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Acidentes com motociclistas disparam no Rio e pressionam rede pública de saúde Reprodução TV Globo O número de acidentes de trânsito envolvendo motociclistas aumentou no estado do Rio de Janeiro em 2026, com reflexos diretos na rede pública de saúde. Só nos primeiros meses do ano, milhares de atendimentos já foram registrados, enquanto cenas de imprudência seguem frequentes nas ruas e vias expressas da capital. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Flagrantes de desrespeito às leis de trânsito ajudam a explicar o crescimento dos acidentes. Casos como motociclistas pilotando enquanto digitam no celular na Ponte Rio-Niterói são recorrentes. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Situações semelhantes também são vistas no Túnel Santa Bárbara, com circulação irregular e sem equipamentos de segurança, além de outros pontos da cidade, onde condutores avançam sinais, usam o celular ao volante e até trafegam na contramão para cortar caminho, como no acesso ao Túnel Rebouças. Cenas como essas são comuns e têm consequências que vão além do que se vê nas ruas. O impacto chega diretamente aos hospitais. Alta demanda nos hospitais Na ortopedia do Hospital Municipal Miguel Couto, na Zona Sul do Rio, a realidade é de alta demanda. Em pouco mais de meio dia, foram registrados 10 atendimentos na emergência relacionados a acidentes com moto. Desde 1º de janeiro, os casos já passam de mil. A situação é considerada crítica: dos nove leitos de uma das enfermarias, oito estão ocupados por pacientes que sofreram quedas ou colisões com motocicletas. Entre eles está o despachante Alan Pereira, que sofreu um acidente na Páscoa. “Eu sofri um acidente de moto na Páscoa. Foi uma colisão entre a minha moto, que eu estava pilotando, e um carro”, contou. Acidentes com motociclistas disparam no Rio e pressionam rede pública de saúde Reprodução TV Globo A gravidade das ocorrências é recorrente. A desempregada Luana Garcia relata que não se lembra de detalhes do acidente. “Eu não lembro de muita coisa do acidente. Só eu dando de cara com o ônibus. Só lembro disso. Eu quebrei os dois braços, quebrei o fêmur da perna esquerda e o tornozelo da perna esquerda.” Já Jurandir Nakamura Junior descreve um quadro ainda mais grave: “Eu entrei em cheio num caminhão. Aí tive fratura exposta. Estourou tudo, joelho… muito sangue que eu perdi. Eu cheguei aqui em estado desesperador. Meu estado era muito grave. Eu passei pelo vale da morte. Coma de oito dias e só eu sei o que eu passei.” “Duas, e eu tenho pelo menos mais duas pela frente ou três.” O diretor-geral do hospital, Cristiano Chame, afirma que o cenário é preocupante. “Vivemos hoje uma epidemia dos acidentes de moto. É um paciente que muitas vezes vai passar por várias especialidades cirúrgicas. Então, ele vai ser visto por um ortopedista, pelo neurocirurgião, pelo cirurgião geral. Muitas vezes ele vai fazer mais de um procedimento cirúrgico. Então, tem um tempo de internação longo, um pós-operatório difícil. Impacta em tempo de permanência e em gastos para a saúde.” Aumento nos acidentes em 2026 Dados do Corpo de Bombeiros mostram crescimento no número de ocorrências nos quatro primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2025, principalmente na Região Metropolitana. Na cidade do Rio, sete em cada dez atendimentos por trauma envolvem acidentes com motocicletas. De janeiro a abril, a rede municipal de saúde realizou mais de 10 mil atendimentos — quase um terço de todo o volume registrado ao longo do ano passado em pouco mais de três meses. Nesse período, foram contabilizados: 917 atropelamentos 5.001 quedas 10.433 colisões Ao todo, os hospitais municipais já somam 10.141 atendimentos por acidentes de trânsito em 2026, o que representa 70,21% dos casos. Em 2025, foram 32.715 atendimentos, com 69,49% relacionados a esse tipo de ocorrência. Impactos atingem famílias e sistema de saúde As consequências também atingem pacientes e famílias. A jovem Jenifer Daudt, de 26 anos, está internada há dois meses e meio após ser arremessada de uma moto de aplicativo que colidiu com um carro. Ela estava a caminho do estágio e agora aguarda uma cirurgia eletiva no INTO. A mãe, Vânia Daudt, lamenta a situação: “Menina de 26 anos, está aqui perdendo a vida dela. Precisa acabar uma faculdade, último ano, teve várias propostas e está aqui.” Especialistas também chamam atenção para a vulnerabilidade das vítimas. Para Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas, a situação se agravou com o fim do seguro obrigatório. “Hoje, as famílias mais humildes, não só de moto, mas pedestres, ciclistas, todas elas estão desprotegidas, porque hoje sequer têm uma proteção do seguro DPVAT, que era um seguro que, mal ou bem, uma família receberia, se fosse morte ou invalidez permanente, um valor equivalente a um ano, digamos, de salário mínimo.” Outro efeito do aumento dos acidentes é a pressão sobre os bancos de sangue. Um paciente em estado grave pode precisar de pelo menos 10 bolsas, o que exige dez doadores — número que não acompanha o crescimento da demanda. Além disso, os atendimentos a vítimas de trânsito acabam afetando outros pacientes da rede. “Chega uma fratura exposta, ele vai passar à frente de outros procedimentos. E muitas vezes você vai suspender uma cirurgia que estava previamente marcada”, explica Cristiano Chame. O cenário reforça o alerta para a necessidade de mais conscientização e fiscalização no trânsito, diante de um problema que já impacta toda a sociedade.
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