Jornal O Globo
Pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado defendeu publicamente que o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, ocupe a vaga de vice em sua chapa. Durante agenda em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, na noite deste domingo (19), Caiado afirmou que o “cenário ideal” inclui o aliado na disputa. — Era perfeito, completo em tudo. Maior articulador. Já tenho o seu apoio. Pode ter certeza, isso daí fecharia com chave de ouro — afirmou. Caiado se filiou ao PSD no início do ano, após perceber que não conseguiria ser pré-candidato ao Palanalto pelo União Brasil. Disputou entao internamente o posto com o governador do Paraná, Ratinho Junior, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Nos bastidores, Kassab demonstrou preferência por Ratinho, mas a desistência do paranaense alterou o cenário e o goiano foi ungido pelo dirigente. Como mostrou O GLOBO, Ratinho Jr. decidiu não sair candidato após avaliar riscos ao seu futuro político no Paraná. A decisão também evitou um embate direto com o pré-candidato do PL ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (RJ). O movimento ocorreu poucos dias após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro articular o apoio da sigla ao senador Sergio Moro na disputa pella sucessão de Ratinho Jr. Moro deve enfrentar o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), apontado como candidato do grupo político de Ratinho, na disputa pelo governo do Para. De 'cafetão' a possível companheiro de chapa Com caminho livre no partido, Caiado também afirmou neste domingo que as negociações para a formação da chapa continuam em curso. Segundo ele, a prioridade neste momento é a elaboração de seu plano de governo, que deve ser concluído até a convenção do PSD, prevista para julho. Apesar da aproximação atual, Caiado e Kassab já estiveram em lados opostos. Em 2015, o então senador pelo DEM fez duras críticas ao dirigente do PSD, à época ministro das Cidades de Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, Caiado acusou Kassab de cooptar parlamentares e o chamou de “cafetão do Palácio do Planalto”, afirmando que ele tratava os deputados como “garotas de programa” para "fortalecer sua base política". Kassab não respondeu à declaração do candidato sobre uma eventual chapa puro-sangue ao Planalto, mas o líder, como mostrou O GLOBO, busca caminhos para retomar seu protagonismo político em São Paulo e no âmbito nacional. Buscou assegurar a vice na chapa à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de olho em sair na frente para o Palácio dos Bandeirantes em 2030, mas o movimento foi frustrado após divergências internas. O episódio mais recente de atrito envolveu o então aliado e ex-tucano Felício Ramuth, que resistiu a abrir mão da vice-governadoria e saiu do PSD para se filiar ao MDB e seguir ao lado de Tarcísio na chapa majoritária estadual. Diante do impasse, Kassab sugeriu sua saída do partido, mantendo, no entanto, o apoio à eventual reeleição de Tarcísio. Sem espaço no núcleo duro da campanha paulista, Kassab não deve se envolver diretamente na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, segundo aliados.
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