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Dia de Tiradentes: veja por onde passou o mártir da Inconfidência no Rio | Collector
Dia de Tiradentes: veja por onde passou o mártir da Inconfidência no Rio
Jornal O Globo

Dia de Tiradentes: veja por onde passou o mártir da Inconfidência no Rio

A Inconfidência é mineira, e isso ninguém discute. O alferes Joaquim José da Silva Xavier, nascido em 1746, na Fazenda do Pombal, em terras que hoje pertencem à cidade de Ritápolis, também. Mas o fato é que há uma parte crucial da vida de Tiradentes e do movimento por ele liderado que tem o Rio como palco principal. Desde sua primeira visita, já com 30 anos, em 1776, ao território carioca — que ostentava àquela altura o título de capital do vice-reino do Brasil — até o desfecho trágico, na forca, na manhã de 21 de abril de 1792, no Centro, as histórias do homem e da cidade tornaram-se para sempre indissociáveis. Doce balanço a caminho do mundo: Biquínis mais usados nas praias do Rio inspiram tendência no exterior às vésperas do verão europeu Trinta anos após sair de linha, o Fusca é cada vez mais icônico: atrai olhares, coleciona fãs e inspira histórias de amor Para o escritor e jornalista André Luis Mansur, autor, juntamente com Ronaldo Morais, de “Tiradentes Carioca” (Edição do Autor/2017), há uma boa chance de que a primeira parada de Tiradentes no Rio tenha sido no bairro do Campinho, na Zona Norte, onde uma estalagem era ponto de referência para viajantes que chegavam e partiam da capital. “Os que vinham de Minas geralmente faziam uma parada na estalagem, antes do último esforço de viagem para chegar à região central da cidade”, escrevem os autores. RIO_21-04_passos-tiradentes Vaia na ópera A primeira missão de Joaquim José na cidade foi longa. Durou quatro anos, de 1776 a 1779. Ele chegou, já com a patente de alferes (o equivalente ao posto de segundo-tenente na hierarquia militar dos dias de hoje), como integrante da 6ª Companhia do Regimento de Cavalaria Paga da Capitania de Minas Gerais: o Regimento dos Dragões, como era conhecido. O objetivo era reforçar as defesas contra uma suposta invasão espanhola. Que nunca aconteceu, aliás. Thiago Gomide: O sommelier de boteco ataca novamente Tiradentes e seus companheiros de farda instalaram-se na área do antigo Reduto do Leme, parte de um complexo de defesa na Zona Sul carioca que se estendia até o local onde então se iniciava a construção do Forte do Vigia, que mais tarde seria renomeado como Forte do Leme e, desde 1935, é o Forte Duque de Caxias. Forte Duque de Caxias. Na sua primeira viagem ao Rio, em 1776, Tiradentes serviu na área do antigo Forte do Vigia, complexo de defesa da cidade que mais tarde seria rebatizado como Forte do Leme e hoje em dia é o Forte Duque de Caxias Divulgação / Seção de Comunicação Social do Forte Duque de Caxias O período é considerado fundamental para a formação do alferes e ajudou a cimentar de vez a sua relação com a cidade. Passado o período crítico de mobilização e até medo de uma guerra iminente, Tiradentes circulou pelo Rio e fez amizades. — A Inconfidência tem vários personagens importantes no Rio de Janeiro, por isso eu digo que ela é um pouco também carioca. Um pouco não, bastante, inclusive com a participação de comerciantes daqui, de gente talvez ligada à maçonaria — diz Mansur. Nas suas passagens por essas bandas, consta que Joaquim José morou por alguns períodos em imóveis nas ruas do Ouvidor e da Quitanda, por exemplo. Os registros precisos de onde ficavam essas casas, no entanto, perderam-se. Ele teria habitado ainda um sobrado na Rua São Pedro, via que desapareceu quando da abertura da Avenida Presidente Vargas, já na década de 1940. Na sua segunda passagem pelo Rio, mais de dez anos depois da primeira estada, o alferes foi alvo de uma estrondosa vaia no Teatro Casa da Ópera. O motivo: um discurso no qual já iniciava a pregação de seus ideais. — Ele gostava muito de falar em público e acabava se exaltando um pouco nesses encontros falando mal de Portugal e assumindo naturalmente um papel de liderança. Há relatos de que ele às vezes xingava os portugueses — conta Mansur. A presença histórica de Tiradentes pela cidade do Rio À medida que as tensões pela Inconfidência escalavam, a prisão de Tiradentes pela Coroa passou a ser mera questão de tempo. Há versões de que ele, já procurado, teria se escondido na Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, na Rua da Alfândega, mas a versão carece de comprovação. O que se sabe é que foi preso em 10 de maio de 1789, num sobrado na antiga Rua dos Latoeiros, atual Gonçalves Dias, na altura de onde hoje fica uma das entradas da Galeria do Comércio. O caminho para a forca O extinto teatro ficava nas cercanias da antiga Cadeia Velha, um dos pontos mais marcantes da trajetória de Tiradentes no Rio. Foi ali — onde hoje fica o palácio que leva o seu nome, e que tem à frente uma monumental e idealizada estátua em bronze do Mártir da Independência — que o alferes ouviu a sentença de morte na forca após passar cerca de três anos preso na Ilha das Cobras. E foi de lá que saiu em périplo que, segundo consta, durou horas, pelas ruas do Centro até o patíbulo. Alvorada pro Santo Guerreiro: Pela primeira vez, SuperVia terá trens na madrugada para festa de São Jorge na Zona Norte No longo e lento caminho, passa pela atual Rua da Assembleia, pelo Largo da Carioca, e percorre outras vias do Centro. A ideia era que o tempo de exposição do condenado fosse o maior possível. O local exato da execução é incerto, embora haja hipóteses mais aceitas. A tradição aponta a atual Praça Tiradentes, mas estudos indicam uma área próxima, onde hoje funciona a Escola Municipal Tiradentes, no antigo Campo de São Domingos. Antes de receber a pena, ele teve permissão para rezar em frente à Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa. Seu corpo foi levado à antiga Casa do Trem, no local em que hoje fica o Museu Histórico Nacional, onde foi esquartejado, salgado e levado de volta a Minas Gerais em exposição pública, para servir de exemplo a quem ousasse se levantar contra a Coroa. — O destino de Tiradentes está marcado pelo Rio de Janeiro porque é produto da repressão política controlada pelas instituições que tinham sede aqui. E a forca é um ato público de repressão. A forca é pública, expõe o condenado, é feita para isso — reflete Paulo Knauss, professor do Departamento de História da UFF. 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