Revista Oeste
A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, afirmou que a magistratura brasileira pode caminhar para um “regime de escravidão” depois da imposição de limites a benefícios salariais pagos à categoria. A declaração foi feita durante sessão da Corte, depois de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que extinguiu 15 vantagens, manteve oito verbas indenizatórias e determinou que esses valores não ultrapassem 35% do subsídio, respeitando o teto do funcionalismo, hoje em R$ 46.366,19. Desembargadora: mais de R$ 200 mil em 3 meses Em março, a magistrada recebeu R$ 91 mil líquidos. Ao longo do primeiro trimestre, somou R$ 216 mil em salários. Integrante da 3ª Turma de Direito Penal, ela foi promovida a desembargadora em julho de 2020, depois de 35 anos de carreira. https://twitter.com/JOSFFOLIVEIRA/status/2046300422630191340?s=20 Durante a sessão, Eva do Amaral criticou a forma como, segundo ela, a magistratura tem sido retratada. “Os juízes estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos, pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada”. Leia também: “A suprema cegueira” , artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 318 da Revista Oeste Em outro trecho, declarou que, “daqui a pouco”, magistrados — inclusive desembargadores — estarão “no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”. A desembargadora também reagiu ao uso do termo “penduricalhos” para designar benefícios. Segundo ela, a expressão é “chula” e “vagabunda” e reforça uma visão equivocada sobre a categoria. A magistrada disse que as mudanças podem afetar a vida financeira dos juízes. “Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos, porque não vão poder pagar consulta”. https://www.youtube.com/watch?v=D_SlKPWvKoo Ela acrescentou que outros estariam interrompendo tratamentos. “Outros estão deixando de tomar remédios, entendeu? Então, a situação que a magistratura vive hoje é essa”. Eva do Amaral também mencionou a retirada de benefícios. “Nós não temos mais direito a auxílio-alimentação, nós não temos direito a receber uma gratificação por direção de fórum, vão ser cortadas, já cortaram”, disse. Logo depois, voltou a comparar o cenário a um “regime de escravidão”. Ao defender a carga de trabalho da magistratura, a desembargadora afirmou que a atuação vai além do expediente nos tribunais. “Sacrificamos o fim de semana”, diz servidora Segundo ela, juízes e desembargadores continuam trabalhando fora do horário regular, inclusive em plantões e fins de semana. “Nós trabalhamos um número enorme de horas extras em casa, sacrificando o fim de semana”. Por fim, a magistrada afirmou que as restrições terão impacto para a sociedade. “A população vai sentir quando ela procurar a Justiça e realmente não tiver. Aí ela vai sentir e vai ver de que lado ela optou”. + Leia mais notícias de Política na Oeste O post Desembargadora diz que fim de penduricalhos vai levar à ‘escravidão’ apareceu primeiro em Revista Oeste .
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