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Dívidas, transfer ban e disputa entre Textor e Eagle: entenda a situação financeira e o jogo político da SAF do Botafogo | Collector
Dívidas, transfer ban e disputa entre Textor e Eagle: entenda a situação financeira e o jogo político da SAF do Botafogo
Jornal O Globo

Dívidas, transfer ban e disputa entre Textor e Eagle: entenda a situação financeira e o jogo político da SAF do Botafogo

O pedido de recuperação judicial protocolado pela SAF do Botafogo na Justiça do Rio, nesta quarta, é o mais novo capítulo de uma novela que se arrasta pelos últimos meses. Uma crise não só financeira, mas também política. Entre dívidas e disputas por poder, O GLOBO explica, abaixo, a situação atual do alvinegro fora de campo. Na Inglaterra: Liverpool define terceira contratação mais cara da história do PSG como substituto de Salah 'Quais gols você lembra?': Astro da Holanda, Gullit questiona artilharia de Neymar e Memphis nas seleções Dívida bilionária Um laudo de avaliação do valor econômico da SAF, divulgado há duas semanas pelo clube, expôs o tamanho do rombo. A dívida total gira em torno de R$ 2,753 bilhões. Deste valor, R$ 1,643 bilhão é de curto prazo (ou seja: a ser paga em até 12 meses). Só no ano passado, o déficit foi de R$ 287 milhões. Isso mesmo com a receita operacional do clube crescendo a cada temporada. A de 2025 ficou em R$ 655 milhões. O problema é que as despesas sobem ainda mais. A do último ano ficou na casa dos R$ 892 milhões. Neste contexto, o patrimônio se deteriora rapidamente. O laudo o avaliou em R$ 427 milhões negativos. Isso significa que a venda de todos os bens da SAF não seriam suficientes para arcar com a dívida total. Transfer ban Este cenário leva o clube a eventualmente retardar o pagamento de compromissos já firmados. Já há notícias de atraso no FGTS e no direito de imagem de jogadores, por exemplo. Há dificuldade também de honrar acordos com clubes, o que impõem punições na Fifa. Neste momento, há um transfer ban em vigor que impede o Botafogo de registrar treforços pelas próximas três janelas de transferências. A punição é pela falta de pagamento ao Ludogorets, da Bulgária, pela contratação de Rwan Cruz. O atacante, que chegou ao clube no ano passado, sequer defende mais o alvinegro. Ele foi emprestado para o Real Salt Lake, dos EUA, e, depois, de volta ao próprio Ludogorets. Também há uma punição em nível nacional, dada pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) pelo não pagamento de uma das parcelas desta mesma compra. O Botafogo está impedido de registrar novos atletas na CBF por seis meses. Assembleia geral e promessa de aporte financeiro Em meio a esta pressão para arcar com dívidas urgentes, John Textor apresentou uma proposta de aporte de 25 milhões de dólares (R$ 124,1 milhões). A oferta não foi bem recebida pelo associativo, dono de 10% da SAF. Porque geraria novos juros a serem pagos pelo Botafogo e também porque o aporte seria feito por meio da emissão de novas ações, o que pode alterar a distribuição de poder dentro do clube. Para o associativo, há a insegurança por conta da disputa societária na Eagle, que torna complexa a questão de quem detém os outros 90% do Botafogo. Hoje, Textor está afastado da direção da Eagle Bidco, braço da Eagle Holdings e que detém as ações dos clubes de futebol da rede (também fazem parte o Lyon e o RWD Molenbeek). O empresário atua apenas como administrador da SAF alvinegra graças a uma liminar da Justiça do Rio. Para o americano, o investimento representa uma forma de reforçar o caixa e consolidar sua posição com o apoio de eventuais novos investidores. Por isso, ele convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que tinha o aporte como pauta principal. Inicialmente, a AGE foi marcada para a última segunda-feira. No entanto, ela acabou adiada em uma semana por falta de quórum suficiente. Era necessário mais de 90% dos acionistas. A Eagle Bidco mandou cinco advogados como representantes, mas o clube social não tinha nenhum. Disputa pelo poder Por trás da discussão financeira, existe uma disputa direta sobre controle e governança. O pedido de recuperação judicial foi lido como uma tentativa de Textor se antecipar ao Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas, que irá decidir sobre o pedido de saída do americano do comando da SAF. No último sábado, inclusive, a Eagle Bidco enviou uma notificação nos autos do processo informando que ele não estava autorizado a entrar com o pedido. O clube social concordou com o movimento. Mas não adiantou. Na visão da Eagle Bidco e do associativo, Textor tenta atrapalhar qualquer possibilidade de resolução do conflito a partir de sua saída da SAF. O entendimento é de que seu afastamento poderia abrir a possibilidade de um acordo entre os sócios e, consequentemente, de revenda para outro interessado, uma vez que existem negociações em andamento neste sentido. Anúncio de venda da SAF Foi neste contexto que um anúncio de venda das ações da SAF do Botafogo, do Lyon e do RWD Molenbeek foi parar num jornal inglês. Ele foi feito pela Cork Gully, empresa de consultoria em reestruturação financeira e operacional de Londres que foi nomeada no fim do mês passado pela Ares Capital Corporation, principal credora da Eagle Football Holdings Bidco. Apesar de causar estranhamento no público brasileiro, esse movimento é comum perante a Justiça inglesa. A Cork Gully, inclusive, já havia se posicionado no mercado como "aberta a propostas" para vender a SAF alvinegra. Conforme apurou O GLOBO, tanto a SAF do Botafogo quanto o Lyon entendem que o anúncio se trata de um aviso legal padrão, perfeitamente normal no âmbito dos procedimentos iniciados pelo administrador.

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