Jornal O Globo
O diretório estadual da Rede Sustentabilidade anunciou nesta quarta-feira apoio à candidatura de Marina Silva ao Senado Federal por São Paulo. O posicionamento ocorre em meio à briga interna na legenda que levou a ex-ministra do Meio Ambiente a considerar deixar o partido no início deste ano. A sigla também confirmou a chancela à postulação de Fernando Haddad ao governo estadual, bem como à reeleição do "projeto democrático liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva". Entenda: Remoção de agente da PF escala tensão entre Brasil e EUA com ameaça de Lula sobre uso de reciprocidade Eleições: Caiado escolhe ex-ministro de FHC para elaborar plano de governo à Presidência "A Rede Sustentabilidade reconhece em Marina Silva uma das maiores referências éticas e políticas do Brasil e do mundo. Sua trajetória, marcada pela coerência e pela defesa intransigente da vida, da democracia e da sustentabilidade, a projeta como uma liderança indispensável em um tempo que exige coragem política e visão de futuro", disse a legenda. A ex-ministra deseja ser candidata ao Senado por São Paulo, e lideranças da federação do PSOL com a Rede trabalham para que ela seja o segundo nome da chapa de Haddad à Casa no estado. Até o momento, a composição petista no estado já conta com Haddad como nome ao governo, e Simone Tebet (PSB) ao Senado. A posição do diretório estadual diverge da executiva nacional da legenda. No início do mês, a alta cúpula do partido disse ter recebido com “indignação e perplexidade” a permanência da ex-ministra na legenda. O grupo acusa Marina de recusar-se a dialogar com o diretório da sigla e alega que em nenhum momento sugeriu seu desligamento. Em nota publicada nas redes sociais, o diretório nacional rebate o argumento da ala aliada de Marina, que acusa a administração de desrespeitar o princípio horizontal estruturante da legenda. O grupo comandado por Paulo Lamac argumenta que não procede “a tentativa de apresentar saídas recentes de mandatários como fruto de perseguição” e acusa a ala da ambientalista de praticar “lawfare: o uso abusivo da Justiça como instrumento de disputa interna e perseguição política". “Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna. Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas”, afirma a nota da sigla. Permanência de Marina O anúncio da decisão da ambientalista de permanecer no partido ocorreu no início do mês, pouco antes do fim da janela partidária. A decisão foi tomada após a recusa de convites do PT e PSB diante de atritos na sigla que ela ajudou a fundar provocar a debandada de aliados. Segundo a ex-ministra, a escolha é coerente com a visão que vem defendendo publicamente: de que no “bioma da democracia brasileira, para aumentar sua capacidade de proteger-se dos constantes ataques autoritários, precisa se compor de ecossistemas partidários plurais e fortalecidos”. “No cenário político-eleitoral de São Paulo, também pretendo intensificar ainda mais minha atuação no debate público, contribuindo para a construção de alternativas que assegurem o coeficiente civilizatório do país – um desafio no qual o estado de São Paulo tem papel decisivo. Coloco, assim, meu nome à disposição do debate dentro do nosso campo político para representar a Federação liderada pelo PSOL, na segunda vaga para o Senado, ao lado de Simone Tebet, do PSB”, afirmou a ministra ao anunciar a permanência na Rede. Conflitos na Rede O tensionamento da relação de Marina com a sigla se aprofundou em abril do ano passado após a eleição para a presidência do diretório nacional do partido. O candidato apoiado pela ambientalista foi derrotado por Paulo Lamac, nome referendado por Heloísa Helena — que está rompida com a ex-ministra desde 2022. Aliados de Marina publicaram, em dezembro, um manifesto contra a direção nacional da sigla. Eles criticam mudanças no estatuto partidário e afirmam haver uma perseguição interna contra a ex-ministra. Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e optou por integrar a gestão Lula como ministra do Meio Ambiente, Heloísa se posiciona como oposição ao Planalto e defende o “ecossocialismo”, corrente que associa a preservação ambiental à mudança do sistema econômico. Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro anulou o congresso nacional da Rede Sustentabilidade que culminou na vitória do aliado de Heloísa Helena. À época, a ala próxima à ex-ministra entendeu que a atual situação na sigla criou insegurança política e jurídica nas decisões futuras da atual cúpula da Rede. A legenda disse, por sua vez, ter recebido "com surpresa a decisão" e reafirmou "seu compromisso com a lisura, a transparência e a democracia — princípios estes que sempre orientaram a sua atuação partidária". No mês passado, o grupo de Marina teve uma nova vitória jurídica: a Justiça do Distrito Federal concedeu uma liminar para dirigentes próximos à ex-ministra na qual suspende os efeitos da resolução partidária que remete todos os pedidos de desfiliação por justa causa à anuência do diretório nacional da legenda. A ação afirma que a resolução se trata de um “instrumento de coerção política editado às vésperas da janela partidária, o qual produz reflexos diretos e imediatos no processo eleitoral, na medida em que a resolução pretende, na prática, forçar os atuais mandatários a permanecerem na agremiação contra sua vontade, bloqueando qualquer negociação política que implique eventual desfiliação”.
Go to News Site