Jornal O Globo
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira à Globo News que retirou as credenciais diplomáticas de um servidor dos Estados Unidos que atua no Brasil. A retirada ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que o Brasil adotaria a reciprocidade caso seja constatado abuso do governo Donald Trump em expulsar dos EUA o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que forneceu informações para a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano. — Eu retirei com pesar as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade — disse Andrei Rodrigues. O delegado afirmou que governo brasileiro não recebeu comunicação formal dos Estados Unidos sobre o motivo pelo qual a Casa Branca decidiu expulsar Marcelo Ivo de Carvalho do território americano. De acordo com Andrei Rodrigues, o delegado já retornou ao Brasil a seu pedido: — Ele voltou por determinação minha, em razão desse episódio para que nós consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE...seja onde for — afirmou Andrei Rodrigues. Na segunda-feira, os Estados Unidos determinou a expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho do país. A medida foi anunciada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo Donald Trump. Sem citar diretamente o delegado, o órgão afirmou, por meio de postagem na rede social X, que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”. O delegado participou junto com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) da ação que levou à prisão do atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano. O ex-deputado foi solto dois dias depois. — Não vamos expulsar ninguém aqui do Brasil. O Itamaraty está tratando, eu estava em viagem ao Exterior. O Itamaraty também no campo da reciprocidade diplomática tem feito reuniões, contatos, mas repito. É preciso que seja feita alguma formalização da nossa contraparte para que as coisas aconteçam — afirmou Andrei Rodrigues à Globo News. Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Ele foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e foi eleito deputado em 2022, mas teve seu mandato cassado em dezembro passado após o STF determinar a perda de mandato por sua condenação. Ramagem é considerado foragido pela Justiça brasileira. De acordo com a Polícia Federal, ele fugiu do Brasil pela divisa do país com a Guiana, de onde pegou um voo para os Estados Unidos e está lá desde o ano passado.
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