Jornal O Globo
O Estado do Mato Grosso do Sul recebeu as primeiras 20 mil unidades de um total de 46,5 mil doses da vacina contra a chikungunya, que serão entregues até o final de abril pelo Ministério da Saúde. O imunizante, primeiro do mundo destinado à doença, foi desenvolvido pela farmacêutica franco-austríaca Valneva em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, e aprovado pela Anvisa no Brasil em abril do ano passado. 'Eu não queria matá-lo, mas algo me dizia para matá-lo': O relato de um jovem com psicose que atacou o pai (e como o amor foi maior) Tendência do Tiktok: Treinar 15 minutos em casa realmente emagrece? Por enquanto, a vacinação está sendo implementada em caráter piloto pelo Programa Nacional de Imunização com doses doadas pelas fabricantes. São selecionadas áreas prioritárias, e a imunização é oferecida a pessoas de 18 a 59 anos. A incorporação de fato no Sistema Único de Saúde (SUS), para que a vacina seja ofertada em todo o país, ainda está em avaliação. Como parte desse projeto piloto, foram selecionados os municípios de Mirassol, em São Paulo; Lagarto, Simão Dias e Barra dos Coqueiros, em Sergipe; Maracanaú e Maranguape, no Ceará, e Sete Lagoas, Sabará, Congonhas e Santa Luzia, em Minas Gerais. Porém, devido a um surto da doença no Mato Grosso do Sul, a pasta incluiu duas cidades no estado para o recebimento da vacina. Das 46,5 mil unidades, 43,5 mil serão enviadas para Dourados, e outras 3 mil para a cidade vizinha de Itaporã. A vacinação está prevista para começar no dia 27 de abril. A meta é alcançar 27,69% e 21,2% do público-alvo nos dois municípios, respectivamente. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso do Sul (SES-MS), por se tratar de um imunizante de vírus vivo atenuado, há restrições em quem poderá receber o imunizante, como gestantes, puérperas, pessoas imunocomprometidas ou com doenças crônicas descompensadas, além de indivíduos com histórico de reação alérgica grave a componentes da fórmula. Surto de chikungunya em Dourados Segundo o último informe Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Dourados, divulgado na sexta-feira, já são 4.919 casos prováveis de chikungunya na cidade, dos quais 1.858 foram confirmados. A taxa de positividade, ou seja, o percentual de testes que tem resultado positivo entre todos os realizados, é de 64,9%. Além disso, sete pessoas morreram pela doença, todos moradores da Reserva Indígena de Dourados, região que concentra a maior parte dos casos. — O cenário é muito preocupante. É uma cidade que não teve uma circulação importante de chikungunya nos anos anteriores e agora está tendo uma grande epidemia. A taxa é de 620 casos por 100 mil habitantes, o que é acima do limiar epidêmico de 300 por 100 mil habitantes estabelecido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). E isso se intensifica nas aldeias, onde a taxa está muito maior. Mas a tendência é que a epidemia se espalhe pela cidade. Ainda estamos em abril, mês em que há bastante transmissão. A partir de maio, esperamos uma queda — diz Julio Croda, médico infectologista da Fiocruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). O especialista afirma ainda que a chikungunya já vinha circulando de forma importante no estado, com alguns surtos localizados em cidades menores. No começo do ano, por exemplo, o município de Fátima do Sul, que fica a menos de 50 km de Dourados, teve uma grande epidemia pela doença. Segundo Croda, há pelo menos 12 cidades sul-mato-grossenses com disseminação ativa do vírus, e a expectativa é que o patógeno continue circulando no estado e novas epidemias ocorram no próximo verão, também em outros municípios.
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