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Perícia da PF confirma que anotações em 'livro proibido' são de Tiradentes | Collector
Perícia da PF confirma que anotações em 'livro proibido' são de Tiradentes
Jornal O Globo

Perícia da PF confirma que anotações em 'livro proibido' são de Tiradentes

Uma perícia da Polícia Federal confirmou que anotações feita em um livro tido como "proibido" durante o período colonial perteceram a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, segundo o Museu da Inconfidência anunciou nesta terça-feira. O livro, um compêndio dos primeiros textos constitucionais dos Estados Unidos, que naquela época havia acabado de tornar-se independente, ganhou a alcunha de proibido pelo conteúdo antimonárquico. Leia mais: 'Manipulação, mentiras e extorsão': brasileiros são presos e acusados de comandar falsa agência de imigração nos EUA Vídeo: Fundo falso de carroceria: mais de R$ 1 milhão em anabolizantes são apreendidos na Ponte da Amizade Impresso na Europa com o intuito de disseminar os ideais republicanos e garantir simpatia dos franceses à Revolução Americana, o “Recueil des Loix Constitutives des États-Unis de l’Amérique” chegou ao Brasil por meio de José Álvares Maciel, um ex-estudante da Universidade de Coimbra que adquiriu um exemplar da obra em Birmingham, na Inglaterra. Em 1788, o texto chegou a Minas Gerais e começou a circular entre os inconfidentes. Dias antes de ser preso,Tiradentes, que estava no Rio de Janeiro, entregou o exemplar a Francisco Xavier Machado, porta-estandarte dos Dragões de Minas, para que ele levasse o livro de volta à capitania. A obra acabou apreendida após a prisão de Tiradentes, tornando-se uma das evidências contra os inconfidentes no processo que se desenrolou em seguida. Tiradentes foi executado, enquanto outros envolvidos, como o poeta Tomás Antônio Gonzaga, apesar de também terem sido condenados, foram perdoados e acabaram enviados para outras colônias portuguesas. O livro contém a Declaração de Independência, a primeira redação dos Artigos de Confederação e constituições de seis dos treze primeiros estados americanos. Os "Autos da Devassa", como são chamados os depoimentos dos inconfidentes prestados às autoridades portuguesas, indicavam que Tirandentes mostrava o livro a outras pessoas e solicitava traduções de determinados trechos. Segundo o Instituto Brasileiro de Meuseus (Ibram), a confirmação de que as anotações são de Tiradentes afasta "interpretações simplificadoras que o reduziram exclusivamente à condição de homem de ação ou mártir político". "O documento passa a indicar, com maior segurança, sua relação concreta com livros, linguagens políticas e debates de alcance internacional em circulação no mundo atlântico de fins do século XVIII. Em lugar de reiterar velhas concepções sobre sua figura histórica, a nova evidência a restitui em maior complexidade, em conexão com debates políticos de alcance internacional", diz o Ibram em nota.

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