Jornal O Globo
Após o vaivém da reabertura do Estreito de Ormuz no último final de semana, o petróleo voltou a subir nesta segunda-feira, fechando a mais de US$ 95 o barril do Brent, em alta que chegou a passar de 5% ao longo do dia. Investidores seguem cautelosos, à espera de novos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, mas analistas temem que o petróleo continue em nível elevado nas próximas semanas e que isso pressione ainda mais a inflação no Brasil. Dólar abaixo de R$ 5 há 4 dias: já é hora de comprar ou movimento vai continuar? Analistas respondem Entenda: Petróleo dispara após apreensão de navio iraniano e tensão no Estreito de Ormuz As recorrentes altas na commodity já estão tendo impactos nos preços. A última divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) , referente a março, registrou altas acima do previsto, com pressões dos combustíveis e alimentos. A alimentação no domicílio subiu 1,94%, o maior número desde abril de 2022 (2,59%). Caso as tensões entre Estados Unidos e Irã se estendam para as próximas semanas, esses itens podem continuar encarecendo para os consumidores. Analistas do Citigroup ouvidos pela Bloomberg acreditam que o petróleo tipo Brent ainda pode voltar a ultrapassar os US$ 100, chegando a US$ 110 por barril, caso o tráfego em Ormuz permaneça interrompido por mais um mês. "Seguimos preparados para migrar para um cenário de interrupção mais prolongada caso as negociações fracassem", comentaram. Entenda: Investidor estrangeiro chega a fatia recorde na Bolsa, mesmo com guerra no Irã Com isso, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda, revisou para cima suas expectativas para a inflação de 2026, saindo de 4,71% para 4,80%, e se afastando cada vez mais do teto da meta, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Esta já é a sexta semana consecutiva de revisão para cima. O Boletim também revisou para cima suas projeções da taxa básica de juros, a Selic. Na divulgação anterior, os economistas do BC haviam mantido a perspectiva de 12,50% ao ano, mas agora ela subiu para 13%. Analistas acreditam que o cenário pressiona ainda mais o Comitê de Política Monetária (Copom), que já está adotando postura mais cautelosa nos recentes cortes de juros. “A mediana das expectativas para o resultado primário em 2026, 2027 e 2028 segue em terreno negativo (déficit), em contraste com as metas do governo de resultados não negativos, o que evidencia a baixa credibilidade e o fraco poder de ancoragem do arcabouço fiscal”, comentou Alberto Ramos, analista do Goldman Sachs. Initial plugin text Mesmo com as incertezas, o dólar fechou em leve queda de 0,18%, a R$ 4,9741, após oscilar em estabilidade ao longo do dia, chegando ao menor patamar desde 12 de março de 2024, quando encerrou em 4,9747. Analistas acreditam que investidores estão em compasso de espera com relação aos desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã. — Ao invés dos investidores comprarem a ideia de aversão ao risco e catástrofe com relação ao cessar-fogo, e precificarem esse novo fechamento do Estreito, eles estão mais nesse contexto de espera para o que realmente vai acontecer no longo prazo — disse Lucca Bezon, analista da Stonex. Ele acrescentou ainda que o dia foi de menor liquidez também por ser véspera do feriado de Tiradentes no Brasil, o que faz com parte dos bancos comerciais não estejam funcionando. Já o Ibovespa encerrou o dia em leve alta, após pressões no preço do petróleo impulsionarem as ações da Petrobras. O índice da bolsa brasileira subiu 0,20%, aos 196.132 pontos. (Com Bloomberg) Initial plugin text
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