Revista Oeste
O jovem Marty Mauser (Timothée Chalamet) cresceu frustrado com a vida pobre no subúrbio de Nova York. Por sua origem judaica, poucos anos depois do trauma da Segunda Guerra, ele tem necessidade de mudar o jogo. Provar que pode ir longe. Logo cedo, se apega à obsessão de se tornar um jogador de tênis de mesa reconhecido internacionalmente. E milionário. + Leia mais notícias de Cultura em Oeste Desde o início, o filme Marty Supreme (em várias plataformas de streaming ), do estúdio A24 , com nove indicações ao Oscar em 2026, expõe essa obsessão do jovem. Que o leva a se distanciar da mãe e do pequeno apartamento onde vivia às custas do tio. Nem na loja de sapatos do parente ele via futuro. https://www.youtube.com/watch?v=okFGf5CXMxI Dirigido por Josh Safdie, o filme tem uma característica incomum dentro do gênero esportivo. A semelhança com obras clássicas, que mergulham na essência humana são claras. Exemplos? Crepúsculo dos Deuses e a trilogia do Poderoso Chefão . A história se passa em 1952. É vagamente inspirada na trajetória do campeão real Marty Reisman, falecido em 2012, embora a maior parte dos personagens seja fictícia. O protagonista conheceu o esporte apostando dinheiro nas ruas e em clubes da cidade. Aprendeu, desde cedo, a lidar com o lado escroque da alta sociedade e com criminosos que frequentavam salões clandestinos e becos suburbanos. Seu principal recurso era uma autoestima que resistia às frustrações, aos golpes e até às ameaças físicas, situações que pareciam fortalecê-lo ainda mais. Sua lábia transforma a famosa atriz Kay Stone (Gwyneth Paltrow) em sua amante. Leva o marido dela, o empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary), a enxergá-lo como um negócio promissor. Seu momento de maior visibilidade ocorre durante um campeonato em Londres, para o qual consegue viajar depois de juntar algum dinheiro com bicos, algo comum em sua rotina. Ele participa, na companhia de um amigo judeu, Béla Kletzki (Géza Röhrig), também competidor no torneio. Em meio às partidas, o filme explora de forma leve a afirmação da identidade judaica. Marty acaba se deparando ainda com um talentoso jogador japonês, dono de uma técnica incomum. Na conversa posterior com Rockwell, revela como a origem judaica impulsiona sua ambição. Em determinado momento, a conversa toca em lembranças dolorosas ligadas à perseguição aos judeus na Europa. Dá tiradas que ofendem o cínico empresário, que perdeu um filho na Segunda Guerra . Leia mais: "Quem será o novo James Bond?" Mas a relação com sua amiga de infância, Rachel Mizler (Odessa A’zion), com quem mantém um caso, espelha o seu conflito entre o sonho do reconhecimento e a felicidade baseada no amor, na própria identidade, nas coisas simples. Na abertura, cenas de um espermatozoide entrando no óvulo, como uma bela dança, revelam a beleza da criação. O som da trilha, em versão épica de Forever Young , de Alphaville, traz encantamento. Marty apenas quer entender o que fazer com tudo isso: riqueza, criação e encanto. E uma bola de tênis de mesa. O post O jogo da ambição apareceu primeiro em Revista Oeste .
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