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Papa Leão XIV: Pontífice faz apelo por esperança em missa para 100 mil pessoas em Angola | Collector
Papa Leão XIV: Pontífice faz apelo por esperança em missa para 100 mil pessoas em Angola
Jornal O Globo

Papa Leão XIV: Pontífice faz apelo por esperança em missa para 100 mil pessoas em Angola

O papa Leão XIV fez neste domingo um chamado à "esperança" em uma missa campal diante de 100 mil pessoas em Kilamba, perto de Luanda, a capital de Angola. Análise: Disputa de Trump com o Papa Leão XIV aprofunda divisões na direita americana Papa Leão XIV: Pontífice lamenta que suas falas tenham sido interpretadas como um debate com Trump Em sua homilia, o pontífice convidou os católicos a "olhar o futuro com esperança" na primeira missa do pontífice em Angola, celebrada em Kilamba, a cerca de 30 quilômetros de Luanda. "Podemos e queremos construir um país onde as velhas divisões fiquem definitivamente superadas, onde o ódio e a violência desapareçam, onde o flagelo da corrupção seja curado por uma nova cultura de justiça e de partilha", disse diante de cerca de 100 mil pessoas, segundo o Vaticano, que citou autoridades locais. Papa Leão XIV em Santa Missa em Kilamba, no sétimo dia de uma viagem apostólica de 11 dias à África Alberto Pizzoli/ AFP Após sua chegada a Angola, a terceira etapa de uma turnê africana de 11 dias, o sumo pontífice criticou os "sofrimentos" e as "catástrofes sociais e ambientais" geradas pela "lógica de exploração" dos recursos do país, rico em petróleo e minerais. Vice de Trump: Papa Leão XIV deve ter 'cuidado ao falar de teologia' Foi uma intervenção que colocou em evidência o estilo mais firme que o papa adotou desde o início de sua turnê, poucos dias depois de ter sido duramente criticado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Uma verdadeira maré humana se reuniu em Kilamba, a cerca de trinta quilômetros de Luanda, para a missa ao ar livre. Muitos dormiram ali mesmo, no chão, vestidos com camisetas com a efígie do papa americano ou exibindo bandeiras amarelas e brancas do Vaticano. Fiéis católicos dormindo em barracas em Kalimba, onde o Papa Leão XIV celebrou missa neste domingo AFP No país, "a riqueza está concentrada nas mãos de uma minoria muito pequena e, é claro, a guerra que conhecemos (1975-2002) não fez mais do que agravar a situação", declarou à AFP o sacerdote angolano Pedro Chingandu, que chegou cedo ao local. "Precisamos de uma verdadeira democracia, uma redistribuição da riqueza e justiça", acrescentou. Esperança e reconciliação Patricio Musanga, de 32 anos, natural de Kinshasa, usava um boné branco com a efígie de Leão XIV na cabeça e esperava "uma mensagem de esperança para a juventude", mas também de "reconciliação nacional", "paz" e "interculturalidade". Para este congolês naturalizado angolano, que vive em Luanda há 10 anos, tal mensagem "pode servir realmente para toda a África, porque praticamente em todos os países os problemas são os mesmos", começando pela "falta de emprego" entre os jovens. Depois de João Paulo II (1978-2005) em 1992 e Bento XVI (2005-2013) em 2009, Leão XIV é o terceiro pontífice a visitar este país, antiga colônia portuguesa que se independentizou em 1975. O papa tem previsão de se deslocar de helicóptero ao santuário mariano de Muxima, pequena cidade situada a cerca de 130 km da capital, transformada no grande centro do catolicismo na África Austral. Empoleirada às margens do rio Kwanza, que deu nome à moeda nacional, a igreja de Nossa Senhora de Muxima atrai cerca de dois milhões de peregrinos por ano. Esses fiéis viajam para ver uma estátua da Virgem Maria, chamada carinhosamente de Mama Muxima, que, segundo a lenda, teria aparecido naquele local. "Muxima representa, para o povo angolano, um ponto central para o enraizamento da devoção popular a Nossa Senhora da Imaculada Conceição", explica à AFP o advogado católico Domingos das Neves. Trata-se de um dos santuários marianos mais antigos da África subsaariana, precisou. Os colonos portugueses de Angola construíram essa igreja em 1599, erguendo também uma fortaleza em uma colina que domina o rio, que deságua no oceano Atlântico perto de Luanda. Segundo os responsáveis religiosos, seu objetivo era batizar os escravos antes de sua travessia do Atlântico rumo às Américas. Desigualdades Cerca de um terço da população angolana vive abaixo do limiar internacional de pobreza, fixado em 2,15 dólares diários, segundo o Banco Mundial. "O papa vem a Angola plenamente consciente da realidade que nosso país enfrenta, em particular no que diz respeito às profundas assimetrias sociais e desigualdades, que também derivam de uma distribuição desigual da riqueza", afirmou das Neves. Angola foi palco, em julho de 2025, de três dias de manifestações, acompanhadas de saques, contra o alto custo de vida. Cerca de trinta pessoas morreram e centenas foram detidas, e as organizações de direitos humanos denunciaram o uso desproporcional da força por parte das autoridades. Segundo analistas, esses distúrbios refletem o descontentamento em relação ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência de Portugal em 1975. O MPLA venceu as últimas eleições, em 2022, com 51% dos votos. Os próximos pleitos estão previstos para 2027.

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