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Lena Dunham faz turnê de lançamento de novo livro de memórias em cenário que reproduz seu quarto e com entrevistas feitas da cama | Collector
Lena Dunham faz turnê de lançamento de novo livro de memórias em cenário que reproduz seu quarto e com entrevistas feitas da cama
Jornal O Globo

Lena Dunham faz turnê de lançamento de novo livro de memórias em cenário que reproduz seu quarto e com entrevistas feitas da cama

Na noite de terça-feira, Lena Dunham se aconchegou com Andrew Rannells, seu ex-colega de elenco de "Girls", em uma cama de casal adornada com um edredom floral e uma dúzia de almofadas decorativas. A cena tinha um clima de festa do pijama, desde a conversa confessional e conspiratória até uma caixinha de joias em forma de bailarina musical em um criado-mudo próximo. Mas, em vez de pijama, Dunham usava um conjunto de saia e blazer feito sob medida, repleto de renda com babados, e Rannells ostentava um blazer risca de giz. Ele estava de sapatos por baixo das cobertas; ela havia tirado seus sapatos brancos de salto prateado antes de se deitar. A cama era o centro das atenções no Howard Gilman Opera House da Brooklyn Academy of Music. "É um prazer estar aqui com vocês no meu quarto, no bairro onde tanta coisa aconteceu", disse Dunham, depois que uma multidão de cerca de 2 mil pessoas — em sua maioria mulheres das gerações X e Z — a aplaudiu por um minuto inteiro. “Meu livro foi lançado hoje. Cansei de escrever coisas que geram manchetes ou criam alvoroço. Só quero contar histórias que confortem as pessoas, que você possa compartilhar com sua avó.” Ela fez uma pausa, inclinando-se para o microfone. “Se sua avó já fez sexo na UTI.” Público no lançamento do livro de Lena Dunham, no Brooklyn, em Nova York Nina Westervelt/The New York Times O livro é “Famesick”, o segundo de memórias de Dunham, no qual ela explora, com detalhes espirituosos e angustiantes, o preço da fama precoce, doenças crônicas e o estranho paradoxo de ser, ao mesmo tempo, descaradamente franca e uma pessoa que busca agradar a todos incansavelmente. Dunham trabalhou nele por quase uma década, começando depois de uma temporada na reabilitação por vício em Klonopin — quando, como ela admitiu no palco, “fiz amigos para a vida toda com quem nunca mais falei”. Quando o primeiro livro de Dunham, "Não sou dessas", foi lançado em 2014, ela embarcou em uma extensa turnê que atravessou continentes, "uma espécie de circo itinerante" que um artigo do New York Times comparou ao Burning Man. "Eu fui a todos os lugares. Viajei por toda a Europa", disse Dunham em uma entrevista por Zoom, feita de sua cama em Nova York. "Em cada país, a editora dizia: 'Temos uma ideia muito divertida', e o que se seguia era uma ideia nada divertida. Eu tinha 28 anos e achava que tinha que estar disposta a tudo. Eu não tinha limites. No final, estava completamente exausta." Dunham, que tem endometriose e uma doença do tecido conjuntivo chamada Síndrome de Ehlers-Danlos, entre outros problemas de saúde, decidiu adotar uma abordagem diferente desta vez. Dado o conteúdo denso deste livro, era importante para ela que os eventos fossem "alegres e divertidos". Ela não queria se tornar uma "casca vazia com a forma da Lena", como escreveu no anúncio de sua "Pequena Turnê Literária" no Substack. Lena Dunham lendo trecho do seu novo livro, 'Famesick', durante lançamento em Nova York Nina Westervelt/The New York Times A turnê "Famesick" inclui uma celebração virtual e algumas paradas nas costas leste e oeste dos Estados Unidos e em Londres, onde ela passa a maior parte do tempo. Todas as entrevistas serão feitas da cama. “Há uma parte no livro em que falo sobre ir de cama em cama”, disse Dunham. “Eu estava na cama na casa dos meus pais. Estava na cama no meu apartamento. Estava na cama no hospital. Na cama na clínica de reabilitação. Então, pensei: acho que o palco deveria ser uma representação do meu quarto.” Os colchões e as estruturas das camas variam de lugar para lugar, embora o Brooklyn e a Filadélfia tenham compartilhado o mesmo conjunto. Dunham está viajando com