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Com dificuldade para dormir? Tomar banho no escuro é a tendência de bem-estar que vale experimentar | Collector
Com dificuldade para dormir? Tomar banho no escuro é a tendência de bem-estar que vale experimentar
Vogue Brasil

Com dificuldade para dormir? Tomar banho no escuro é a tendência de bem-estar que vale experimentar

Em algum lugar entre o mocktail da “sleepy girl” e a estimulação do nervo vago, uma nova tendência de bem-estar ganhou espaço e é de uma simplicidade quase desconcertante. Conheça o “banho no escuro”, o ritual minimalista para dormir melhor que está conquistando os mais dedicados rituais noturnos nas redes sociais. Sem suplementos nem assinaturas, essa prática pede menos, menos luz, menos estimulação, e promete aumentar as chances de uma boa noite de sono. A premissa é simples: apague a luz do banheiro antes do banho da noite e deixe a escuridão fazer o resto. O que é o banho no escuro? Diferente do banho matinal, que desperta e energiza, o banho no escuro, ideal entre 60 e 90 minutos antes de dormir, é sobre desacelerar, reduzir a exposição à luz, regular a temperatura corporal e preparar o corpo para o sono. “O banho no escuro é menos uma modinha e mais uma forma elegante de fazer o que tanto a Medicina Tradicional Chinesa quanto a neurociência recomendam à noite: reduzir a estimulação para que o corpo entre em modo de recuperação”, explica Ada Ooi, médica integrativa de medicina chinesa e fundadora da 001 London. “Na MTC, a noite é quando o yang, a energia ativa e expansiva do dia, naturalmente cede espaço ao yin, mais escuro, quieto e recolhido. Um banho quente tomado quase no escuro suaviza os estímulos sensoriais e dá ao shen, ou mente-espírito, a chance de se acalmar.” A ciência aponta na mesma direção. Um estudo com 116 adultos mostrou que a iluminação padrão de ambientes entre o anoitecer e a hora de dormir reduziu os níveis de melatonina no início da noite em cerca de 70% em comparação com luz muito fraca, além de encurtar a duração total da liberação de melatonina em aproximadamente 90 minutos. Os participantes também relataram mais alerta que é sensação pouco útil para quem quer dormir. Some a isso o fato de que o banheiro costuma ser o cômodo mais iluminado da casa: a luz intensa do teto e os espelhos iluminados são ótimos para passar rímel de manhã, mas péssimos à noite. “Do ponto de vista do cérebro, o fator mais importante aqui não é o banho em si, mas a ausência de luz”, explica Jane Ollis, bioquímica médica e fundadora da empresa de neurotecnologia Sona. “A luz que entra pelos olhos vai diretamente ao hipotálamo, suprimindo a melatonina e mantendo o cérebro em estado de alerta. Remova essa luz e você remove um dos sinais mais fortes do cérebro para continuar acordado.” A escuridão também reduz a carga cognitiva, segundo Ollis. “A visão é um dos sistemas mais exigentes do cérebro. Sem ela, o córtex tem menos para processar.” A temperatura também entra na equação. Pesquisas indicam que cerca de dez minutos em água entre 40 e 42°C, uma a duas horas antes de dormir, podem encurtar o tempo para adormecer e melhorar a qualidade do sono. “Não porque seja relaxante no sentido de spa, mas porque altera a dinâmica térmica do corpo”, explica Ollis. “O banho quente aumenta a temperatura da pele e promove a perda de calor quando você sai, permitindo que a temperatura corporal central caia — um dos sinais fisiológicos que ajudam a iniciar o sono.” Ainda assim, ela alerta: “Tomar banho no escuro não é uma descoberta da neurociência. O que essa tendência faz é reembalar alguns princípios bem estabelecidos da neurobiologia num ritual novo que parece inédito, mas não é.” O banho no escuro realmente melhora o sono? Para quem tem dificuldade de dormir antes da meia-noite e por isso enfrenta as manhãs com entusiasmo duvidoso, a atratividade de um passo tão simples é óbvia. A primeira tentativa, no entanto, foi levemente perturbadora. Uma vez que os olhos se ajustaram, a experiência se tornou bastante tranquilizadora: sem o brilho da iluminação, a atenção se voltou para o som da água e a lista mental de tarefas do dia seguinte simplesmente se dissolveu. Houve alguns obstáculos práticos. Os frascos precisaram ser reposicionados para evitar confundir o óleo de banho com o shampoo, e voltar para o quarto iluminado depois pareceu quase chocante. Na segunda noite, o banho foi feito à luz de uma vela, com as luzes da casa reduzidas desde cedo. A diferença foi sutil, mas perceptível. “Muitas pessoas vão notar uma sensação de calma ou achar mais fácil adormecer, mesmo após a primeira tentativa. Mas o melhor jeito de entender isso é como uma mudança de estado, não uma transformação. Não está reconfigurando o cérebro, está apenas alinhando o ambiente ao que o sistema nervoso já está tentando fazer no fim do dia”, diz Ollis. Vale lembrar também o que o banho no escuro não é: uma solução rápida para insônia ou problemas de sono crônicos. “Não há evidências de que tomar banho no escuro estimule diretamente o nervo vago”, diz Ollis. “Você não está apertando um ‘botão do nervo vago’, está apenas removendo o ruído que mantém o sistema ligado.” Para quem busca algo mais profundo, outras opções podem ser mais eficazes. “Um tanque de flutuação se aproxima muito mais da redução sensorial real”, diz Oliver Bernath, neurologista consultor e especialista em distúrbios do sono da Reborne Longevity. “Remover a luz limita apenas um canal de estímulo sensorial. A terapia de flutuação minimiza múltiplos fluxos de estimulação externa ao mesmo tempo, luz, som, variação de temperatura, até a gravidade.” Tecnologias como tapetes de campo eletromagnético pulsado (PEMF) também oferecem uma abordagem mais direcionada, embora as evidências ainda estejam em desenvolvimento. E se um banho de banheira à luz de velas for sua preferência, há evidências que o sustentam: um estudo publicado no Journal of Physiological Anthropology concluiu que participantes que se banharam por mais tempo adormeceram mais rápido e relataram sono de melhor qualidade do que os que tomaram banho de chuveiro. Como observa Ollis, porém, “a neurociência é amplamente a mesma. A diferença é comportamental, não biológica.” No fim, o apelo do banho no escuro não está em sua novidade, mas em sua simplicidade. Não promete reinvenção, apenas uma forma mais intuitiva de encerrar o dia e, talvez, uma noite de sono melhor como resultado.​​​​​​​​​​​​​​​

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