Collector
Walcyr Carrasco já nos fisgou com Quem Ama Cuida | Collector
Walcyr Carrasco já nos fisgou com Quem Ama Cuida
Jornal de Brasília

Walcyr Carrasco já nos fisgou com Quem Ama Cuida

Eu vou falar sem pose, porque não tenho paciência para fingir frieza diante de chamada boa. A Globo soltou as primeiras cenas de Quem Ama Cuida em 17 de abril e, em poucos minutos, deixou muito claro que quer fazer novelão das nove com letra maiúscula. A trama nasce de uma enchente em São Paulo, joga Adriana, personagem de Letícia Colin, no fundo do poço, cruza seu caminho com Arthur Brandão, vivido por Antonio Fagundes, e dali puxa amizade, conflito familiar, amor impossível, mistério, vingança e um assassinato que muda tudo. Isso não é pouca coisa, meu amor. Isso é folhetim sabendo exatamente o que quer ser.  E aí entra o ponto que mais me interessa. Novela, antes de qualquer truque de algoritmo, continua sendo a arte de contar uma boa história com clareza, emoção e tamanho. Quem Ama Cuida já apareceu se assumindo como “folhetim clássico”, com direção artística de Amora Mautner e uma narrativa de perdas, segredos e revelações. Quando a TV acerta essa mão, o público volta para o sofá não por obrigação, mas por desejo. Numa era viciada em microdrama, vídeo de quinze segundos e dramaturgia feita para estourar dopamina e sumir da cabeça logo depois, ver uma novela das nove apostar em construção, atmosfera e personagem é quase um alívio espiritual com trilha de abertura.  Walcyr Carrasco sabe onde aperta o coração popular e, pelo que a Globo mostrou, ele voltou decidido a lembrar isso ao país. A história central tem uma cuidadora que entra na casa de um empresário do ramo de joias, encontra uma família corroída por dinheiro, vive um casamento inesperado e cai no centro de um crime. No meio desse tabuleiro, Isabel Teixeira aparece como Pilar, a irmã do magnata, já apresentada como a grande vilã da trama. E eu digo com alegria jornalística, a vilã deliciosa está de volta, graças a Deus e aos autores que ainda entendem que novela sem antagonista forte é jantar sem sal.  Também ajuda, e muito, o elenco parecer uma pequena convenção de gente que sabe atuar. Além de Letícia Colin, Antonio Fagundes, Tony Ramos e Isabel Teixeira, a Globo já confirmou nomes como Chay Suede, Alexandre Borges, Flávia Alessandra, Mariana Ximenes, Dan Stulbach, Deborah Evelyn, Tatá Werneck, Agatha Moreira, Belize Pombal, Isabela Garcia e Breno Ferreira. E a chamada ainda foi esperta ao vender imagem grande, família em guerra e cenas de enchente com cara de capítulo histórico. Quando uma novela consegue, já no primeiro material, fazer o público entender o conflito, sentir o perigo e escolher para quem vai torcer, metade do caminho está andado. A outra metade é sustentar o fôlego no ar. Mas, pelo começo, maio está vindo com cara de reencontro do Brasil com o prazer de ver novela de verdade. E isso, convenhamos, já é um baita acontecimento. A Globo resolveu abrir o cofre e apostar alto no horário nobre. Em maio, estreia “Quem Ama Cuida”, de Walcyr Carrasco, novela que já nasce com cara de produto premium e com ambição de ser a melhor das nove dos últimos cinco anos.

Go to News Site