seus próprios travesseiros, cobertores e outros itens favoritos. Em um lançamento literário tradicional, o autor e o interlocutor sentam-se em cadeiras altas com dois copos de água entre eles (e talvez um vaso de tulipas, se o organizador tiver tido tempo de ir ao supermercado). “Por muito tempo, não me senti à vontade para questionar nenhuma dessas convenções”, disse Dunham por Zoom. “Eu não me sentia à vontade para dizer: ‘Ei, uma cadeira de diretor, que nada mais é do que uma fina tira de lona sustentando a bunda, não foi feita para mim. É para um homenzinho magricela de boné de beisebol’”. Agora, prestes a completar 40 anos, Dunham, como ela mesma disse, “já passou da fase de projetar seriedade” ou de se envergonhar de suas próprias “especificidades”. Ela acrescentou: “Não deixei de me importar, porque deixar de me importar seria como se eu não quisesse que os outros fossem felizes ou se sentissem confortáveis. Mas existe uma liberdade que é tão deliciosa”. Ela gravou seu audiolivro deitada no sofá. Criou carimbos para livros para evitar o desconforto de autografar milhares deles. ("Movimentos repetitivos são um grande problema para pessoas com SED.") Ela convidou seus interlocutores — que também incluem Michael Lewis e Emily Ratajkowski — a usar pijamas. Até agora, ninguém aceitou o convite, nem recusou a oportunidade de dormir com Dunham. "Todos parecem entusiasmados", disse ela. "Acho que todos estão cansados ​​das cadeiras desconfortáveis." O evento no BAM, que começou com ingressos a US$ 60, incluindo um exemplar do livro, acabou sendo menos circense/Burning Man e mais um show de comédia/variedades, com toques de emoção. "Fiquei muito chateada com a forma como as pessoas falavam de você", disse Rannells no palco, referindo-se ao implacável escrutínio público a que Dunham foi submetida desde os seus 20 anos — sobre seu peso, seus dentes, suas opiniões, suas roupas, até mesmo a maneira como andava de salto alto. “Eu estava tão nervosa para fazer isso porque estive presente em tudo e sinto que nunca te fiz as perguntas certas”, disse Rannells. “Você fez a melhor coisa que alguém poderia fazer”, respondeu Dunham. “Todas as vezes que estive com você, eu fui feliz.” Além do bate-papo com Rannells, a noite de duas horas contou com a leitura de “Famesick”; duas apresentações de slides; jogos com o público; uma meditação guiada na qual Dunham incentivou a plateia a deixar as pernas afundarem no chão e “considerar que cada parte do seu corpo um dia será alimento para os vermes”; e respostas a perguntas pré-gravadas dos leitores. “Percebo que escolho a aprovação deles em vez da minha felicidade”, disse uma mulher chamada Lizzie. “É tão fácil dizer ‘Ignore isso, escolha a si mesma’, mas como fazer isso na prática?” Dunham, outrora prodígio, assumiu ares de uma tia sábia. “A coisa mais importante que fiz foi reservar um tempo para pensar sobre quais são os meus valores reais”, disse ela. “Não o meu valor para os outros, mas quais são as coisas que importam e que me fazem querer levantar da cama todas as manhãs.” Após a meditação e antes da apresentação de slides com seus animais de estimação, Dunham recebeu uma ovação de pé e outra rodada de aplausos, desta vez mais longa e estrondosa que a primeira. Em seguida, ela ergueu seus sapatos. "Alguém calça 40?", perguntou Dunham. "Não estou brincando. Quem quer?" Ela entregou seus Valentinos vintage a uma fã extasiada e saiu do palco com Rannells. Ellen Houlihan, 42, diretora de cinema que passou o dia ouvindo o audiolivro de "Famesick", comparou o evento a "um episódio moderno de 'Girls'. Estamos um pouco mais velhas, vemos as coisas de forma diferente agora, temos compaixão por nós mesmas mais jovens." Lena Dunham dá seu sapato a uma fã durante lançamento de seu novo livro, 'Famesick', em Nova York Nina Westervelt/The New York Times Dunham sentiu o mesmo. "Agora confio em mim mesma para subir ao palco e me comportar de uma maneira que me proteja, mas que também me abra emocionalmente", disse ela. "E esse é um lugar muito mais poderoso para se estar."

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