingramas (muitos adicionados propositadamente por humanos e não “pensados” pela máquina) crescem de forma virtualmente ilimitada, as necessidades energéticas não acompanham na mesma progressão, sendo então, o maior gargalo da atualidade. Aqui vale a pena fazer um comentário extra, pois já ouvimos o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, citando o nosso país vizinho, o Paraguai, como um excelente possível candidato a sediar data centers para IA dos EUA, devido ao seu baixo custo de geração de energia elétrica firme. O que ninguém aqui neste hospício chamado Brasil se atentou é que se o Paraguai requisitar sua proporção energética total de geração de Itaipu para atender as demandas de IA para os EUA, o Brasil estará arruinado, tendo em vista que a usina representa cerca de 8 a 9% do consumo brasileiro, comprando entre 35 a 45% da cota do Paraguai! https://www.youtube.com/watch?v=HvwVtaabN6k O professor não se esqueceu de comentar os países do terceiro mundo, os quais incluem o Brasil com grande peso. Boa parte deles apresenta governos de viés político de esquerda, o que explica muita coisa. Nos últimos 20 anos, têm acusado os países ricos de serem os causadores do “aquecimento global”, admitindo que a hipótese da “estufa” seja verdadeira, mas esquecendo-se propositadamente que a China e a Índia emitem quantidades colossais de CO 2 . Os governos da América Latina, África e Ásia dizem que os países ricos lhes devem dinheiro porque iniciaram a Revolução Industrial, em meados do século 19, criando sociedades altamente desenvolvidas e prósperas com o petróleo e carvão. Então, como chegaram atrasados, não deveriam se submeter aos custos de pagar o “conserto do clima”. Contudo, o professor lembrou que foram os países ricos que criaram as indústrias e ainda continuam a fazê-lo, fornecendo os avanços tecnológicos e produtos de alta tecnologia, enquanto os países subdesenvolvidos simplesmente os consomem, não produzindo nada, exceto commodities . Aqui discordo um pouco do professor, pois se trata de correr atrás do próprio rabo. Financiamento de países ricos ocorre para que os pobres comprem produtos “sustentáveis” oferecidos por eles por meio dos mecanismos de desenvolvimento limpo. Assim, além de nos enfiarem produtos “verdes” caros e ruins por aceitarmos as pressões ambientais-climáticas, ainda passamos a arcar com fabulosas dívidas. Falta de "vergonha na cara" Claro que, por outro lado, o professor tem razão, pois nós aqui deveríamos ter “vergonha na cara” e começarmos a desenvolver as nossas tecnologias e os nossos parques industriais, como foi no início dos anos de 1970, mas o problema no Brasil é outro. Os políticos fizeram questão de colocarem seus nomes no " Livro do Entreguismo, Submissão e Atraso ". Esse é o país onde o Estado vê o empreendedorismo como crime e as pessoas honestas, que querem desenvolver a indústria, produção e comércio, são tratadas como bandidas. Isto significa que eles não têm nenhuma justificativa para acusar os países ricos de qualquer coisa quando cooperam para a ruína econômica de sua própria nação. “As inconsistências da narrativa do aquecimento global, o interesse próprio das pessoas que o promovem e a lógica da qual não apresentaram empiricamente qualquer evidência que nos convença de que devemos transformar radicalmente as nossas economias, permitiram apoiar a necessária mudança de paradigma exigida pela nova demanda do avanço de IA”, concluiu o professor Hanson. De fato, essas inconsistências sempre estiveram lá (e como falamos sobre isto há mais de 20 anos). O que mudou foi a necessidade neste tempo atual em que vivemos, portanto, agora elas serão usadas, mas não serão para todos. Infelizmente, não partilho das mesmas visões otimistas do professor Hanson para o Brasil. Nosso país continua preso em um anacronismo gigante, onde figuras arcaicas de um discurso ambiental fracassado de 40 anos atrás e que pararam no tempo estão nos poleiros do poder. Ademais, nossas leis foram projetadas para criarem âncoras antidesenvolvimento, onde qualquer passo tem peso de toneladas. Os agentes de esquerda dominam todos os setores da sociedade, mas o que mais assusta é a concordância da direita nestas questões. Veja só como agiram as casas legislativas federais quando o assunto dos créditos de carbono e outras falácias climáticas foram “discutidos”. Na verdade, deu para contar em apenas uma das mãos o número de deputados e senadores que repudiaram veementemente o embuste ambiental-climático. Isto é altamente preocupante, pois, como sempre alerto, a receita é sempre a mesma: os poderosos internacionais criam; exigem que todos entrem nas suas arapucas; eles ganham muito dinheiro e mais poder; mas depois eles saem e o ranço fica para os países incautos que, por meio de marionetes estrategicamente colocadas no poder, nos aprisionam permanentemente, ou até que seja formada a nova arapuca. O post As conjecturas climáticas de Victor Hanson apareceu primeiro em Revista Oeste .

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